Não estou preparado para escrever este texto e, sinceramente, não sei estaria alguma vez para fazê-lo. Mais cedo ou mais tarde sabemos que o dia vai chegar, por isso resta-nos aproveitar enquanto vemos Jérémy Mathieu de leão ao peito.

No seguimento das últimas notícias avançadas pela comunicação social, fala-se na possibilidade de Mathieu estar de saída do Sporting CP. O próprio jogador já veio esclarecer a sua situação, referindo que a suspensão do campeonato face à pandemia de COVID-19 que atravessamos está a afetá-lo de forma positiva, na medida em que permitiu que recuperasse da lesão e do problema crónico que sofre no tendão de Aquiles.

Quando se pensou que a sua saída estaria certa no final da época, este adiantou que a recuperação permite-lhe poder jogar pelo menos mais uma temporada. No ar fica a dúvida se continuará a vestir de verde e branco ou se terminará a sua carreira com outras cores. O central francês sempre manifestou o desejo de voltar a jogar pelo clube da sua formação, o FC Sochaux-Montbéliard. (Oxalá fossem todos assim)

Jérémy Mathieu chegou a Alvalade em 2017 proveniente do FC Barcelona e em relação à sua contratação há que referir quem teve o mérito na mesma. Hipocrisias à parte, é de se enaltecer o trabalho fantástico que Bruno de Carvalho e Jorge Jesus tiveram na vinda do centralão para Alvalade. Apesar de tudo o que aconteceu, há que reconhecer os inúmeros jogadores de qualidade que chegaram ao clube naqueles tempos.

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A saída de Mathieu poderá ditar o fim de um ciclo, dizer que ainda não saiu e já deixa saudades é efetivamente pouco. Tendo em conta a minha idade, posso dizer com toda a certeza que é o melhor central (e um dos melhores de sempre) que já vi jogar pelo Sporting CP. A sua qualidade é de deixar qualquer adepto de futebol rendido.

Durante muitos anos o setor defensivo leonino foi bastante fraco mas a chegada do francês mudou completamente esse paradigma. A qualidade, a segurança, a classe e a experiência que oferece em campo, fazem subir substancialmente o valor de uma equipa de futebol. Com 36 anos, fazer sprints como faz, não é para qualquer um e a garra que tem em cada jogo faz-me sentir que por vezes não o merecemos.

Ganhou praticamente tudo o que havia para ganhar pelo FC Barcelona, podia estar totalmente confortável por ter alcançado grandes feitos, mas o sucesso nunca foi proporcional à arrogância e isso prova o grande carácter e a humildade que tem.

Deixo o meu apelo à atual direção para fazerem todos os esforços e manter este jogador. Mathieu é daqueles jogadores que têm de estar numa estrutura de futebol mesmo após pendurar as botas. Se somos um clube de formador, nada melhor do que ter os bons exemplos por perto.

Chegou a Alvalade na fase final da carreira mas parece que sempre pertenceu aqui, vive o clube com uma paixão incrível como poucos que por aqui passaram viveram. Na minha memória ficará sempre aquele pé esquerdo temido em cada pontapé livre e além disso não poderei esquecer a sua reação após a conquista da Taça de Portugal 2018/2019: foi comovente e certamente carregou cada um de nós na sua alegria.

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