O princípio da derrocada foi a 5 de Abril de 2018. Depois da derrota frente ao Atlético de Madrid, Bruno de Carvalho utilizou a página do Facebook para tecer várias críticas à prestação da equipa. A reacção dos jogadores foi imediata e desde então tudo começou a ficar fora de controlo.

Para piorar a situação, o Sporting perdia na Madeira, frente ao Marítimo, o segundo lugar do campeonato e o acesso à liga dos campeões. E, quando se pensava que as coisas não podiam piorar, os jogadores foram brutalmente agredidos na Academia de Alcochete levando um choque geral ao mundo do futebol e aos quatro cantos do mundo. Ainda faltava jogar a final da Taça de Portugal e com um treinador pouco capaz de recuperar a equipa, jogadores emocionalmente destroçados, a derrota foi o resultado natural.

Se este desastre não bastara, eis que começaram as rescisões. Patrício e William a indicarem o mote que Bas Dost, Bruno Fernandes, Gelson Martins e companhia seguiram. Nesta altura, já o clima de instabilidade corria e os sócios estavam mais divididos do que nunca. Desde Fevereiro de 2018 que sou contra o perfil que Bruno de Carvalho começou a traçar no clube. É certo e justo dizer que lhe dei os meus dois votos nas duas últimas eleições, mas é também justo dizer que muito mudou nos métodos do presidente. Principalmente a nível de comunicação, onde creio que foi o verdadeiro calcanhar de Aquiles de Bruno de Carvalho. Foi duro o que se passou, chegaram mesmo a ser cruéis os últimos tempos mas, finalmente, os Sportinguistas deram, ontem, a resposta certa. Temos de felicitar os cerca de quinze mil sócios que se deslocaram ao Altice Arena para dar um novo rumo ao clube.

Não se pode esquecer o bom trabalho realizado pela antiga direcção: novo pavilhão e condições financeiras que recolocaram o clube na luta de grandes conquistas. Porém, quem entra pela porta dos fundos, como entrou ontem, merece sair por lá. Os pesadelos são assim, aparecem de forma subtil e sem darmos conta de nada.

Bruno de Carvalho foi perdendo protagonismo nos últimos meses
Fonte: Sporting Clube de Portugal
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O Sporting começa hoje uma nova vida. Os adeptos têm até dia 8 de Setembro para identificar alguém que tenha a mesma linha de pensamento de Bruno de Carvalho relativamente ao modelo vencedor e estrutura financeira, mas que seja realmente uma pessoa diferente na comunicação, na forma como interage com o clube, associados e jogadores. Nada de elitistas e pessoas sem ligações profundas. Queremos continuar na senda das vitórias ou na luta sedenta pelos títulos!

Relativamente aos jogadores, a massa associativa quer ver que atitude terão os jogadores após o pedido de rescisão por justa causa. De que lado realmente estarão? Do clube ou da cor do dinheiro? Seja quem for o presidente, os interesses do Sporting não poderão cair em saco roto.

Para terminar, Bruno de Carvalho lançou hoje na sua página que irá impugnar a AG e que se vai recandidatar nas próximas eleições. Quando tudo parece ter uma solução surge mais um episódio que só vai gerar e criar ainda mais instabilidade à volta do clube. Talvez a solução mais importante seria mesmo destituí-lo de sócio do clube. Não se pode combater ódio com ódio e o Sporting merece mais respeito pela sua história.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

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