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Quando Jorge Jesus chegou ao comando do Sporting, naquele famoso e explosivo verão de 2015, um dos nomes que mais curiosidade criou junto dos adeptos leoninos, foi o de William Carvalho. O médio português vinha de duas épocas em ascensão como titular no meio-campo do Sporting (uma com Jardim, outra com Marco Silva), e quando o atual treinador leonino chegou ao comando, chegou mesmo a afirmar que ele iria jogar “o dobro”. Tive algumas dúvidas quando vi essa “promessa” de Jesus. Não pelas qualidades de William, mas pelo que Jesus quer e costuma querer nas funções do “seu” pivot.

Nesse lugar, o treinador natural da Amadora nunca quis um jogador que fosse peça fundamental no início de construção, por natureza. Quis, sim, sempre um jogador de equilíbrios. Uma “âncora”, que mantivesse a coesão defensiva por definição, e que tivesse uma imponência física inquestionável (basta ver os casos de Javi García, Matic, Fejsa). Por isso, desde há três épocas atrás, possa parecer que William tenha, de alguma forma, estagnado a sua evolução. Mas trata-se de uma falsa realidade que a fórmula de Jesus acaba por iludir: William, apenas e somente, “prendeu-se” às funções da posição, tendo evoluído e adquirido uma maturidade nesse equilíbrio defensivo, onde o segundo passe pertencia a Adrien, ou ao médio à frente do pivot. O resto – as famosas rotações, e avançar no terreno em posse – ficaram para outras realidades.

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Battaglia tem ocupado a posição na ausência de William Carvalho Fonte: Sporting CP
Battaglia tem ocupado a posição na ausência de William Carvalho
Fonte: Sporting CP

Do principado para uma zona de guerra?

Neste ano, parece quase certa a saída do nº14 do Sporting. Battaglia parece ser o substituto. Numa mudança tão drástica como radical – dois jogadores completamente distintos – parece-me que, de todas as épocas, de um modo quase paradoxal, talvez seja esta em que as diferenças menos se notarão. Porque o médio argentino é, essencialmente, talhado para o equilíbrio defensivo, para a zona de combate, de pressão. Um lutador em forma de pivot. William Carvalho, por outro lado, possui a classe e a mestria que Jesus, de facto, não vê como atributos imperativos nessa posição.

Mexer nesta zona do terreno é mexer no coração da equipa. Passar de príncipe para um guerreiro pode ser radicalmente diferente, e será no estilo, mas manterá o ADN que Jesus tanto necessita na sua fórmula. A dúvida sobrará para as alternativas, onde Petrovic e Palhinha procuram ainda encontrar(-se) (n)o seu habitat.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Artigo revisto por: Beatriz Silva

 

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