FC Barcelona 2-0 Sporting CP: O adeus mais digno

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sporting cp cabeçalho 1O Sporting entrou em Camp Nou para o derradeiro jogo da fase de grupos da Liga Milionária com um onze titular entendível na pretensão mas inesperado. Dependendo a ambição de uma vitória, inverter a tendência de domínio do Barcelona seria parte integral da estratégia, adiando sempre o primeiro golo catalão. A aposta em Alan Ruiz, pouco utilizado no passado recente, denunciou a necessidade de ocupação táctica no sector intermédio, tal como a velocidade de Ristovski procurou a longitude no procedimento atacante. O plano para esta difícil missão definiu-se ainda com a combinação entre Acuña e Bruno César, num complexo jogo de coberturas. No lado oposto, o temível génio que faz alterar estratégia ficou no banco de suplentes. Jorge Jesus previa bem.

A primeira parte cumpriu-se com a manobra de contensão da equipa leonina, equilibrando a difícil tarefa defensiva com os procedimentos de desenvolvimento do ataque, que aconteceram em função do posicionamento da primeira linha blaugrana. Atendendo à necessidade de limitar a produção ofensiva do Barcelona, a pressão no seu primeiro sector e o bloqueio do corredor central foram fundamentais, primeiro fechando as linhas de passe, depois controlando a entrada da bola em profundidade, num grande trabalho de envolvimento táctico do meio-campo leonino.

Embora tenha pertencido ao Gigante Europeu a maioria da iniciativa atacante, a concentração do jogo leonino deve elevar-se nesta análise, destacando o papel de Ristovski e Acuña, que num jogo exigente souberam defender eficazmente e esticar o posicionamento táctico do Sporting em campo. Nunca perdendo as noções prioritárias para segurar o jogo, a primeira parte marcou-se também pelo excelente trabalho de Bruno Fernandes, que ficou com a competência de motorizar o plano ofensivo do Sporting com a tentativa de subida em bloco perante um adversário possante na marcação no núcleo do terreno. O intervalo chegou com a missão cumprida: diminuir o Barcelona e adiar qualquer decisão. E se num ou noutro momento tivesse sido questionável a ausência de Gelson e Bas Dost, o tempo provou que a estratégia poderia ser esta.

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

A segunda parte chegou com a aproximação ao esquema habitual de Jorge Jesus. Com mais 45 minutos pela frente, o Sporting reforçava o jogo lateral, a disposição longitudinal no terreno e a presença na área adversária. Foi com naturalidade que a disponibilidade ofensiva do Sporting aumentou, denotando-se, porém, as consequências da exigência da primeira parte na qualidade física de alguns jogadores. Num fluxo ofensivo do Barcelona, o golo inaugural chegaria através de um pontapé-de-canto. E embora possa ser questionável a eficácia da marcação defensiva em bola parada, sofrer um golo por esta via não se compara às hipotéticas falhas provenientes do normal desenvolvimento táctico e da construção do jogo – regras em que o Sporting continuava a ser exímio até então. O golo sofrido, contudo, não diminuiu a qualidade de jogo da equipa leonina, que continuou, agora com mais profundidade lateral, a procurar marcar em Camp Nou, chegando a estar perto com um lance onde Bas Dost foi protagonista.

A entrada em campo de Messi obrigou a evidente alteração táctica do Sporting, ficando Battaglia, à imagem do desafio de Alvalade, com a responsabilidade de acompanhar os seus movimentos, marcando à frente para fechar a linha, e marcando atrás para condicionar a magia. Mas ter Messi significa isso: ter mais posse, mais iniciativa e mais pressão na última linha. Mas é devido a jogos, por exemplo, como o que Piccini fez, que qualquer equipa humilde se pode sustentar de forma digna. As iniciativas atacantes ainda foram surgindo, embora inconsequentes. Por seu turno, o Barcelona só dobrou o resultado num lance infeliz de Mathieu. Muita dignidade na despedida do Sporting da Champions, num jogo em que a estratégia de Jorge Jesus resultou sem resultar, fazendo relembrar que no futebol há coisas que não se controlam.

 

Ricardo Gonçalves
Ricardo Gonçalves
Como uma célebre música diria, "eu tenho dois amores", com o desporto e a comunicação a ocuparem 50/50 do seu coração. Entusiasta confesso daquilo que é a alegria do futebol, promete transmitir-vos através de palavras as emoções que se sentem durante os 90 minutos (e além disso). Escreve sem acordo ortográfico

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