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LASK 3-0 Sporting CP: Leão amorfo tomba em Linz

Pedro Miguel Martins · 6 min

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No país de Mozart e Strauss, a orquestra sportinguista, dirigida pelo “maestro” Silas, foi a protagonista da ópera trágica em que se traduziu o último jogo dos Leões na fase de grupos da Liga Europa.

Na noite gelada de quinta-feira, os Leões não tiveram argumentos perante a formação de Linz e resvalaram para a segunda posição do grupo D, enquanto o LASK vence o grupo. Os outros dois adversários do Sporting CP no grupo D, PSV e Rosenborg, acabam respectivamente em terceiro e quarto lugar e, por isso, estão fora da competição.

Enfim, o resultado e a própria exibição do Sporting CP no Linzer Stadion falam por si e convergem numa única palavra: tragédia. A turma leonina partiu para a Áustria na primeira posição do Grupo D e só precisava de uma igualdade do marcador para manter essa classificação. Todavia, as ausências de Bruno Fernandes, Mathieu e Vietto adivinhavam ser difíceis de substituir com as segundas linhas do plantel. Silas resolveu então revolucionar o onze titular: da equipa que bateu o Moreirense FC apenas manteve Cristian Borja e Jesé Rodriguez. Por sua vez, os jovens Rodrigo Fernandes, Rafael Camacho e Pedro Mendes foram promovidos à titularidade, enquanto que Renan, Miguel Luís e Eduardo voltaram a ser opções iniciais.

Em suma, foram nove as alterações feitas no onze titular em relação à recepção ao Moreirense FC. O Sporting CP apresentou-se num 4x3x3: Renan na baliza, Val Rosier, Illori, Coates e Borja no quarteto da defesa; no meio-campo Miguel Luís mais posicionado na direita, Eduardo no lado contrário e Rodrigo Fernandes a ocupar o corredor central; no eixo atacante Jesé actuou na posição de ponta de lança enquanto Pedro Mendes e Rafael Camacho preencheram as alas.

Diga-se desde já que os posicionamentos de Rafael Camacho e, sobretudo, de Pedro Mendes causaram perplexidade. Com efeito, o n.º 9 leonino esteve apagado no jogo e somou apenas 8 acções com bola. Depois, Eduardo mostrou-se uma nulidade absoluta na luta pelo meio-campo, Jesé não existiu e a defesa tremeu a cada ataque austríaco.

Os momentos iniciais da partida foram desde logo um dejá vu do que se havia passado em Alvalade. O LASK entrou pressionante perante um Sporting aflito, sem química e com dificuldade em manter a posse de bola. Apesar disso, o jogo manteve-se amorfo e pouco entusiasmante até ao primeiro golo da partida de apontado por Trauner ao minuto 23’ de cabeça na sequência de um canto cobrado por Michorl. E com justiça, pois o LASK foi a equipa mais inconformada com a igualdade que se vinha mantendo.

Pedro Mendes jogou numa posição que não era a sua, ainda assim foi dos poucos inconformados na formação leonina
Fonte: Sporting CP

O momento crucial do jogo chegaria ao minuto 38’: Renan efectuou uma abordagem desastrosa, que em nada corresponde ao seu estatuto, ao derrubar o brasileiro Klauss na grande área. O árbitro apontou para a marca de grande penalidade e exibiu o cartão vermelho ao guarda-redes brasileiro, entrando de seguida Luis Maximiano para o lugar de Rodrigo Fernandes. Klauss converteu o penálti e ampliou a vantagem austríaca para duas bolas a zero.

Se com onze elementos o Sporting CP já tinha produzido pouco ou mesmo nada desde o apito inicial, reduzido a dez viu-se completamente impotente para fazer algo. Já na segunda parte, talvez por estar mais preocupado em não conceder mais golos aos austríacos, Silas procedeu à substituição de Jesé por Doumbia, deixando apenas Pedro Mendes e Rafael Camacho como referências ofensivas.

Menos pressionante, o LASK fez uma gestão mais tranquila da partida no segundo tempo, mantendo sempre o domínio e consciente que mais depressa chegaria ao terceiro golo do que a sofrer o primeiro na sua baliza.

Ainda assim uma maior displicência do LASK em face do contexto do jogo, permitiu que Rafael Camacho tivesse uma oportunidade ouro na cara do guardião austríaco que todavia não foi capaz de finalizar, ilustrando bem a incapacidade a Sporting CP em contrariar o resultado e o “atirar a toalha ao chão”.

Ainda assim, no meio do marasmo leonino, foi Luis Maximiano quem brilhou ao protagonizar uma defesa espectacular ao minuto 70’, negando o golo a Ranflt. Todavia, o jovem guarda-redes português não conseguiu impedir o terceiro e último golo do LASK apontado por Raguz já em período de descontos aos 90+3’.

É no mínimo alarmante o facto de Luís Maximiano ser o melhor jogador em campo do lado do Sporting CP num jogo em que perde por 3-0. Mais, após uma vitória cirúrgica contra um intrincado Moreirense FC, pedia-se que o Sporting CP mantivesse um registo vitorioso que alavancasse a sua equipa para as difíceis deslocações que ainda tem de fazer ao terreno do Santa Clara e a Portimão antes de 2019 terminar.

Na antevisão à partida, alertámos para a certeza de que o Sporting CP iria encontrar um LASK ainda mais perigoso em relação ao jogo em Alvalade, bem como destacámos alguma individualidades do plantel austríaco como Raguz e Klauss. E deixámos o repto para a necessidade de o Sporting CP encarar este jogo com rigor.

Após o apito final o resultado espelhou um Sporting numa noite gelada em modo geringonça, apático, sem ideias, conformado, etc. E nem venham com a história do “clima de Alvalade” nem com as recentes idas dos jogadores ao Tribunal para deporem no caso de Alcochete. Nada, mas absolutamente nada, pode justificar a abdicação do primeiro lugar do grupo. Tanto mais quanto é certo que Silas resolveu mudar toda a equipa para este jogo, mas manteve o onze titular habitual no último jogo a contar para a Taça da Liga.

Por outro lado há um dado sintomático: na corrente temporada, Bruno Fernandes não marcou presença em dois jogos e o Sporting CP perdeu ambos. É certo que perdeu outros jogos com Bruno na equipa, mas não deixa de ser um dado assustador.

Enfim, na ida ao país da ópera vimos uma orquestra leonina completamente desafinada e em perfeita desarmonia. O que não vamos ver de certeza absoluta será o Presidente do Sporting CP dar a cara por este fracasso, qual “Dr. Coragem” que apenas aparece nos momentos de festa.

Despojado do estatuto de cabeça-de-série, o Sporting CP poderá ter de enfrentar na próxima fase equipas como Inter, Ajax, Sevilha, Arsenal ou Manchester United. Mas como se costuma dizer “a sorte procura-se”…

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

LASK:  Alexander Schlager, Petar Filipovic (Emanuel Pogatetz, Phillipp Wiesinger, Thomas Goiginger, Peter Michorl, Marvin Potzmann, Gernot Trauner, James Holland, Reinhold Ranftl, Klauss (71’ Marko Raguz) e Frieser (64’ Samuel Tetteh)

Sporting CP: Renan Ribeiro, Valentin Rosier, Tiago Ilori, Sebastían Coates, Cristian Borja, Miguel Luís (71’ Luiz Phellype), Eduardo, Rodrigo Fernandes (37’ Luís Maximiano); Jesé Rodriguez (46’ Idrissa Doumbia), Rafael Camacho e Pedro Mendes

A FIGURA

Fonte: Sporting CP

Luís Maximiano: O jovem guarda-redes foi chamado a jogo depois de Renan ter sido expulso. Foi sem dúvida o melhor jogador leonino em campo, o que por si só é demonstrativo do descalabro que foi a sua equipa. Protagonizou a defesa da noite e muitas outras de elevada dificuldade não permitindo assim que o desastre virasse hecatombe. Mais, manteve o foco no jogo quando todos os seus colegas já só pensavam em regressar a Lisboa, pelo que merece ser destacado pela positiva.

O FORA DE JOGO

Fonte: Sporting CP

Silas: O “prémio” de fora de jogo vai para o técnico sportinguista por ser o responsável máximo pelo plantel do Sporting CP, mas na verdade toda a equipa verde e branca esteve ausente do jogo. Uma exibição amorfa de uma equipa montada “às três pancadas” que se traduziu num resultado vergonhoso e desnecessário.

Foto de Capa: LASK

Pedro Miguel Martins

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