João Pereira, ou então João Pedro da Silva Pereira foi, enquanto adepto sportinguista, dos jogadores que mais admirei e que mais gostei de ver com a verde e branca.

Apesar de ter feito toda a sua formação e jogado na equipa principal do clube rival, quando chegou ao Sporting CP cativou-me logo. Em janeiro de 2010, chegou a Alvalade, vindo do SC Braga, para assumir a lateral direita; era um miúdo, com o cabelo levantado, aparelho nos dentes e um ar de rebelde, algo conflituoso, que não virava a cara à luta e que jogava sempre com a faca na boca. Ora, para mim, um menino com, na altura, oito anos de idade, que começava a assistir e a ter vontade de perceber e acompanhar futebol, ver tanta rebeldia e matreirice fascinava-me.

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Os anos iam passando e ver João Pereira a defender (e bem) as nossas cores tornava-se um hábito. Lembro-me bem da época 2011/12, em especial da nossa campanha na Liga Europa, em que fomos à meia-final; João Pereira na direita e Insua na esquerda faziam uma das melhores duplas de laterais que me recordo de ver no Sporting, curiosamente numa altura em que o plantel, no geral, era mediano. Nessa mesma época, capitaneou o Sporting Clube de Portugal por diversas ocasiões.

Mal sabia eu que, no final dessa época, João Pereira ia rumar a Espanha, para representar o Valência e que a época que se avizinhava ia ser uma das piores da história do clube. Naquela altura, para mim, que tinha crescido a ver o João sempre de verde e branco e que me tinha apaixonado pela forma que ele vivia o jogo e que defendia o clube, vê-lo sair foi um motivo para me desfazer em lágrimas. Com, mais ou menos, dez anos de idade, preferia que me tivessem partido os meus brinquedos todos à minha frente, que ver o “meu” João Pereira a sair do “meu” clube.

Com tão tenra idade, não tinha a noção que havia clubes com outros objetivos que o Sporting e que poderiam oferecer melhores condições financeiras ao jogador; naquela altura, para mim, o Sporting CP era a melhor equipa do mundo e tinha os melhores jogadores do mundo, por isso não haveria razão para o João Pereira querer sair.

Com o coração de um jovem adepto despedaçado pela saída do João Pereira, cresci, continuei a acompanhar loucamente o Sporting CP e percebi que afinal existem mais ligas, mais clubes, que, se calhar, o Sporting não é o melhor do mundo e que, se calhar, os nossos jogadores não eram os melhores do mundo. Podiam não ser os melhores, mas eram os meus preferidos.

Os anos foram passando, a vida continuou, até que, no verão de 2015, voltam a surgir rumores que o João estava perto do “nosso” Sporting. Voltei a sentir-me na pequena criança que o idolatrava e vibrava tanto com ele. Os rumores acabaram por se tornar reais e o João era “nosso” de novo. Durante grande parte da época foi dono da lateral direita e embalava-nos para uma época que parecia histórica, no entanto, depois acabou por dar o lugar Schelotto e a época acabou por não correr da melhor forma. Ficou o amargo que merecíamos ou devíamos ter conseguido mais nessa época, porque o plantel merecia ser campeão.

Na nova época, em 2016/17, voltou a fazer uns jogos pelo Sporting, mas não foram suficientes para convencer a equipa técnica e voltou a abandonar o clube, desta feita a janeiro de 2017. Nova tristeza por vê-lo sair, não tão traumatizante e profunda como a primeira, mas que me marcou à mesma; nunca queremos ver quem nos representa e defende tão bem longe de nós, esses queremos sempre por perto, mesmo que não joguem.

Achava que o João não voltaria, mas em janeiro, novos rumores sobre o teu regresso meteram-me, de novo, radiante com a tua chegada. Ele tinha de vir este ano, estávamos bem encaminhados para ser campeões e se havia alguém que merecia festejar este título connosco, era o João. Sempre regressou. Não era titular, mas isso também não me preocupava; sabia que os valores que ele nos tinha mostrado nas passagens anteriores pelo Sporting CP ainda estavam bem presentes nele e estavam a ser transmitidos às gerações mais novas.

No final desta temporada, ainda fez uns belos jogos e mostrou que, afinal ainda estava aí para as curvas. Foi campeão, foi campeão pelo seu Sporting Clube de Portugal. Não podia ficar mais feliz por ele.

Foi gratificante. Comecei a admirar o jogador em tempos que já não voltam, numa altura em que a infância se mistura com o futebol e torna-o em algo romântico, fantástico e inesquecível. Depois, segui sempre a sua carreira de perto, vi que ele sofria connosco e, agora, vejo que ele festeja o nosso título de campeão nacional, com as lágrimas a teimarem em aparecer. Com as botas já penduradas, que continues a defender tão bem o Sporting CP como sempre o fizeste, que nunca percas essa matreirice, essa garra e esse teu sportinguismo, porque o Sporting Clube de Portugal precisa de ti. Obrigado, João Pereira.

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