Não é oito nem oitenta, tem sido mesmo depois dos noventa. Quando se analisa os jogos do Sporting, encontramos uma estranha sensação que esta equipa está presa por arames, parecida ao estado de Coentrão quando chegou a Alvalade.

Mas ao que se deve este impacto medonho que paira no ar? É como uma sensação gástrica de ter vontade de ir à casa de banho e não conseguir fazer nada. É, realmente, necessitar de um clister para derrubar este inchaço no estômago. O período de compensação tem sido o clister que tem vindo a colocar esta equipa na luta. Não aceito que o desgaste físico seja encarado como uma forma de justificar a fraca qualidade dos últimos jogos.

É em Manchester, nomeadamente no City, que podemos olhar minuciosamente para o trabalho realizado por Pep Guardiola. O seu plantel não é vasto, os jogadores são sobrecarregados com partidas atrás de partidas e a qualidade está lá, sempre presente.

Além dos aspetos físicos, é perceptível que existe um ótimo trabalho motivacional nos seus atletas. A forma psíquica como é encarada cada partida deveria servir de exemplo para todos. A primeira lição a retirar deste exemplo é a forma como é feita a gestão de um plantel. E que gestão tem feito, Jorge Jesus? Como a podemos avaliar? Podíamos equiparar o cabelo de Ruben Ribeiro como exemplo ruinoso desta gestão.

Mas pegarmos nos últimos dois jogos da equipa leonina é suficiente para percebermos que JJ tem esta dificuldade bem patente; já era assim enquanto treinador do SL Benfica. Depois de uma vitória convincente em Astana e com dois golos de vantagem, Jorge Jesus abdicou de preservar alguns atletas para a competição mais importante: o campeonato.

 

Mais um golo em fase de compensação, mais três pontos
Fonte: Sporting CP

Jogou com Bas Dost e, mesmo depois de estar a vencer o Astana por 3-1, não lhe passou pela cabeça substituir o único avançado letal que dispõe?! Bruno Fernandes, depois do terceiro golo, poderia ter ido descansar, enquanto outros jogadores, como por exemplo Battaglia, entram e saem do onze titular sem se entender o motivo.

Sem William, Coentrão, Mathieu, Bas Dost, Piccini e Ristovski, o treinador verde e branco foi obrigado a mudar, radicalmente, a equipa frente ao último classificado da Liga. As dificuldades estiveram bem presentes e se os reforços deveriam ter trazido mais qualidade e soluções ao treinador isso não aconteceu.

Wendel custou dez milhões aos cofres do Sporting e ainda não dispôs de uma oportunidade. Não se consegue perceber como é que um jogador, rotulado de craque, ainda não teve direito a realizar um minuto numa fase em que existe um avultado número de jogos consecutivos. Montero e Rúben Ribeiro não acrescentaram nada, rigorosamente nada, ao Sporting. Por sua vez, e como referido num artigo anterior, Rafael Leão é o jogador com mais capacidade para desequilibrar que qualquer outra contratação. É um jovem com uma enorme margem de progressão e com capacidade para se tornar no melhor reforço de inverno.

Enquanto o Ferrari demora a arrancar, surge o jogo crucial da época e para aspirações de todo o universo Sportinguista. Os leões deslocam-se a casa do líder para decidir se relançam ou ficam fora da luta pelo título. O FC Porto parte em vantagem, não só por jogar em casa, como também pela qualidade que tem vindo a demonstrar nos últimos jogos.

Se Bas Dost e Gelson Martins estão fora do clássico, Danilo, Aboubakar e, provavelmente, Alex Telles e Tiquinho Soares também estarão fora. Jogue quem jogar, o futuro decide-se a norte,  onde Jorge Jesus se ajoelhou uma vez e saiu glorioso em outras tantas situações.

Deste clássico, só a vitória interessa e se for preciso um clister, que seja usado como um magnífico proveito de trazer os três pontos dentro da bagagem. Para já, fica um palpite para o onze que vai assaltar o Dragão:

 

Fonte: Bola na Rede

 

Foto de Capa: Sporting Tático

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

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