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O Sporting CP continua em digressão para preparar a nova época e desta vez o Yankee Stadium, em Nova Iorque, foi o palco do quarto teste leonino de pré-temporada.

O adversário foi, nada mais e nada menos, que o atual campeão europeu e vice-campeão inglês Liverpool FC. O resultado espelha na perfeição aquilo que foi a partida: golos, intensidade, muitas oportunidades e um bom espetáculo. Também por isso foi um bom jogo de preparação em que nenhuma equipa merecia perder. E assim foi, apito final e o troféu foi partilhado e levantado, em simultâneo, pelos capitães das duas equipas.

Não há nada melhor que trabalhar sobre a matéria sólida e inebriante que as vitórias emanam, mas, nesta fase, recuperar os índices e o foco competitivos, integrar as novas individualidades e sobretudo adquirir as rotinas e dinâmicas condizentes com as ideias de jogo idealizadas pelos treinadores são bem mais importantes que os resultados obtidos. É nesta fase que os erros, testes e experiências têm o seu espaço de tolerância num desporto cada vez mais exigente, impaciente e intolerável.

As duas equipas encontram-se em fases de preparação similares: já disputaram alguns encontros, não deslumbraram e ainda não contam com alguns dos seus principais executantes, que estão de férias, entre os quais se destacam as ausências de Acuña do lado leonino e de Alisson, Salah, Firmino e Mané, do lado inglês. Ainda assim, ambos os treinadores procuraram alinhar de início esboços próximos do que serão os seus onzes para a temporada que se avizinha. É de destacar também que muitas das peças lançadas de início transitam dos onzes privilegiados por ambos técnicos na temporada passada, uma vez que Neto e Vietto foram os únicos reforços a pisarem o relvado de início.

Para esta partida, Keizer promoveu algumas alterações estruturais na disposição dos jogadores leoninos no relvado. O desenho tático assentou num claro 4-4-2 ao invés do habitual 4-3-3, no qual Vietto deixou a ala esquerda, onde tem sido opção, para jogar na frente com Luiz Phellype mas com total liberdade de movimentos para descair nos corredores e a infiltrar-se entre linhas. Assim, Bruno Fernandes foi deslocado para o corredor esquerdo.

Aliás, foi a partir de uma movimentação da esquerda para o interior que, à passagem do quarto minuto, Bruno Fernandes fez mira na baliza “red” e desde fora da área – com a generosa contribuição de Mignolet – fez o primeiro da partida. O Liverpool não demorou na resposta e endossou vários cruzamentos perigosos que se passearam pela área verde e branca, contudo sem efeitos práticos. Aos poucos, os “reds” iam tomando conta do jogo e no momento defensivo o 4-4-2 leonino tornava-se evidente.

Aos 17 minutos chegou o primeiro aviso real dos campeões europeus: canto batido por Alexander-Arnold ao qual Van Dijk correspondeu com uma forte cabeçada, mas Renan, atento, defendeu. Dois minutos depois, o guarda redes leonino bem tentou repetir a façanha, mas o Liverpool fez mesmo o empate. Passe longo a sobrevoar o campo de uma metade à outra, Ilori falha na abordagem e na sequência a bola é cruzada para o cabeceamento de Henderson, ao qual Renan respondeu eficazmente, mas na recarga Origi só teve de encostar.

Com o passar dos minutos, ambas as equipas mostravam confiança e qualidade com a bola, procurando manter a posse e contruir de forma apoiada as suas jogadas. No momento defensivo, o Liverpool procurava ter as linhas subidas, pressionando constantemente – bem ao estilo que as equipas de Klopp nos habituaram – para recuperar a bola o mais rápido possível. O Sporting recuava mais as suas linhas, empurrados também pelo ímpeto inglês, mas ativava uma pressão mais intensa quando os “reds” tentavam progredir.

Foi, sobretudo, através desses momentos que os leões se aproximaram da baliza adversária. Primeiro, no decorrer do minuto 26, uma recuperação e saída rápida resultaram num remate repentino de Luiz Phellype ao lado do poste. De seguida, a pressão leonina, efetuada de forma eficaz, forçou o erro na saída do Liverpool e após uma breve combinação, Wendel tirou um adversário da frente e rematou da meia-lua ao poste de Mignolet.

O Sporting ameaçava, mas não materializava as suas oportunidades em golo e outra prova disso foi a flagrante oportunidade de que dispôs Ilori, à boca da baliza, logo de seguida. Como diz a velha máxima do futebol “quem não marca, sofre”, dito e feito, mesmo antes do intervalo. Mais um passe longo e a mesma má abordagem do hoje (mais uma vez) lateral direito Ilori, Wijnaldum ficou só com Renan pela frente e consumou a reviravolta no marcador. Ainda no último lance da primeira metade, Vietto teve uma dupla oportunidade na pequena área mas Mignolet agigantou-se e segurou a vantagem.

Chegava ao fim uma primeira parte com um ritmo muito elevado sobretudo tendo em conta de que se tratava de um jogo de preparação. O Sporting dispôs de várias oportunidades mas defensivamente voltou a comprometer. Já o Liverpool, ainda sem contar com as suas principais referências, foi igual a si próprio na verticalidade e pressão incessante exercidas.

Wijnaldum remata para o 2-1
Fonte: Liverpool FC

A segunda parte iniciou-se na mesma toada e depois de alguns remates desenquadrados de parte a parte, o Sporting conseguiu restabelecer o empate a dois golos. Jogada rápida de entendimento de Bruno Fernandes e Wendel ao longo do meio campo adversário, com toque decisivo do recém entrado Thierry Correia e com o capitão leonino a assistir o brasileiro que, em jeito, fez balançar as redes já dentro da área adversária.

A resposta inglesa foi imediata e aos 56 minutos, Van Dijk cabeceou ao poste na sequência de um canto. Com o passar dos minutos, começaram a ser efetuadas várias substituições e o jogo ia baixando de ritmo gradualmente. Com as alterações promovidas, os pupilos de Keizer passaram para um 4-2-3-1 bem definido, onde Raphinha e Jovane assumias as faixas, Dost sozinho na frente e Bruno Fernandes regressava a uma posição mais central.

Posteriormente, entraram vários jovens em ambas as formações, as paragens e faltas tornaram-se mais frequentes e o jogo partiu-se por momentos. Numa dessas transições rápidas e constantes, Raphinha saiu disparado na frente, fletiu para dentro, mas Mignolet travou o remate cruzado à flor da relva. O jogo encaminhava-se para o final, as duas equipas estavam completamente descaracterizadas e poucos mais foram os lances dignos de registo.

O empate não viria a ser desfeito e o Sporting voltou a não ganhar, porém a exibição leonina foi das melhores – senão a melhor – desta pré-temporada, e logo contra o adversário com mais valor individual e coletivo. Os leões jogaram soltos, geraram várias oportunidades e jogaram com as garras bem visíveis. Negativamente é de destacar o pouco aproveitamento dessas oportunidades e as fragilidades defensivas que voltaram a custar golos sofridos.

É evidente que Keizer tem ainda muito trabalho pela frente e várias decisões a tomar, mas houve melhorias assinaláveis sobre o relvado americano e frente ao campeão europeu em título.

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Liverpool FC – Mignolet, Alexander-Arnold (Joe Gomez 62’), Matip (Van Den Berg 90’), Van Dijk (Lovren 80’), Robertson (Kent 63’); Fabinho, Henderson (Jones 77’), Wijnaldum (Lallana 76’); Milner (Brewster 79’), Origi e Oxlade-Chamberlain (Wilson 65’).

Sporting CP – Renan, Ilori (Eduardo Quaresma 83’), Neto (Coates 61’), Mathieu (Nuno Mendes 78’), Borja (Thierry Correia 45’); Doumbia (Miguel Luís 78’), Wendel (Eduardo 84’), Bruno Fernandes (Daniel Bragança 84’); Raphinha (Gonzalo Plata 85’), Vietto (Jovane Cabral 63’) e Luiz Phellype (Bas Dost 62’)

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