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Com a época a aproximar-se a passos largos do seu fim, parece-me possível fazer um balanço relativo a alguns aspetos da equipa leonina, importantes e oportunos, qualquer que seja o seu desfecho.

Muita coisa mudou nos últimos meses no que concerne às ambições desportivas e considero fulcral desconstruir toda esta maratona, desviando o foco daquele que foi talvez o momento mais importante: a chegada de Jorge Jesus.

Já se disse muito, já se escreveu outro tanto. Este assunto está até desgastado. Portanto, creio ser o momento – e uma vez que estamos na véspera de mais uma partida da Seleção Nacional A – de nos sentirmos orgulhosos não só pela equipa nacional que temos, mas sobretudo por todos as jovens promessas que se têm afirmado um pouco por toda a europa.

Falar de jovens é falar de formação. Quando somamos as duas parcelas, é impreterível lembrar o Sporting CP.

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Não apenas por todo o seu historial nesta área, mas porque é a equipa que mais jogadores empresta a todas as seleções nacionais.

Talvez se perca o fio à meada quando analisamos os últimos jogos da equipa leonina. E porquê?

Se no inicio da temporada a presença assídua de Gelson Martins e Matheus Pereira na equipa principal deixava os adeptos deliciados, agora a sua maior ausência causa alguma estranheza. O equilíbrio conseguido entre jovens e menos jovens, trouxe segurança e irreverência, termos que nem sempre são de fácil associação. Contudo e com a luta pelo título cada vez mais renhida, as “promessas” de Alvalade foram perdendo espaço em detrimento de uma opção legitima do nosso treinador. Ainda assim, todas as decisões são passíveis de análise.

Os “bês leoninos” vão fazendo a sua caminhada até à equipa principalFonte: Sporting CP
Os “bês leoninos” vão fazendo a sua caminhada até à equipa principal
Fonte: Sporting CP

Em contraponto a essa experiência que em muitos momentos traz mais segurança, o Sporting CP perdeu, podemos dizer, alguma imprevisibilidade que, por exemplo, Gelson Martins trazia ao jogo.

Com a chegada de Bruno César e a aposta efetiva em Teo Gutiérrez, o esquema tático manteve-se, mas a dinâmica sofreu algumas alterações interessantes, com Bryan Ruiz a descair para um flanco e Teo a jogar como segundo avançado.

Quanto a mim, Bryan rende mais no meio e Bruno César acrescenta pouco, primeiro porque não está na sua génese ser um extremo, e depois porque naquela posição afigura-se mais difícil fazer uso do seu principal atributo: o remate potente e colocado.

Atrás de tudo isto, apraz-me referir também as aparições constantes de Schelotto no onze verde e branco e consequentemente, o apagão de João Pereira, que até então tinha vindo a ser um jogador bastante importante no equilíbrio defensivo da equipa, como aliás ficou provado nos jogos de maior dificuldade. E depois de refletir um pouco sobre tudo isto, chego à conclusão, que para mim não é nova, de que todos os jogadores contratados por Jorge Jesus, têm lugar cativo na equipa titular.

Deixar apenas mais uma questão no ar. O Sporting CP tem, neste momento no seu plantel, um lateral direito jovem que teima em não se afirmar. Estou a falar de Ricardo Esgaio que é, para quem não sabe, o jogador da seleção sub-21 com mais internacionalizações (noventa e três). Até que ponto seria mais benéfico premiar o profissionalismo deste jogador, ao invés de gerir “birras” com chamadas à equipa principal de outros, que embora sejam mais experientes, não me parecem ter mais qualidade que o português.

É de extrema importância formar jogadores, habituá-los desde cedo a vencer, incutir-lhes os valores sportinguistas e sustentar o seu crescimento. Mas não é menos importante confiar nas suas capacidades, deixá-los viver um sonho com profissionalismo e ambição, definir objetivos e ajudá-los a cruzar a meta.

Há matéria prima e há vontade!

Ficam a faltar oportunidades nos momentos mais difíceis, porque é assim – no futebol e na vida – que todos crescemos.

Foto de Capa: Sporting CP