Todos sabemos que o presidente do Sporting CP, Dr. Frederico Varandas, tem alguma dificuldade em termos de comunicação oral. Não é fácil, ainda para mais tendo que enfrentar câmaras, jornalistas a pressionar com os temas mais incómodos, e muito menos será para quem não se sente à vontade nesse capítulo.

Mas como em tudo nesta vida, o tempo e a experiência ajudam-nos a encontrar estratégias para contornar as nossas maiores dificuldades e fraquezas e, nas últimas aparições, o presidente leonino parece ter encontrado pelo menos uma fórmula de falar as coisas certas. Pode continuar com um discurso pouco fluido, mas está bem mais certeiro.

Já o tinha demonstrado quando, com o seu estilo britânico, usando uma bela boina, passou a mensagem que a nação sportinguista precisava ouvir naquele momento. Apareceu para passar a mensagem de que não deveríamos entrar em “bazófias”, porque isso era o que os nossos adversários queriam. Não resultou tão bem para muitos adeptos, pelo menos a ver pelo que ia lendo nas redes sociais, mas serviu perfeitamente para quem realmente importava, a equipa.

Demonstrou-o de novo, na última vez que apareceu na varanda com vista para a praça do município, aquando da homenagem aos campeões do campeonato português de futebol. Atirou estrategicamente para todos os rivais que tinha de atingir, com as armas que devia usar.

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Na Câmara de Lisboa, Frederico Varandas visou os rivais no seu discurso
Fonte: Bola na Rede

Poderia não escolher o momento do festejo do título para essas críticas, e valorizar apenas o que de bom a equipa de futebol do Sporting tinha feito durante a época? Podia. Mas ao relembrar tudo o que os rivais já fizeram para ganhar vantagem, valoriza ainda mais o feito do clube em ter conseguido conquistar este título, no enquadramento sistémico em que vive o futebol português.

Quanto às desculpas que outros usaram para justificar o seu insucesso, uma coisa é certa, eles nunca teriam conseguido ser campeões com este lote de jogadores, porque nunca teriam apostado, em simultâneo, em jogadores tão jovens, portugueses, e tão “baratos”. A nossa sorte é que a malta mais jovem é menos afectada pela pandemia (sarcasmo – é melhor precaver-me e avisar).

A minha teoria para esta melhoria de comunicação do Dr. Varandas, principalmente nesta última intervenção, deve-se ao facto de já se sentir em casa quando vai àquela varanda. É que as equipas do Sporting não param de conquistar troféus europeus e nacionais, tornando num hábito as romarias do presidente do Sporting àquele que parece ser já um local tão familiar. Só este ano já foi com equipa de futsal e com a equipa de futebol.

Acho que ficou a faltar a equipa de Hóquei em Patins, se a memoria não me falha, mas entendo que não seja fácil para o Dr. Medina ter que estar a receber comitivas todas as semanas, e a gastar do orçamento camarário para tantas medalhas e Santos António, e o discurso teria de se tornar muito repetitivo. “O Sporting é bom…, parabéns por mais um titulo…, etc etc etc.“

Ou isso, ou o Presidente da Câmara está com medo de que nos mudemos para lá. Mas que não se preocupe, é só mesmo de visita, porque onde nos sentimos mesmo bem é em Alvalade. Eu também acho que ele não se sente muito confortável no meio de tanto verde. Só não posso prometer que não o incomodemos mais. Até porque o Dr. Varandas tem de continuar a treinar os seus discursos. E que melhor lugar haverá do que tão distinta varanda?

Se não houver varandas, desde que ganhemos, pouco importa.

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