O último dia de mercado trouxe a Alvalade novas caras e sobretudo dois nomes de renome: Jesé Rodriguez e Yannick Bolasie. Carregam protagonismo e mediatismo, mas também a responsabilidade de uma carreira que pretende ser relançada após alguns – especialmente os últimos – anos de más memórias e de muitas incertezas.

O espanhol chega proveniente do PSG, a título de empréstimo. Conta também no seu historial com uma passagem pelo Real Madrid. Passou de jovem prodígio para uma promessa que tarde em afirmar-se. Desde cedo o seu potencial foi evidente, mas a sua falta de compromisso e responsabilidade acabaram por atraiçoar a carreira do espanhol. No entanto, corrigindo e ultrapassando esses problemas de carácter psicológico, Jesé é sem dúvida um nome sonante no futebol português e poderá causar um enorme impacto, não só em Alvalade, mas também no futebol português.

Apesar do Sporting CP sentir a falta de um avançado mais puro, Jesé é um jogador que pode jogar nas alas – sobretudo na faixa esquerda, pois gosta de jogar de fora para dentro e usar os movimentos interiores para rematar à baliza – mas também pode aparecer por dentro como segundo avançado ou mesmo até como único avançado. Poderá trazer características que faltam ao futebol dos Leões pois é um jogador com uma capacidade e critério acima da média, bastante assertivo e com excelente execução. É bastante rápido e demonstra técnica e habilidade no um contra um. Apesar de contar com números nada famosos nos últimos anos, o campeonato português e o Sporting CP são o contexto ideal para relançar a sua carreira, ainda que já na sua passagem pelo Bétis tenha dado sinais mais positivos, sobretudo na sua faceta profissional e que pode ser um sinal positivo para os Leões.

Num curto período, as asas leoninas sofreram profundas alterações
Fonte: Sporting CP

Quanto a Yannick Bolasie, o extremo já foi um dos melhores jogadores da Premier League e um dos desequilibradores natos da competição. Chega com 30 anos a Alvalade – Jesé neste aspecto aparenta ter alguma vantagem para relançar a carreira visto ter “apenas” 26 anos. O Everton pagou cerca de 30 milhões de euros, mas as lesões fizeram com que o extremo congolês perdesse espaço e fosse assim cedido ao Aston Villa e ao Anderlecht, onde até deu alguns sinais positivos já na parte final da sua passagem pela Bélgica. Na teoria a sua velocidade, explosão, potência, poderio físico e técnica são capazes de fazer a diferença no campeonato português e pode certamente fazer estragos. Um jogador com características únicas e distintas no plantel leonino, será também um upgrade ao ataque leonino.

Mas como já referi anteriormente (noutro artigo), volto aqui a reforçar a ideia de que até a bola começar a rolar, serão sempre reforços teóricos e que enquanto não demonstrarem o valor que lhes é reconhecido na prática, serão sempre incertezas e um risco que o clube de Alvalade terá de correr. Recentemente os dois reforços deram entrevistas onde demonstram ter ganas de começar, onde demonstram estar motivados e com uma enorme vontade de confirmar todo o seu potencial. Resta esperar já pelo primeiro jogo dos Leões, onde ambos estão convocados e ao que tudo indica até podem ser titulares face às ausências de Vietto e Luiz Phellype.

A confirmar-se o empenho com que ambos afirmam estar serão certamente duas contratações de nível por parte do Sporting CP, sendo que não é todos os dias que jogadores deste calibre e com estas características chegam ao campeonato português e que poderá assim permitir ao Sporting CP ganhar maior mobilidade no seu ataque, poder físico e profundidade, mas também conseguir equilibrar melhor com os seus adversários diretos.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

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