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FC Barcelona 2-0 Sporting CP: O adeus mais digno

Ricardo Gonçalves · 3 min

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sporting cp cabeçalho 1O Sporting entrou em Camp Nou para o derradeiro jogo da fase de grupos da Liga Milionária com um onze titular entendível na pretensão mas inesperado. Dependendo a ambição de uma vitória, inverter a tendência de domínio do Barcelona seria parte integral da estratégia, adiando sempre o primeiro golo catalão. A aposta em Alan Ruiz, pouco utilizado no passado recente, denunciou a necessidade de ocupação táctica no sector intermédio, tal como a velocidade de Ristovski procurou a longitude no procedimento atacante. O plano para esta difícil missão definiu-se ainda com a combinação entre Acuña e Bruno César, num complexo jogo de coberturas. No lado oposto, o temível génio que faz alterar estratégia ficou no banco de suplentes. Jorge Jesus previa bem.

A primeira parte cumpriu-se com a manobra de contensão da equipa leonina, equilibrando a difícil tarefa defensiva com os procedimentos de desenvolvimento do ataque, que aconteceram em função do posicionamento da primeira linha blaugrana. Atendendo à necessidade de limitar a produção ofensiva do Barcelona, a pressão no seu primeiro sector e o bloqueio do corredor central foram fundamentais, primeiro fechando as linhas de passe, depois controlando a entrada da bola em profundidade, num grande trabalho de envolvimento táctico do meio-campo leonino.

Embora tenha pertencido ao Gigante Europeu a maioria da iniciativa atacante, a concentração do jogo leonino deve elevar-se nesta análise, destacando o papel de Ristovski e Acuña, que num jogo exigente souberam defender eficazmente e esticar o posicionamento táctico do Sporting em campo. Nunca perdendo as noções prioritárias para segurar o jogo, a primeira parte marcou-se também pelo excelente trabalho de Bruno Fernandes, que ficou com a competência de motorizar o plano ofensivo do Sporting com a tentativa de subida em bloco perante um adversário possante na marcação no núcleo do terreno. O intervalo chegou com a missão cumprida: diminuir o Barcelona e adiar qualquer decisão. E se num ou noutro momento tivesse sido questionável a ausência de Gelson e Bas Dost, o tempo provou que a estratégia poderia ser esta.

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

A segunda parte chegou com a aproximação ao esquema habitual de Jorge Jesus. Com mais 45 minutos pela frente, o Sporting reforçava o jogo lateral, a disposição longitudinal no terreno e a presença na área adversária. Foi com naturalidade que a disponibilidade ofensiva do Sporting aumentou, denotando-se, porém, as consequências da exigência da primeira parte na qualidade física de alguns jogadores. Num fluxo ofensivo do Barcelona, o golo inaugural chegaria através de um pontapé-de-canto. E embora possa ser questionável a eficácia da marcação defensiva em bola parada, sofrer um golo por esta via não se compara às hipotéticas falhas provenientes do normal desenvolvimento táctico e da construção do jogo – regras em que o Sporting continuava a ser exímio até então. O golo sofrido, contudo, não diminuiu a qualidade de jogo da equipa leonina, que continuou, agora com mais profundidade lateral, a procurar marcar em Camp Nou, chegando a estar perto com um lance onde Bas Dost foi protagonista.

A entrada em campo de Messi obrigou a evidente alteração táctica do Sporting, ficando Battaglia, à imagem do desafio de Alvalade, com a responsabilidade de acompanhar os seus movimentos, marcando à frente para fechar a linha, e marcando atrás para condicionar a magia. Mas ter Messi significa isso: ter mais posse, mais iniciativa e mais pressão na última linha. Mas é devido a jogos, por exemplo, como o que Piccini fez, que qualquer equipa humilde se pode sustentar de forma digna. As iniciativas atacantes ainda foram surgindo, embora inconsequentes. Por seu turno, o Barcelona só dobrou o resultado num lance infeliz de Mathieu. Muita dignidade na despedida do Sporting da Champions, num jogo em que a estratégia de Jorge Jesus resultou sem resultar, fazendo relembrar que no futebol há coisas que não se controlam.

 

A FIGURA:

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

Sporting – Só uma grande equipa, orientada por um grande treinador e constituída por jogadores de excelência consegue fazer um percurso digno num grupo exigente. O jogo de hoje comprova em síntese tudo isto. Uma grande exibição que em muito honra o futebol Português.

O FORA-DE-JOGO:

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

Alan Ruiz – Embora a sua tarefa fosse difícil, conjugando-a também com a sua falta de ritmo, Alan Ruiz foi impotente perante a dificuldade do jogo. A pouca agressividade condicionou a produção e a presença em jogo não se denotou. Aliás: das poucas vezes que apareceu foi para protagonizar uma lance faltoso de gravidade alta.

Foto de Capa: UEFA

Ricardo Gonçalves

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