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Este mês, a GQ Portugal dá protagonismo a Jorge Jesus. Mas enganem-se os menos observadores: não é o Jorge Jesus, treinador do Sporting Clube de Portugal; é, na verdade, Jorge Jesus- o Man of the Year na área do desporto, prémio dado na Gala GQ Man of The Year Awards 2015.

Eis que, numa espécie de Ringo Starr português (como a minha mãe lhe chamou quando viu a capa), o treinador dos leões é apresentado como um símbolo de sucesso, mostrando que um treinador não é só futebol, mas que também consegue fazer editoriais de moda.

Com isto, eu pergunto: há necessidade de fazer isto com Jorge Jesus? Não lhe tirando o mérito, creio que um pouco mais de respeito cai bem a todos. Sendo uma entrevista ao Homem do Ano na área do desporto, deveriam então pegar por esse prisma e não – a meu ver – ridicularizar a imagem de quem trabalha todos os dias com meios nacionais e internacionais. Tentarem fazer deste um James Bond nacional, com direito a novo penteado, creio que só serve para criarem um burburinho negativo à volta da imagem deste treinador.

O homem retratado na revista GQ pouco ou nada tem que ver com Jesus treinador de futebol Fonte: Sporting CP
O homem retratado na revista GQ pouco ou nada tem que ver com Jesus enquanto treinador de futebol
Fonte: Sporting CP

No entanto, nem tudo é mau nesta entrevista: Jesus tem considerações interessantes sobre a sua carreira, como quando refere “ o mais difícil não foi o que conquistei, o mais difícil é continuar a conquistar, não só êxitos, mas também títulos”, ou quando comenta que não foi um erro aceitar a proposta o AC Milan e que não se arrepende de ter recusado. Também me surpreendeu quando afirma que sofreu mais com a derrota com o Sevilha do que com o Chelsea, nas duas finais da Liga Europa que disputou.

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Em relação à sua vida pessoal, da qual acaba por falar pouco, nota-se verdadeiramente o carinho que tem pelo seu pai, pelo presidente do Amora, Mário Rui (que o ajudou a ser o treinador que é) e pela sua mulher e filha.

É assim então um retrato fiel a Jorge Jesus que, apesar de não mostrar como o treinador leonino é realmente no dia-a-dia, demonstra a personalidade vincada que este possui, de um caso de sucesso reconhecido para lá das fronteiras portuguesas.

No entanto, este é um caso demonstrativo que, por vezes, moda e futebol não se devem misturar, foi uma tentativa falhada de reavivarem a imagem de Jorge Jesus, deixando-o fora da sua zona de conforto: que mostrem também nas fotos o porquê de o premiarem com a distinção de Man of the Year, que revivam os momentos gloriosos deste, quer de passados longínquos ou mais recentes; não que o utilizem para pintar um boneco que não é.

Por isso, desta vez sou eu a fazer um pedido à GQ Portugal: por favor, Don’t f*ck with Jesus!

Foto de capa: GQ Portugal