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Formação de Alcochete | Do oito ao oitenta, graças à Alquimia

Nuno Almeida · 3 min

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Temos tido, nos últimos anos, uma mudança de paradigma no que toca à formação de jogadores de futebol em Portugal. Quando há uns anos se falava de jovens jogadores portugueses, vinha sempre à baila o nome do Sporting CP, de Alvalade, de Alcochete. E, aliás, ainda há pouco tempo, isso reflectia-se, e reflectiu, na seleção portuguesa que ganhou o primeiro campeonato europeu.

No entanto, o cenário mudou. Ultimamente, o Sporting CP tem vindo a ser ultrapassado em competência e qualidade no que toca à formação, principalmente porque se começou a apostar em comprar talento em vez de o desenvolver. O problema é que, com esta política, a competência fugiu para o rival do outro lado da Segunda Circular, o que nos fez perder terreno no campo de prospecção de talento, deixando que os nossos rivais chegassem mais cedo aos jovens promissores.

Pelo menos é nisto que passámos a acreditar, depois de começarmos a ver que os “meninos de ouro” saem apenas dos rivais. Além disso, podemos olhar também para os resultados que os juniores e que a equipa sub-23 têm vindo a apresentar. No entanto, nas últimas semanas, parece ter-se aberto em Alcochete a porta de uma mina de ouro.

Se há uns meses/semanas até a qualidade dos colchões de Alcochete servia de desculpa para explicar a menor qualidade formativa, de há uns dias para cá não param de surgir “tubarões” interessados nos nossos “meninos de lata”.

Isto talvez se deva ao facto de termos aberto Alvalade ao Alquimista do futebol, que consegue vender até qualquer garoto de palmo e meio de qualidade, desde que entre no seu carrossel de influência.

Alcochete
Há vários jovens que se estão a aproximar da equipa principal
Foto: Sporting CP

Se não, vejamos. A formação, que não apresenta competência nem qualidade e de onde já não sai talento há anos (quando surge esta narrativa, todos esquecemos a tal equipa nacional que ganhou um europeu com quatro jogadores dos quadros do Sporting CP, quer gostemos ou não), tem, de repente, nos seus quadros Eduardo Quaresma e aquele que “vai pagar o treinador do Sporting”, e tem AC Milan e Atlético de Madrid loucos por comprá-lo. Tem Nuno Mendes, jogador que Liverpool não larga. E mesmo Palhinha, que não serve para substituir Borja ou Eduardo, já está a caminho de Inglaterra. Não esquecer também Domingos Duarte, que está a jogar regularmente numa das equipas sensação do campeonato espanhol, e Demiral, que se começa a afirmar no campeão italiano. Até Bruno Paz, que, apesar de ser um jogador de muita qualidade, passou a maior parte da última temporada lesionado, tem interessados em Inglaterra. Por acaso, o clube interessado faz parte do carrossel do mágico que tem agora acesso a Alcochete. Mais uma coincidência.

O que é que todos estes jogadores têm em comum? Nenhum deles servia para o Sporting CP, pelo menos até agora. Inclusive, não davam retorno financeiro ao clube. E mesmo os que ainda estão a ser falados para sair deverão fazê-lo pelo preço de tabela do Alquimista já falado neste texto. O que daqui podemos concluir é que há qualidade onde o Alquimista consegue tocar. O problema maior desse artista/mágico é que a maior parte do “material” que ele consegue “transformar” em “Ouro” fica para ele. Os clubes não passam de veículos para que ele possa aplicar a sua arte.

Assim sendo, e agora que o deixámos entrar na nossa Academia, já podemos estar confiantes quanto à qualidade da nossa formação, tendo a certeza de que iremos conseguir vender os nossos jovens por, no mínimo, 15 milhões. Ou então, talvez, a qualidade sempre lá esteve, mas nós é que nos deixámos levar, mais uma vez, pela oratória de algumas entidades “opinion makers” e pela comparação com outra academia, cujas vendas ao quilo nos turvavam a visão. Não se esqueçam. A qualidade de um jogador não se mede pelos milhões com que são negociados, mas pela quantidade de lances decisivos que consegue mostrar em campo.

Ah, para terminar, e para reforçar esta teoria dos 15 milhões, não esqueçam de que alguns dos jovens de Alcochete estão em fim de contrato. Por isso, ou vendem pelo preço que o alquimista quer, ou saem a custo zero.

Pelo menos agora podemos ter a certeza de que continuamos a ter uma das melhores formações do mundo, mesmo que tenham andado a dormir durante anos em colchões de palha, palha essa que nos andam a tentar dar a comer. E parece estar a resultar.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Mariana Plácido

Nuno Almeida

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