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“Sugiro aos leitores uma pequena observação: olhem para o banco do FC Porto. E depois olhem para o do Sporting. Qual é o plantel mais curto, afinal?”

Quando se fala de insuficiência crónica, o primeiro cenário que surge na nossa cabeça costuma ser algo da vertente renal, em que, nomeadamente, os rins perdem a capacidade das suas funções. Felizmente para todos os leitores, este texto não vai aprofundar as eventuais anomalias do organismo do ser humano, mas sim as insuficiências crónicas a que se vai assistindo, ano após ano, época após época, no reino de Alvalade.

Olhemos especificamente para o plantel da equipa sénior masculina do Sporting Clube de Portugal. Um onze base, de muita qualidade – mais do que nos anos anteriores -, mas radicalmente diferente das opções que Jorge Jesus tem no banco de suplentes. Vejamos um exemplo algo óbvio: na semana passada, o Sporting defrontava o Porto em Alvalade, num jogo de enorme importância para as contas do título. Bruno Fernandes, o playmaker e jogador-chave do processo ofensivo da equipa, apresentava-se completamente esgotado nos primeiros quinze minutos da segunda parte (muito em parte devido ao desgaste acumulado da Liga dos Campeões). Olhava-se para o banco, e quem surge como substituto natural do português? Ninguém. Qual é o médio com profundidade ofensiva que pode ocupar o lugar de Bruno? Ninguém. Jorge Jesus tentou adiar a substituição ao máximo por uma simples razão: não confia nas suas alternativas. Prefere, na prática, ter um titular completamente desgastado do que uma alternativa “fresquinha”, o que diz bem da mentalidade do treinador leonino. E atenção: pessoalmente, percebo perfeitamente as hesitações de Jesus. Mattheus Oliveira não é uma alternativa credível para as ambições do Sporting, e Adrien vai treinando à parte para os lados de Inglaterra.

Fonte: Sporting CP

Quem sobrou, portanto? Bruno César. Um ala/lateral-esquerdo/tapa-buracos que serviu exatamente para tapar um buraco mais que notório no meio-campo leonino. Numa posição que nem é, naturalmente, a dele. Mas não é só nesse meio-campo que os problemas existem. Jonathan não é uma alternativa de confiança a Coentrão, não existem opções no ataque (a avançado), e creio que é preferível nem falar das alternativas a Coates e Mathieu.

A pergunta que se coloca é: porquê? Como é possível não haver alternativas para posições tão importantes num plantel? Porque é que Jorge Jesus se foca só em fazer um onze, esquecendo o resto do plantel? O presidente não deve intervir nestes aspetos, na preparação de uma época?

São muitas perguntas para tão poucas respostas, nesta altura do campeonato. Não creio que estejamos perante um plantel fraco, porque não estamos, mas quando se fala, por exemplo, de um Porto com tão pouca profundidade para o que falta desta época, sugiro aos leitores uma pequena observação: olhem para o banco do FC Porto. E depois olhem para o do Sporting. Qual é o plantel mais curto, afinal?

 

Foto de Capa: Sporting CP

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