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Faço parte da legião de adeptos que tem em mente a máxima “zero ídolos” mas confesso que, em momentos raros, abro excepções à regra para quem defende as minhas cores e os meus ideais com o coração, o que os torna merecedores de tal distinção.

Lembro-me bem daquela noite fria em Alvalade, quando num jogo frente ao Dínamo de Kiev, um novo menino da formação verde e branca entrava em campo para se estrear pela equipa principal, na Liga dos Campeões. O público aplaudia-o. Mal sabiam, aqueles milhares de pessoas, que estavam a acarinhar alguém que se viria a tornar campeão europeu e capitão indiscutível da formação leonina, anos mais tarde.

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Hoje, depois das passagens pelo Maccabi Haifa e pela Académica de Coimbra, Adrien cresceu. Leva ao peito o símbolo sagrado e no braço esquerdo a braçadeira que representa a voz de cada um de nós, sempre com o compromisso de defender os nossos direitos e de alertar os seus companheiros para os seus deveres. Adrien Silva é o patrão do nosso meio-campo, aquele que faz a equipa jogar e respirar, ao ponto da sua ausência ser um sufoco para quem está dentro e fora de campo. É contagiante vê-lo jogar, com aquela intensidade de quem parece estar em todo o lado ao mesmo tempo, a construir e a destruir, com uma entrega vibrante que nos cansa só de ver.

A passagem pela Académica foi crucial no crescimento de Adrien Silva Fonte: Facebook oficial de Adrien Silva
A passagem pela Académica foi crucial no crescimento de Adrien
Fonte: Facebook oficial de Adrien Silva

Aquilo que Adrien representa para cada sportinguista, ultrapassa as palavras que poderia tentar arranjar para definir o seu carácter. Para mim, aquilo que o Adrien representa é tudo aquilo que um leão deve ser. E se, eventualmente,  atravessarmos a barreira do clubismo, ele é também aquele jogador que tem o respeito dos amantes do futebol pelo exemplo que dá aos mais novos e pelo trabalho que desenvolve diariamente. O apadrinhar do seu torneio homónimo, que todos os anos se joga em Arcos de Valdevez, permite-lhe o contacto com jovens atletas que tantas vezes têm de abdicar da infância e da família para lutar pelo sonho do futebol, tal como lhe aconteceu. E o Adrien, a criança que chorava na Academia com saudades dos pais e do irmão, estaria muito orgulhoso do homem em que hoje se tornou. E não tenho dúvidas que a raça que coloca em cada jogo e em cada lance é o reflexo da vivência e das dificuldades do passado que lhe moldaram a personalidade para querer sempre mais e melhor.

No último verão, a história podia ter acabado mal depois de um desabafo inesperado nas redes sociais. Adrien ficou. Escolheu não ser só mais um, mas dar força ao sonho que tem desde pequenino de erguer a taça de campeão nacional pelo seu clube do coração, o mesmo que o acolheu com tenra idade. Escolheu a honra e o compromisso. Escolheu-nos a nós. E por tudo o que já demonstrou depois desse episódio, escolheu continuar igual a si próprio. Na bancada,  continuamos a ovacioná-lo de pé como forma de agradecimento por tantos anos de entrega e dedicação.

Foto de capa: Facebook oficial de Adrien Silva

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

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