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Dost, Slimani e a vã tentativa de comparar o incomparável

Ricardo Figueiredo · 3 min

Dost, Slimani e a vã tentativa de comparar o incomparável
Foto: Sporting CP

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Que fique claro que, na minha opinião, Bas Dost é, em termos individuais, melhor ponta de lança do que Islam Slimani. Finaliza melhor com a cabeça e com os pés, é melhor tecnicamente, tem mais faro de golo, distribui melhor jogo e tem superior capacidade de passe. Ou seja, o holandês supera o argelino em quase tudo o que define um “nove”, mas será isso suficiente para se dizer que o ex-jogador do Wolfsburgo é melhor futebolista e se tornará automaticamente numa mais-valia no esquema de Jorge Jesus?

É aqui, afinal, que se entra num carácter mais subjectivo da análise de dois futebolistas. E se já muitas vezes se cai na tentação de comparar um Jonas (avançado-centro) com um Mitroglou (ponta de lança) só porque actuam ambos no centro do ataque, a verdade é que muitas vezes é igualmente complicado comparar dois pontas de lança de raiz.

É certo que Bas Dost, pelas suas qualidades intrínsecas, vai ser tendencialmente mais eficaz do que era Islam Slimani, mas é igualmente verdade que o argelino, pelas suas características, tem tendencialmente mais oportunidades para visar a baliza e isso acaba por diminuir a vantagem que o holandês apresenta por ser mais letal.

Depois, em termos colectivos, o atacante do Leicester City, fruto da sua mobilidade, poder físico e inesgotável pulmão, era importantíssimo no início do processo defensivo, sendo curiosamente aqui que o Sporting mais vezes parece mais órfão de Slimani (e até de Teo Gutiérrez, diga-se). Sendo igualmente de realçar que as constantes movimentações do argelino beneficiavam e muito a dinâmica ofensiva do sistema de Jorge Jesus, que, lembre-se, assenta imenso em frequentes trocas de posição entre os jogadores.

Mesmo que seja provável que nunca atinja o nível de Islam Slimani nas valências supracitadas, é certo que Bas Dost terá capacidade de evoluir ao nível da sua mobilidade e capacidade defensiva, algo que permitirá que se aproxime mais daquilo que o técnico do Sporting certamente pretenderá para um “nove” do seu esquema. Ainda assim, é certo que Jorge Jesus terá igualmente necessidade de calibrar o seu pensamento ofensivo (e defensivo) para a realidade de que agora dispõe de um ponta de lança mais “matador”, mas ao mesmo tempo menos “trabalhador”.

Espera-se, afinal, que o experiente técnico encontre forma de maximizar as qualidades do holandês, pondo ao mesmo tempo menos a nu as fragilidades que o Sporting tantas vezes tem tido no processo defensivo e que, ao contrário do que se tem vendido, não derivavam apenas da ausência forçada do capitão Adrien ou da má forma de alguns elementos do quarteto defensivo.

Na minha opinião, isso deverá passar pela transformação do 4x4x2 do Sporting em algo mais próximo do 4x4x1x1, sendo colocado na posição de segundo avançado um jogador com mais mentalidade de médio-ofensivo do que de ponta de lança. Opções? Saltam à vista Joel Campbell, que até rende mais no centro do que na esquerda (onde jogou frente ao Arouca e bem); o polivalente Bruno César; ou Alan Ruiz, isto quando o argentino perceber que agora joga num campeonato com outra intensidade de jogo.

Desta forma, o Sporting ganharia automaticamente outra robustez no miolo, situação que deixaria o quarteto defensivo (e William) muito menos exposto e permitiria, igualmente, que Bas Dost se pudesse fixar ainda mais em zonas de finalização, funcionando como uma referência clara para os serviços dos seus colegas.

Bas Dost já leva sete golos marcados esta época pelos "leões" Fonte: Sporting CP
Bas Dost já leva sete golos marcados esta época pelos “leões”
Fonte: Sporting CP

É que também me custa que, num campeonato com centrais tendencialmente “baixos”, o Sporting não esteja a saber aproveitar na plenitude as valências de um “nove” com 196 cm, ainda para mais sendo este especialmente forte no capítulo da finalização de cabeça. Ora, num esquema mais próximo do 4x4x1x1, e com Bas Dost, mais fixo no eixo, os cruzamentos para a área seriam certamente mais frequentes e, mais importante do que isso, com mais possibilidades de êxito.

Desta forma, estou certo que o rendimento do “matador” holandês subiria vertiginosamente, perdendo gradualmente os adeptos verde-e-brancos a vontade de tentar comparar Bas Dost com Slimani, numa missão que me parece tão hérculea quanto a vontade de Jorge Jesus em modelar o ex-jogador do Wolfsburgo à imagem de “Super Slim”.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Ricardo Figueiredo

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