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No tempo em que as famílias sportinguistas passavam dias inteiros a percorrer as modalidades do clube em Alvalade até chegar a hora do jogo da equipa principal de futebol, o Hóquei do Sporting CP era do melhor que se praticava no Mundo.

Os títulos da casa comprovam a hegemonia da época, mas a preponderância leonina na modalidade ultrapassava o favoritismo no campeonato, e atingia o cúmulo na Selecção Nacional de Hóquei, sendo a base da equipa das quinas constituída pelo quinteto que, apesar de não ser de violinos, encantou pelo Mundo fora: António Ramalhete, Júlio Rendeiro, Sobrinho, Chana e António Livramento.

Um passado de luxo cujo interregno fez as gerações mais recentes colocar o hóquei para segundo plano, não só pela disputa do Sporting em divisões secundárias, como pela falta de reavivamento da história do clube na modalidade. Depois da época de regresso ao escalão principal, a consolidação da estratégia do clube está garantida. E se no começo combateu-se pela permanência, hoje é nos lugares do topo da tabela que encontramos o desígnio do Sporting Clube de Portugal, que, em tão pouco tempo desde o referido regresso, chegou também à glória na Europa. É por isto que creio que a repetição do passado histórico do hóquei sportinguista pode estar prestes a repetir-se, muito por culpa da insistência, por parte da Presidência, em reforçar a modalidade, assim como pelo brilhante trabalho da equipa técnica.

A equipa leonina trabalha no duro para regressar ao topo do hóquei nacional Fonte: Sporting CP
A equipa leonina trabalha no duro para regressar ao topo do hóquei nacional
Fonte: Sporting CP

Fazendo a ponte para o presente, a época começou da melhor forma com a conquista de um troféu contra os rivais e com duas vitórias nas primeiras jornadas do campeonato – a primeira delas, inclusive, vencida de forma expressiva. Sendo certa a importância de um bom começo, há, contudo, algo ainda mais claro nesta equipa do Sporting. O plantel é, sem dúvida, o mais robusto dos últimos anos, em tradução da aposta forte que já foi mencionada. A chegada do jovem espanhol Ferran Font, vindo da equipa do Vic, revela em paralelo a intenção de garantir a qualidade da equipa no futuro próximo, tratando-se de um dos jovens europeus em maior ascensão na modalidade. Em contraponto na balança, a experiência e o currículo de jogadores como Pedro Gil reforçam a teoria de um plantel equilibrado e capaz de cumprir objectivos com maior dose de ambição. Num terceiro ponto, e terminando o molde da organização do balneário, aparecem os valores conhecidos da casa, como Poka, João Pinto e Girão, que asseguram a existência daquilo que, por vezes, é o mais difícil de garantir numa equipa seja de que modalidade for.

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Aliás, se repararmos nesta nova organização do hóquei sportinguista, identificamos algumas semelhanças com a do desporto rei – e nada pode acontecer por acaso.  Embora haja o desafio de contrariar a experiência de outros clubes na actualidade do hóquei, acredito que voltaremos a pegar no fio desse passado interrompido, e que, mais tarde ou mais cedo, o Campeão Nacional será verde e branco.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal