Para mim, a equipa B de um clube de futebol tem dois principais objetivos: o primeiro é oferecer aos jogadores sem espaço na formação principal tempo de jogo e permitir que aumentem o seu ritmo competitivo; o segundo, e para mim mais importante, é o facto de esta servir de alavanca para a equipa A. Para que este último fator aconteça, é imperial que equipa A e B tenham as mesmas dinâmicas, de modo a preparar os atletas para uma eventual subida de patamar.

O Sporting CP B foi “repescado” esta temporada, e atua no Campeonato de Portugal. De momento, a formação treinada por Filipe Çelikkaya encontra-se no segundo lugar na Série G, posto que dá acesso à Terceira Liga, competição estreante na próxima temporada. Assumindo que o principal objetivo da equipa seria a subida direta à Segunda Liga, a verdade é que o CD Estrela está mais bem encaminhado. Porém, a promoção àquela que será a “elite” do Campeonato de Portugal é já um importante passo.

Atletas como Eduardo Quaresma, Rafael Camacho e Luiz Phellype são exemplos em como a equipa B é importante. Apesar de estes três jogadores terem atuado na segunda equipa por razões bem diferentes, a verdade é que esta se mostrou útil, pelo aumento do tempo e ritmo de jogo. Um caso que vai além desta questão é o de Gonzalo Plata. O extremo equatoriano não se adaptou bem às táticas de Amorim, pelo que tem atuado no Campeonato de Portugal, de modo a treinar dinâmicas e habituar-se à posição de extremo interior.

Podemos observar semelhanças no posicionamento tático de ambas as equipas. A equipa B leonina joga num 4-3-3, que a atacar se assemelha muito ao 3-4-3 de Ruben Amorim. Pegando no onze do último jogo, as dinâmicas, em grande parte das partidas, são as seguintes: Médio defensivo alinhado aos centrais na primeira fase de construção (Chico Lamba, Rodrigo Fernandes e João Ricciulli); Alas projetados a dar largura (João Oliveira e Mees de Witt), dois médios centros com predisposição defensiva e ofensiva (Bruno Paz e Tomás Silva), e os três da frente (Nuno Moreira, Elves Baldé e Luiz Phellype.).

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A principal diferença no processo ofensivo da equipa B é o papel de Rodrigo Fernandes. O jovem português, dos três jogadores da primeira fase de construção, é aquele que tem um papel mais preponderante com bola, atuando como uma espécie de líbero, onde varia entre defesa central e médio defensivo. Em sentido contrário, Coates é o central do meio na formação de Ruben Amorim, e é ele que dá o equilíbrio da linha defensiva, deixando o papel construtor para os dois parceiros.

A defender, as dinâmicas são, por vezes, distintas. O facto de a equipa B defender muitas vezes com uma linha de 4, com o médio defensivo um pouco à frente dos centrais, pode levar a que no momento defensivo, os atletas não estejam tão preparados para subir à primeira equipa. Por outro lado, com a organização ofensiva bem mais semelhante, é um indício de que o trabalho, nesse sentido, está a ser feito de forma correta.

Apesar de achar importante que o Sporting B consiga chegar e manter-se na Segunda Liga pela questão da competitividade. Encaro a equipa B como o futebol de formação: é mais importante consolidar ideias e formar jogadores do que conquistar vitórias ou até mesmo troféus. É óbvio que nem todos os atletas da segunda equipa vão dar o salto para a A. Porém, aqueles que tiverem essa oportunidade, com certeza que vão mais bem preparados e já habituados ao jogo de Ruben Amorim, sobretudo no que toca às dinâmicas ofensivas.

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