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Uma noite da qual ninguém se orgulha, mas uma Guerra que teve que ser travada. Esta é a real conclusão a que chego após o programa Prolongamento na noite de ontem; se o nível taberneiro de certas alturas do programa por vezes me deu calafrios e me fez pensar que Bruno de Carvalho não deveria sequer estar presente naquele estúdio, a verdade é que há batalhas que se lutam no terreno adversário, numa pocilga lamacenta de inverdades e resmas de papéis. E quem melhor do que o próprio presidente para resolver duma vez por todas um caso grave de mentiras compulsivas e bajulação?

A noite até começou calma, com explicações coerentes e conversas antigas – que muita gente continua a não querer ouvir – por parte de BdC. Reiterou novamente o apoio à introdução das novas tecnologias na arbitragem, explicou o castigo após a expulsão no Bessa e a sua decisão em não estar presente em Alvalade na goleada do passado Domingo. Neste momento, tudo não passava duma Guerra fria, amorfa e sem sal, algo que viria a mudar com o primeiro tema quente, a não renovação de Carrillo.

O líder leonino fez o que lhe competia, voltou a demonstrar a falta de vontade do jogador peruano em renovar com o Sporting, o que por si só não seria grave, uma vez que cada jogador é livre de procurar o melhor para o seu futuro, a parte que dá que pensar e que torna este assunto rocambolesco é o peso que agentes e fundos de investimento têm na mesma. Quando um agente, ligado a um fundo, filtra propostas e não permite que o Sporting consiga renovar com um jogador, é algo que verdadeiramente me revolta e que me leva a crer que o futebol é mesmo um mundo que devia ser investigado a fundo, quem sabe pelo Football Leaks…

Foi por esta altura que entrou em cena Guerra, o Paladino da Luz, que afirmou respeitar a instituição do Sporting no momento para depois a insultar durante uma hora e meia de programa. E no lançamento da primeira pedra, primeiro ponto de set para BdC. O comentador afirmou que Bruno de Carvalho não tem ainda o estofo necessário para liderar um clube como o Sporting, afirmando que o caso Carrillo é um exemplo claro de má gestão leonina, referindo que deveria ter sido um caso prioritário e acabando por dar o caso Maxi Pereira como exemplo. A questão que se levanta é a seguinte: O que andou LFV a fazer durante anos para deixar fugir o capitão Maxi para o dragão? Será que o uruguaio não deveria ser prioritário também? Maxi não era um líder no balneário? E se, com a confirmação que o jogador iria abandonar a Luz rumo a um rival, ainda assim era titular absoluto nos encarnados, quem mandava realmente no Benfica? Luís Filipe Vieira, a “estrutura” ou Jorge Jesus?

Bruno de Carvalho conseguiu fazer com Jesus o que LFV nunca fez Fonte: Facebook Oficial do Sporting.
Bruno de Carvalho conseguiu fazer com Jesus o que LFV nunca fez
Fonte: Facebook Oficial do Sporting.
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Guerra refugiava-se atrás de uma pilha de papéis de fazer inveja à Torre do Tombo, e esperava-se o momento em que iria tirar da cartola os documentos que tanto referiu ao longo dos últimos meses; confesso que estava desejoso de ver uma folha com as mensagens de Jesus aos jogadores do Benfica. No entanto, a montanha pariu um rato, porque o antigo jogador do Damaiense não conseguiu trazer para o “jogo” um único documento, minuta ou mísero printscreen que colocasse em xeque o presidente do Sporting. A utilização da técnica de Guerr(ilh)a por parte de BdC, mostrando variada documentação sobre os casos Cervi e Mitroglou foram mais um tiro no pesado porta-aviões de Fernando Santos, perdão Pedro Guerra, que se limitou a afirmar que o recurso a imagens e papéis era um “exercício de desonestidade e uma técnica que conhece bem”. Pudera Pedro, pudera…

O antigo jornalista do Independente, continuava sem mostrar os seus trunfos, certamente esperando a melhor altura para dar uma estocada “mortal” em Bruno de Carvalho e optando por usar argumentos que me fizeram relembrar o “saudoso” Godinho Lopes em 2011, falando sobre o passado de gestor de BdC para dar razão à Doyen, continuando assim o rumo de desorientação e incongruências que confesso me deixaram desapontado. Assim como os parcos argumentos que Pedro Santos Guerra teve para explicar o clube Brasa F.C., ao qual o Benfica deve dinheiro. E é aqui que aproveito para fazer uma pequena achega.. Senhor Pedro, obrigado por saber todas as dívidas que o Sporting possui no momento, assim como se preocupar com os Sportinguistas e com o dinheiro pessoal de Godinho Lopes, contudo peço-lhe que não deixe de fazer o mesmo exercício ao seu clube, pois a uma instituição como o Benfica não fica bem dever dinheiro; ainda para mais a clubes fantasmas, capazes de assombrar o seu clube como se tratasse duma maldição de Béla Guttman. Faça-o por favor, para bem de “milhões” de portugueses.

Também o caso Football Leaks foi trazido a esta discussão em que Manuel Serrão e Eduardo Barroso eram meros espectadores. Bruno de Carvalho foi de poucas palavras, enumerando apenas algumas datas e enunciando a ligação entre este site e o jornal desportivo Record, assim como afirmando que não estranharia o lançamento de mais documentos sobre o Sporting e a ausência de documentação do clube da Luz, acabando por esclarecer que a Polícia Judiciária já estaria a tratar do caso. Até que chegou o momento que todos esperavam, finalmente no meio dos papéis saía algum tema novo e inesperado. Uma caixa negra de Pandora que decidiu a contenda e que quase levou às lágrimas o derrotado… Pedro Guerra.

Bruno de Carvalho usou uma arma de destruição maciça, usando uma caixa que a direcção benfiquista oferece às equipas de arbitragem e com oferendas que vão desde camisolas de Eusébio até jantares com valores a rondar os três ou quatro dígitos. Perante a detonação de tal bomba, e de certo afectado com as ondas de choque, Pedro Fernando Guerra fica emocionado e sem capacidade de reacção, apenas conseguindo invocar o passado glorioso do jogador do Benfica sem nunca reagir ou opinando como é que um clube de futebol gasta centenas de milhares de euros em jantares a árbitros de futebol, mas de certo que a resposta estaria numa folha daquele castelo de papel.

Bruno de Carvalho fez o que lhe competia e deixou Pedro Guerra sem argumentos Fonte: TVI
Bruno de Carvalho fez o que lhe competia e deixou Pedro Guerra sem argumentos
Fonte: TVI

Pessoalmente, não gosto da presença do meu Presidente num debate tão rasteiro e sem qualidade como este, mas ser líder é também isto, enfrentar todos os desafios por mais sujos que sejam e não deixar que sejam outros a defender a nossa honra e as nossas responsabilidades. Bruno de Carvalho esteve bastante assertivo e coerente ao longo do programa, respondendo e elucidando quem quis realmente ouvir o que havia a ser dito e colocando na linha e no seu lugar alguém que representa mal e porcamente um clube com a dimensão do rival Benfica. Mas o verdadeiro golpe de génio por de trás desta presença do líder Sportinguista no programa não foi tanto a vitória por KO sobre Fernando Guerra mas algo muito mais subtil. BdC conseguiu tirar o foco de atenção de Jorge Jesus e da equipa de futebol leonina, que assim consegue preparar o derby de dia 25 com uma maior tranquilidade e sem pressões duma comunicação social constrangida por certos poderes.

Nada mau para um presidente tão “verde”, hein?

 Fonte da foto de Capa: Facebook Oficial do Sporting

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