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Prefiro sempre acreditar.  Quando uma revista de suposta reputação coloca o nosso treinador em décimo lugar da tabela Mundial eu acredito. Acredito com a mesma força com que ainda acreditava na última jornada em Braga. Outro exemplo: mesmo nas épocas em que, a meio do campeonato, já estávamos a vários pontos eu também acreditava. Um fanático acredita sempre: eis uma regra.

Há uns meses escrevi que ser Sportinguista, hoje, não é uma tarefa fácil, sendo, por isso, digna para muito poucos. Tenho um vizinho que gosta tanto do Balakov e do Acosta como da própria mulher. Quando me encontra no prédio, diz-me sempre que antigamente é que era. Repete sempre as mesmas demandas: a história do célebre golo que a estrela Búlgara marcou ao Benfica e, depois, a primeira época despercebida do Argentino, seguindo-se a história que se sabe na época do milénio. Nesse texto, há meses atrás, salientei também a sorte dos sportinguistas que, em plena constituição cerebral capaz de adquirir e registar, puderam guardar na memória o sabor de ter duas vitórias em dois campeonatos quase seguidos. Devo frisar que não trocava de lugar com o meu vizinho, servindo-me bem esta ansiedade que se redobra a cada época, sempre na certeza de que, mais tarde ou mais cedo, vou ver o sucessor do Iordanov a pedir licença ao Marquês de Pombal enquanto lhe mexe no pescoço.

Uma das eternas figuras no reino do Leão Fonte: Fórum SCP
Uma das eternas figuras no reino do Leão
Fonte: Fórum SCP

Isto é apenas uma forma de, chegando até aqui, voltar a escrever: eu acredito. Parece um slogan batido, uma expressão romântica, um prenúncio de epopeia. Mas é tudo aquilo que digo quando me pedem expectativas sobre aquilo que vai começar para o mês que vem. Eu acredito. E, se noutros anos a esperança era menos sustentada, este ano o argumentário é forte. Como se não bastasse ter a espinha dorsal da melhor equipa da Europa (para não doer tanto aos cépticos, vamos poupar a história da formação em geral), temos também o décimo melhor treinador do Mundo, que conseguiu esta proeza não sendo campeão. Imaginemos caso tivesse sido. Realçou a revista, como critérios, que Jorge Jesus fora capaz de bater recordes no Sporting, de atingir uma pontuação considerável e de ter sido preponderante na final afirmação de alguns dos melhores jogadores portugueses da actualidade. Aqui está um dos elementos que, sportinguistas, bem nos pode deixar com as costas quentes.