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Luciano Vietto: o génio incompreendido

João Flora · 3 min

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No futebol, por vezes, aparecem jogadores com características muito específicas e diferenciadas da maioria e tais características, são visíveis quer na qualidade de passe, visão de jogo, movimentações e sobretudo na elegância, classe e inteligência, que demonstram dentro das quatro linhas. Mas no futebol o que é ser inteligente? Ou melhor, o que define um jogador dito inteligente da restante maioria?

Se compararmos os fatores em comum de jogadores considerados “génios” da bola, que ingressaram de leão ao peito, como são os casos de Bruno Fernandes e Pedro Barbosa por exemplo, notamos que a facilidade com que conseguem “abrir o livro” é tremenda porque sabem sempre o que fazer, até mesmo nos momentos mais complicados em que a perda da posse de bola parecia inevitável. Contudo o futebol é um jogo de equipa e para se conseguir “abrir o livro” da forma como eles fazem, é necessário conhecer as rotinas e modos de jogar dos restantes companheiros. Aí é que reside o maior problema de Luciano Vietto.

O craque argentino possui praticamente todos os requisitos para ser considerado um génio embora, nesta pré-época, pouco ou nada tem contribuído para tal afirmação. Mas o maior problema de Vietto só irá ser resolvido com paciência e tempo. Atualmente, o seu conhecimento tático desta forma de jogar é muito reduzido, provavelmente porque nunca teve um treinador com a “escola” holandesa de Keizer. Nota-se claramente que não está à vontade com o sistema tático, e ter feito alguns jogos na ala ainda piorou a situação. Não possui a velocidade necessária para compensar a equipa defensivamente em caso de subida do lateral, deixando assim vulnerável o corredor em que joga.

A passagem pelo Atlético de Madrid do avançado argentino foi inglória
Fonte: Club Atlético de Madrid

Nos últimos jogos, Keizer percebeu isso e preferiu encostar Bruno Fernandes à linha, colocando assim Vietto no meio, deixando-o mais confortável com a esperança de ter mais impacto no jogo. Porém, tal facto não se tem verificado e nota-se que o jogador anda algo “perdido” em campo, muito devido ao tal desconhecimento das rotinas da equipa. Considero uma má decisão, sacrificar o nosso melhor jogador encostando-o na ala, quando claramente o Bruno é um jogador que tem que jogar junto à área adversária, porque é assim que possui mais impacto no jogo.

Uma boa solução para colmatar este problema chegou há pouco tempo de férias, de seu nome Marcos Acuña, que oferece um pulmão incrível ao setor esquerdo da equipa leonina e com o argentino na esquerda, a conversa será outra. O ponta de lança argentino terá mais liberdade para fazer o seu jogo e colocar toda a sua elegância em campo, e com Bruno Fernandes mais perto da grande área, certamente que os nossos adversários irão ter sérias dores de cabeça.

Em jeito de conclusão, ainda é muito cedo para classificar Luciano Vietto como um “barrete” ou “flop” como se diz por aí, porque os génios são muitas vezes incompreendidos. A culpa não é deles, mas sim das pessoas que lá por saberem uma ou outra coisa de futebol, acham que têm o direito de crucificarem jogadores. Ter um treinador de ideias firmes e vincadas, que ainda não se conseguiu adaptar a este génio, também não ajuda ao desenvolvimento do atleta em si, porque a qualidade e classe está lá em cada passo que dá, em cada “perfumada” que oferece à bola.

Foto de Capa: UEFA

Revisto por: Jorge Neves

João Flora

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