Sporting 8-1 Alba: Golealba do respeito e da maturidade

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Escolhi díficil. O fácil é de todos

Às vezes há jogos de um só sentido em que pouco ou nada há a dizer. Mas não é o caso. A notícia, ensina-se nas primeiras aulas dos cursos de jornalismo e comunicação social, apresenta conteúdos de excepção e novidade. Colocar frente a uma equipa de divisões distritais a seriedade e empenho em doses equivalentes àquelas que têm vindo a ser mostradas no campeonato é, cada vez mais, algo raro e, portanto, uma novidade.

Ao contrário daquilo que Benfica e Porto haviam feito, o Sporting deu ao Alba o respeito que qualquer equipa merece. Foram oito mas poderiam ter sido mais, não fosse a boa exibição do guardião adversário e a mudança táctica aquando da entrada de Slimani. O respeito, que referi, espelha-se através da maturidade que Leonardo Jardim implementou no 11 titular. Querer mais não é sinónimo de arrogância nem do desejo de humilhação, mas antes de seriedade que se tem tanto pelo Alba como pelo Porto, por exemplo.

Mas há escolhas passíveis de ser discutidas. À partida, defendo-me de qualquer má interpretação: não pretendo colocar em causa nem contestar o que passarei a referir, mas antes levantar ideias para discussão. Eric Dier, jovem central que era tido como uma das promessas da academia leonina, não mereceria esta oportunidade? Jogou na selecção sub-21 de Inglaterra mas, por exemplo, também Rojo o fez pela Argentina. Rojo, aliás, tem sido pedra fulcral na equipa de Alvalade e terá, por certo, maior desgaste acumulado do que o jovem inglês. Já Gerson Magrão, colocado a lateral esquerdo, pareceu-me uma aposta inteligente do técnico madeirense. Em jogo facilmente controlado, testa-se um lateral adaptado na altura em que Jefferson passa por lesão e, portanto, existe uma vaga entre-aberta na equipa. Digo entre-aberta porque Piris esteve seguro e mostrou uma intensidade de jogo surpreendente para quem teve tão poucos minutos até ao momento.

No meio campo, Vítor mostrou a classe exibida no Paços mas a que havia faltado oportunidade para demonstrar nos leões. Rinaudo continua como sempre: aguerrido, intenso, mas demasiado longe de colmatar um William paradoxalmente experiente e inteligente. Adrien saiu tocado mas, em princípio, não terá dificuldades em recuperar para o Dragão. Essa foi, já agora, uma questão que certamente ocorreu a variados sportinguistas. Não estaria Leonardo Jardim a arriscar demais ao colocar seis habituais titulares perante um adversário tão vulnerável? A questão do respeito pelo adversário coloca-se, sobretudo, na mentalidade e intensidade com que o 11, seja ele qual for, aborda o encontro.

Na frente, Montero soma e segue. Mais um hattrick, uma assistência e participação fundamental em outros dois golos. No total, em jogos oficiais, o Colombiano já leva 12 na sua conta pessoal. Slimani, por seu lado, estreou-se a marcar e mostrou que poderia, também ele, ter sido uma opção para começar o jogo desta noite. Wilson Eduardo também voltou a marcar e Carrillo vai ganhando o seu espaço com uma regularidade exibicional de que há tanto a massa associativa espera. Capel regressou de lesão com uma excelente finalização que valeu um golo na sua primeira intervenção no jogo e ameaça a posição dos actuais titulares, como é preciso em qualquer equipa competitiva.

Nota ainda para a alteração no esquema táctico – no minuto 68 – em que Carrillo deu lugar a Slimani e o Sporting passou a jogar em 4x4x2, em vez do 4x3x3 que tem sido adoptado. A partir daí surgiram dificuldades ou, pelo menos, um entrosamento menor que estancou a fluidez apresentada até então. A aposta, contudo, é bem feita visto que o encontro estava ganho e os diferentes desenhos tácticos devem ser tão colocados em prática quanto o possível de forma a ganharem as rotinas necessárias. Para já, verifica-se que o 4x4x2 ainda não é uma alternativa viável e, mesmo quando em desvantagem, o Sporting dificilmente ganhará em jogar com dois avançados na frente. A passagem de três para dois no meio-campo abre espaços que os médios leoninos ainda não sabem como ocupar e, a partir daí, o sector intermediário desmorona todo o restante equilíbrio que para já tem estado presente nas exibições do Sporting.

Para a semana, no Domingo, há jogo grande com a visita ao Estádio do Dragão. Até lá, sensação de missão cumprida. Missão fácil mas que já todos vimos tornar-se complicada quando há qualidade mas falta maturidade. Hoje não faltou.

P:S: Eric Dier não jogou, afinal, porque está ainda a recuperar de uma virose gripal. Fica respondida a questão levantada quanto à sua ausência com uma razão que desconhecia quando escrevi o artigo.

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