Que fique claro que, na minha opinião, Bas Dost é, em termos individuais, melhor ponta de lança do que Islam Slimani. Finaliza melhor com a cabeça e com os pés, é melhor tecnicamente, tem mais faro de golo, distribui melhor jogo e tem superior capacidade de passe. Ou seja, o holandês supera o argelino em quase tudo o que define um “nove”, mas será isso suficiente para se dizer que o ex-jogador do Wolfsburgo é melhor futebolista e se tornará automaticamente numa mais-valia no esquema de Jorge Jesus?

É aqui, afinal, que se entra num carácter mais subjectivo da análise de dois futebolistas. E se já muitas vezes se cai na tentação de comparar um Jonas (avançado-centro) com um Mitroglou (ponta de lança) só porque actuam ambos no centro do ataque, a verdade é que muitas vezes é igualmente complicado comparar dois pontas de lança de raiz.

É certo que Bas Dost, pelas suas qualidades intrínsecas, vai ser tendencialmente mais eficaz do que era Islam Slimani, mas é igualmente verdade que o argelino, pelas suas características, tem tendencialmente mais oportunidades para visar a baliza e isso acaba por diminuir a vantagem que o holandês apresenta por ser mais letal.

Depois, em termos colectivos, o atacante do Leicester City, fruto da sua mobilidade, poder físico e inesgotável pulmão, era importantíssimo no início do processo defensivo, sendo curiosamente aqui que o Sporting mais vezes parece mais órfão de Slimani (e até de Teo Gutiérrez, diga-se). Sendo igualmente de realçar que as constantes movimentações do argelino beneficiavam e muito a dinâmica ofensiva do sistema de Jorge Jesus, que, lembre-se, assenta imenso em frequentes trocas de posição entre os jogadores.

Mesmo que seja provável que nunca atinja o nível de Islam Slimani nas valências supracitadas, é certo que Bas Dost terá capacidade de evoluir ao nível da sua mobilidade e capacidade defensiva, algo que permitirá que se aproxime mais daquilo que o técnico do Sporting certamente pretenderá para um “nove” do seu esquema. Ainda assim, é certo que Jorge Jesus terá igualmente necessidade de calibrar o seu pensamento ofensivo (e defensivo) para a realidade de que agora dispõe de um ponta de lança mais “matador”, mas ao mesmo tempo menos “trabalhador”.

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