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Todo o bom adepto de futebol quer ver golos, mas nem sempre é por aqui o caminho para vencer o jogo. Desde a era Jorge Jesus, são já vários os confrontos em que o Sporting não ganhou devido a erros defensivos. Parece até existir uma separação semântica entre aquilo que significa perder e não ganhar. Organizar uma defesa pode demorar várias épocas e as combinações entre os elementos nem sempre são instantâneas. É claro que podem ocorrer milagres como aquele que presenteou o Sporting no Campeonato. Mas mais vale não sermos ingénuos.

Quando olho para o leque de opções do plantel do Sporting para a zona defensiva vejo um nome indiscutível. Coates é daqueles jogadores que nos fazem sorrir. Lembra-me aquelas pessoas que vemos todos os dias e que estranhamos caso no dia seguinte não estejam no local de sempre. Coates é tão acima da média que até nos pode levar a constatar duas coisas: que qualquer erro seu é desculpável e que tivemos sorte com a sua vinda para o Sporting e não ter saído mais. Um jogador como este Uruguaio, que tem como principal valia o controlo do espaço mas que se tem tornado eficaz na profundidade e no lançamento do jogo, precisa de ter um parceiro à altura. Se Mathieu for o destinado não me incomodo. Ultrapassada a questão física, acho que o Francês pode muito bem dedicar-se à assiduidade da posição. Sendo certo que a sua principal característica não é a criação de espaço ou as aventuras no terreno, tem por seu turno o predicado mestre que qualquer Central deve ter: a tendência para ser comandante no seu Habitat Natural. Depois há o estilo possante das abordagens, que conjugado com a disponibilidade física pode ser determinante para resolver os casos nevrálgicos. Feche-se este Dossier rezando para que estes dois se entendam, e as coisas em Aves até correram bem.

Coates é o patrão da defesa sportinguista Fonte: Sporting Clube de Portugal
Coates é o patrão da defesa sportinguista
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Tal como no exemplo do centro da defesa, caso as coisas também corram bem no lado esquerdo, podem estender a passadeira vermelha para o Mundial. Atingindo o nível que já nos deu a conhecer, Fábio Coentrão é o melhor a actuar na sua posição. Começando logo pelo conhecimento atacante, que está desde sempre na sua génese, Coentrão é exímio na difícil gestão que um Lateral tem de fazer. Nos jogos que fez ao serviço do Sporting, tanto na pré-época como nas Aves, deu para perceber que ainda não consegue dar tudo. Mas deixou as indicações. Continua a dominar o corredor, a aparecer no último terço adversário e a criar espaço para si e para os outros. Jogo para jogo, o ritmo sobe e a disponibilidade também. Boas notícias.

Para o quarteto estar preenchido, resta-nos olhar para o lado direito. A saída de Schelotto não era um dado adquirido no fim da época passada. A primeira escolha, ou a escolha possível, para o seu lugar veio de Espanha. Piccini não era um conhecido de todos, e os jogos de preparação foram mostrando, aos poucos, um jogador que tentou acima de tudo ser seguro. No primeiro teste a sério, vimos um lateral direito atento, principalmente na marcação, havendo vários lances em que a cobertura foi correctamente efectuada. Contudo ressalvem-se duas ideias: encontrando um extremo veloz, Piccini terá dificuldade em acompanhá-lo; ao mesmo tempo, esta característica de Piccini cria no lado direito Leonino, onde é vizinho de Gelson, um défice em relação com o lado esquerdo, onde actuam Coentrão e Acuña. Esta disparidade pode influenciar nas dinâmicas tácticas da equipa e, não tirando valor ao Italiano, creio que a contratação de Ristovski é o sintoma de que a busca pela defesa ideal ainda não terminou.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

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