Recentemente li uma frase colocada em Alvalade pela claque Torcida Verde “Aprende a amar o clube que tens agora antes que o tempo te ensine a amar o clube que perdeste” e essa frase fez-me pensar, dia após dia, semana após semana. E hoje escrevo este texto, um pouco fora daqueles que habitualmente escrevo, pois penso que seja necessário – e de forma urgente – parar para pensar e para refletir.

Refletir sobre factos e escrever sobre os mesmos. O que se passa no nosso clube é gravíssimo e cada vez mais me faz confusão perceber, ver e sentir que está tudo bem – ou que pelo menos aparenta estar. Num contexto bem diferente em que o clube estava de longe bem melhor do que está atualmente, eram constantes as capas de jornais, as horas a fio nas televisões, faziam-se manifestações, enfim.

Um pouco de tudo que se possa imaginar para destruir o Sporting CP e a verdade é que isso foi feito, com que propósito não sei. Mas a verdade é que o Sporting CP neste momento se encontra fragilizado, sem rumo, sem liderança, dividido e sem competência, sobretudo quando comparado com o período que se viveu entre 2013 e 2018, onde durante cinco anos o clube se demonstrou vigorizado, com uma força nova e jovem, com uma militância enorme e com momentos e sentimentos que outrora ousamos sentir e presenciar, sobretudo para os adeptos mais jovens.

O Sporting CP passou de discutir jogos cara a cara contra Juventus FC, Real Madrid CF, FC Barcelona, Chelsea FC, Borussia Dortmund – entre outras – para voltar a ter dificuldades em defrontar equipas como o FC Famalicão, SC Braga, Rio Ave FC e para voltar a ser humilhado constantemente pelos eternos rivais SL Benfica e FC Porto. Uma direção que prometeu e usou como grande slogan o “Unir o Sporting” só se pode ver que falhou em larga escala.

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Enquanto que no passado as claques voltaram a ser juntas e unidas na curva sul, a presente direção, não só comprou uma guerra com as mesmas, como fez com que o ambiente em Alvalade deixasse de ser motivador e por sua vez de maior pressão para os adversários, para passar a ser um estádio onde todos se sentem bem e onde jogam sem medo, tal é o ambiente amorfo e cinzento que se faz sentir. Frederico Varandas é perito em bater recordes, o facto de ser apenas recordes negativos é apenas um mero detalhe, não se deixem enganar. O atual presidente do conselho diretivo, afirmou ter estratégias e perceber imenso de futebol, onde o futebol é fácil e onde iria ter uma equipa campeã e vencedora. Ora passemos a alguns factos:

1 – Pior assistência na Liga com perto de 13 mil adeptos no jogo diante do Marítimo;

2- Pior pré-época de que há memória;

3- Eliminados da Taça por uma equipa da terceira divisão portuguesa;

4- Onze anos depois, FC Porto volta a vencer em Alvalade;

5- Ao final da primeira volta, o Sporting CP encontra-se a 19 pontos do primeiro classificado. Neste momento, já são 22 pontos;

6- Incapacidade de comunicação e liderança;

7- Falha na militância (baixas assistências, pouco merchandising);

8 – Negócios e parcerias que nunca foram explicadas (Wang é um exemplo disso).

São apenas alguns exemplos, mas acreditem, existem muitos mais. E a verdade é que o Sporting CP garantiu até agora cerca de 200M€ apenas nos jogadores que foram transferidos. Independentemente de o dinheiro não entrar todo nos cofres leoninos, não nos podemos esquecer de que também já foram antecipados vários milhões do contrato com a NOS e ainda foi feito um negócio com a Apollo com valores a rondar os 65M€ de euros. É muito dinheiro, mas a atual direção afirma constantemente que foi deixado uma herança pesada por parte da anterior direção e eu questiono agora onde está essa herança? Essa herança só aparece nos momentos das derrotas, pois Frederico Varandas quando vence é tudo por mérito seu e quando perde é sempre por culpa de outros. É muito dinheiro que me questiono onde irá parar, já para não falar de que as comissões a agentes começaram a surgir novamente.

A contestação à direção leonina continua
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Na anterior direção pelo menos o pavilhão foi prometido e foi construído. O clube era feito para os sócios e de pessoas que serviam o Sporting CP e não se serviram do Sporting CP. Fazendo uma pesquisa é possível ver que Bruno de Carvalho recebia cerca de 10 mil euros mensais, tudo aprovado em AG e pelos sócios. Frederico Varandas afirma, como já referi, não existir dinheiro, no entanto, a proposta que é visível em qualquer pesquisa feita na internet é de que iria receber cerca de 20 mil euros por mês, que poderiam chegar aos 273 mil euros por ano, enquanto Bruno de Carvalho se ficava pelos 147 mil euros.

A atual direção revela cada mais uma enorme falha de competência para liderar um clube tão grande e com a história do Sporting CP. Promessas que ficam por cumprir, uma estratégia e um rumo completamente desconhecido e sem qualquer fundamento. Se Frederico Varandas a cada dia que passa demonstra ser incompetente na sua função, poderia, pelo menos, estar rodeado por uma equipa mais competente, mas a verdade é que não se aproveita um único elemento seja staff, seja na SAD, seja em que vertente for. Uma falha enorme no scouting, na preparação da época, nas contratações e nas vendas.

É uma herança pesada por um presidente completamente perdido que se junta a uma memória curta dos sócios sportinguistas que pretendem esquecer e apagar do passado e da história uma direção que fez de tudo para lutar contra o sistema, contra os rivais e contra a constante humilhação que se vive atualmente. O Sporting CP não iria ser mais motivo de chacota, mas é, todos os dias. O Sporting CP iria estar forte e está com mais uma época comprometida, onde praticamente só joga para cumprir calendário e em risco de nem ir às competições europeias no próximo ano.

É tempo de acordar e é tempo de ver os factos. O Sporting CP precisa de um novo rumo. Aliás, o Sporting CP precisa de voltar ao rumo onde esteve durante 5 anos. E há pessoas que acham que a figura central deverá ser Bruno de Carvalho – e apesar de eu ter sido seu apoiante durante estes anos – creio que o mais importante, e que é certamente confundido, é que não importa a pessoa que está, mas sim o rumo que se toma. A ideologia, a competência, o caminho a seguir. E é esse o caminho que vejo para o nosso clube.

Acorda (novamente) Sporting CP antes que seja (novamente) tarde demais.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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