Embora aprecie bastante as qualidades comunicativas e futebolísticas de Rúben Amorim, consigo também apontar-lhe lacunas no seu jogo e algumas teimosias. Para mim, a mais evidente é a pouca utilização de Daniel Bragança. É certo que o jovem tem sido utilizado mais regularmente nesta fase final do campeonato. Porém, o médio poderia ter tido mais oportunidades ao longo da temporada.

João Palhinha e João Mário foram donos e senhores do meio-campo leonino de 2020/2021. Os médios portugueses fazem par no corredor central do terreno na grande maioria dos jogos. Matheus Nunes foi o médio box-to-box suplente, uma espécie de arma secreta, que até foi decisiva nos jogos grandes. A utilização de apenas dois médios, em grande parte da temporada, deixou Daniel Bragança muitas vezes no banco de suplentes, tendo entrado por algumas ocasiões, nos minutos finais da partida.

Algures numa conferência de imprensa a meio da temporada, Rúben Amorim afirmou que a falta de minutos de Daniel Bragança não era culpa do atleta, mas sim dele e dos colegas de posição. Acredito que a utilização do sistema 3-5-2 não tenha sido apenas para aproveitar a qualidade do médio de 21 anos, mas também para explorar uma dinâmica de mais posse e menos procura da profundidade. Durante a utilização desta tática, Daniel Bragança atuou juntamente com João Mário na posição oito, onde mostrou a sua inteligência em campo, bem como a qualidade técnica, passe e as suas tão habituais fintas de corpo.

Daniel Bragança já foi denominado, durante esta temporada, de “estrelinha leonina”
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Houve certos momentos do jogo em que o Sporting CP se encontrou em desvantagem ou a precisar de marcar (recordo-me agora da partida frente ao FC Famalicão em Alvalade). Daniel Bragança chegou a desempenhar o papel de médio defensivo, substituindo João Palhinha, pelo que se verificou ser uma opção válida para o futuro. Não sendo exímio na agressividade nem no desarme, Ruben Amorim procurou ter um atleta organizador ao invés de destruidor de jogo.

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No início da temporada, Rúben Amorim lançou Daniel Bragança numa posição mais avançada do terreno, juntando-o à primeira linha de pressão da equipa. Penso que, de todos os papéis que pode desempenhar no meio-campo, o de número 10 é aquele que lhe assenta pior. Felizmente, o treinador leonino percebeu isso a tempo. Daniel Bragança precisa de jogar de frente para o jogo, não de costas para a baliza adversária.

As características que mencionei anteriormente fazem-me concluir que o internacional sub-21 pela seleção portuguesa tem particularidades ímpares em relação aos restantes membros do plantel. A forma como o talento da academia de Alcochete tem um impacto significativo no jogo leonino, é reveladora do perfume que este traz, jornada após jornada. Com Daniels Bragança em campo, o Sporting CP está mais perto de ganhar – as estatísticas não enganam.

Como referi num artigo anterior em que fiz a comparação entre Matheus Nunes e Daniel Bragança, acredito (e quero acreditar) que o jovem leonino esteja a ser preparado para a eventual saída de João Mário, de modo a ter mais minutos na temporada que se avizinha. Este texto é tudo menos uma mágoa por ter visto Daniel Bragança menos vezes em campo do que aqueles que queria. Ruben Amorim fez as suas escolhas, e saberá melhor do que ninguém as razões para as mesmas. No entanto, como redator de sofá, com a impossibilidade de ver os jogos da bancada, vou escrevendo semanalmente uns bitaites sobre aquilo que penso sobre o universo leonino.

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