Com a saída de João Mário para o rival da cidade, o lugar ao lado de João Palhinha ficou à disposição no Sporting CP. À partida, Matheus Nunes estava na frente da corrida pela posição, visto ter participado, ao longo da época passada, em mais encontros e ter também estado mais vezes envolvido em golos. Ainda assim, Daniel Bragança tinha tempo e espaço para reclamar o lugar. Tal não aconteceu. Matheus mostrou ao técnico Rúben Amorim que era o principal candidato à posição “8”, e desde o início da temporada que ninguém começa o jogo ao lado de Palhinha sem ser ele.

O desaparecimento

Até ao momento, Bragança participou em três dos cinco jogos disputados no Campeonato, mas somou apenas 36 minutos. Por esta altura na época passada, já tinha completado 94 minutos na Liga, tendo também só jogado em três das cinco jornadas. Mesmo com o Sporting CP na Liga dos Campeões, Rúben Amorim não abdica da dupla Palhinha-Matheus.

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É verdade que Daniel Bragança (823 minutos) completou substancialmente menos minutos que Matheus Nunes (1707 minutos) ao serviço dos leões na última temporada, mas esperava-se um Bragança mais presente neste início de época. É bastante provável que os quase mil minutos de diferença tenham tido peso na evolução dos jogadores, mas, ainda assim, creio que os adeptos do clube esperavam mais tempo para o miúdo de 22 anos.

Entrada na Champions com o pé esquerdo

O regresso da turma de Alvalade à liga milionária foi um desastre. A derrota por 5-1 frente ao AFC Ajax revelou fragilidades no bloco defensivo dos leões que, durante toda a época transata, não foram expostas. A formação comandada por Rúben Amorim terminou a época 2020/21 com a melhor defesa do campeonato, sofrendo apenas 20 golos em 34 jornadas. E, na passada quarta-feira, num único jogo, foi capaz de sofrer cinco golos de uma assentada. Esta entrada em falso dos verde e brancos tornou bem evidente a diferença de qualidade entre os adversários que o Sporting CP encontra em Portugal e aqueles que estão presentes nesta competição, que reúne as melhores equipas da Europa. O clube de Alvalade não entrou com a força máxima. O capitão Coates ficou de fora da partida por ter sido expulso no último jogo que os leões disputaram para as competições europeias, e essa ausência foi notada. Viu-se um Sporting CP não só com debilidades a nível defensivo, mas também com bastante dificuldade a segurar a posse da bola.

Falta lucidez

Se pensarmos bem, Daniel Bragança tem um perfil mais semelhante a João Mário do que Matheus Nunes. Tanto Bragança como João Mário têm maior capacidade de pausar e pautar o jogo do que Matheus. Este oferece explosão, tem maior presença em campo e tem também mais golo. Mas parece estar a faltar ao jogo do Sporting CP um homem que ponha a bola no chão, pense o jogo, dê tempo à equipa para respirar com bola, de modo a construir ataques com maior lucidez.

A forma de Matheus

É verdade que o luso-brasileiro está num momento de forma estrondoso, mas ter um meio-campo a dois em que nenhum dos médios consegue pausar o jogo e fazer com que a equipa descanse com bola, para que possa atacar com mais cabeça, torna-se muito desgastante para o coletivo. Estar sempre a correr atrás da bola não é, certamente, a solução para uma equipa que tem como objetivo vencer títulos.

Matheus Nunes já leva 606 minutos com a verde e branca esta temporada, soma uma assistência e exibições sólidas. Depois de, no empate em Famalicão, ter passado um pouco ao lado do jogo, voltou a destacar-se frente ao FC Porto e contra o AFC Ajax, tendo sido, em ambas as partidas, um dos melhores em campo. Aquilo que produz justifica perfeitamente a sua presença assídua no onze.

Matheus Nunes vs Daniel Bragança
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Três jogos sem vencer

O Sporting CP vem de uma época em que se habituou a não perder. Arrecadou a Taça da Liga e foi campeão nacional,19 anos depois. A única derrota que teve no campeonato foi já no fim, frente ao SL Benfica, numa altura em que já tinha garantido o título. Foi precocemente eliminado da Liga Europa, pelo Lask Linz, e também cedo afastado da Taça de Portugal, pelo CS Marítimo. Está agora a atravessar uma nova fase. Dois empates consecutivos no campeonato e uma derrota no primeiro encontro no regresso à Liga dos Campeões. A formação de Erik ten Hag tem mais experiência a este nível e foi capaz de desmontar o bloco verde e branco com bastante facilidade. Pôs à prova a formação de Amorim de uma maneira que nenhuma outra equipa, durante toda a época passada, foi capaz de fazer.

Este jogo frente ao AFC Ajax vai, certamente, pesar na consciência de Amorim, e resta esperar para ver que alterações o jovem treinador português vai fazer na sua equipa. A dificuldade que os leões tiveram em segurar o esférico deve ter preocupado, sem sombra de dúvidas, o técnico leonino, e talvez por isso vejamos em breve mais de Bragança.

Matheus Nunes e Daniel Bragança são dois jogadores com características distintas e, certamente, haverá jogos em que faz mais sentido Bragança jogar e outros em que a presença do luso-brasileiro é imprescindível. Até agora, Matheus tem sido o escolhido, mas Bragança estará preparado para assumir o lugar a qualquer altura. E uma nova oportunidade pode estar mesmo aí a aparecer, sobretudo se a equipa continuar com esta dificuldade em manter a posse.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

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