Na convocatória para o confronto europeu frente ao Qarabag FK havia um nome que surgia na lista de José Peseiro pela primeira vez: Miguel Luís, a quem as portas se abriram com as ausências de Misic e Wendel (lesionado). Pese embora tenha sido, posteriormente, remetido para a bancada, esta primeira aparição do jovem médio, para os mais atentos, não é uma surpresa. Miguel Luís é atualmente um dos talentos emergentes da cantera leonina e faz parte de uma geração que promete muito, tanto no Sporting CP como na seleção de todos nós, mas já lá vamos.

Miguel Luís ingressou na Academia de Alcochete em 2009, quando tinha apenas 10 anos, e desde aí foi subindo escalões de forma gradual e sustentada, assumindo-se sempre como uma das figuras e chegando inclusive a ostentar a braçadeira de capitão. Miguel Luís foi presença assídua na equipa de juvenis que se sagrou campeã em 15/16 e foi também um dos maiores destaques individuais da formação verde e branca que conquistou o Campeonato Nacional de Juniores em 16/17. O passo seguinte foi encontrar o seu espaço na equipa B dos leões e ser opção recorrente na UEFA Youth League. Ainda assim, os títulos arrecadados por este talentoso médio, na sua ainda curta carreira, não ficam por aqui. Para além dos títulos nacionais conquistados ao nível de formação, Miguel Luís conseguiu juntar-lhes dois troféus de campeão europeu com a camisola das quinas na qual o médio se assume como uma das estrelas que compõe a cintilante constelação que está a despontar em Portugal. A jovem promessa leonina ajudou com os seus golos e exibições regulares a conquistar o Campeonato Europeu de sub-17 em 2016 (cinco jogos e dois golos) e, posteriormente, foi também peça fulcral para levantar o troféu de campeão europeu mas desta vez de sub-19, no verão passado (quatro jogos e um golo).

Legenda: Jovem médio exibiu-se em bom plano no Europeu de sub-19 durante o verão
Fonte: Site FPF

Dono de um palmarés que fala por si e com uma evolução sólida de ano para ano, Miguel Luís é considerado, atualmente, como uma das promessas mais entusiasmantes a serem gestadas em Alcochete. Aliás, o facto de Miguel Luís estar há sensivelmente um mês a treinar com os “pesos pesados” do Sporting CP e a sua aparição surpresa na última convocatória de Peseiro demonstram por si só que há algo de especial no jovem natural de Coimbra. José Peseiro é um treinador que se tem mostrado atento ao “viveiro” de talentos do clube de Alvalade e se Jovane Cabral tem sido uma aposta evidente (e bem sucedida até agora, diga-se de passagem), o técnico leonino tem estado a acompanhar de perto uma geração de jogadores que o encantam e da qual Miguel Luís faz parte. Algo que ficou bem explícito quando foi questionado acerca dos empréstimos de jogadores como Matheus Pereira, João Palhinha e Francisco Geraldes, pois quanto a isso José Peseiro não hesitou e atirou “Qualquer dos três jogadores da formação que saíram quiseram muito sair. O Miguel Luís, o Elves Baldé e o Thierry Correia querem muito ficar”. Para além de Miguel Luís, Thierry Correia, Elves Baldé e Luís Maximiano são jogadores nascidos também em 1999, que jogam juntos há vários anos e todos eles integram a dia de hoje os treinos do plantel principal verde e branco. O futuro leonino começa a pintar-se de um verde esperançoso com uma fornada de jovens que promete dar muitas alegrias aos sportinguistas, mas agora é tempo para que eles façam a transição mais difícil: a de juniores para o futebol profissional.

Legenda: Miguel Luís faz parte da nova geração de ouro do futebol português
Fonte: Seleções de Portugal

Miguel Luís é atualmente internacional sub-20, tem apenas 19 anos mas possui muito futebol nos pés. O franzino médio (1,78m e 71kgs) é destro e joga habitualmente como médio centro, um “número oito” no papel, mas que se notabiliza por ser um centrocampista muito versátil. Não são raras as vezes em que sobe no terreno e demonstra qualidade não só para se movimentar por dentro mas também por fora, com as suas habituais incursões e diagonais para e pelos corredores laterais. O jovem formado em Alcochete é um médio com uma boa capacidade de chegada à área adversária e possui um faro de golo assinalável para um “número oito”. No entanto, o que mais se destaca no jogar de Miguel Luís são, diria eu, a inteligência e a sua maturidade acima da média. É um futebolista que joga sempre de cabeça levantada, com um excelente toque de bola ao qual alia uma grande eficácia no capítulo do passe. Para além disso, é um jogador de equipa que se sente confortável com a bola nos pés, oferece linhas de passe sucessivas e nunca se esconde do jogo.

O futuro imediato de Miguel Luís irá passar por continuar a treinar com o plantel principal mas, com certeza, jogará de forma mais regular na equipa sub-23 leonina de forma a queimar mais uma etapa no seu crescimento futebolístico, sem pressas, mas que aos poucos se vai revelando como um médio extremamente fiável. Este passo na carreira permite também que se mantenha debaixo de olho de José Peseiro e consequentemente à espreita de uma oportunidade na equipa principal e quiçá a ansiada estreia lhe seja presenteada. O seu potencial e margem de progressão são entusiasmantes mas ainda muita bola tem que rolar para que Miguel Luís comece a ser uma constante nas convocatórias, mas a verdade é que a primeira já a conseguiu. A partir de agora os adeptos sportinguistas estarão cada vez mais atentos ao despontar de mais um jovem talento com o selo da reputada Academia de Alcochete.

Foto de Capa: Bola na Rede

Comentários

Artigo anteriorSaudades do golo fácil
Próximo artigoO médio defensivo dos leões… ou como mascarar a sua falta
Amante de desporto em geral mas desde cedo o futebol fez parte da sua vida. Estudante de jornalismo movido por uma curiosidade desmedida e com o sonho de chegar ao jornalismo desportivo. Apaixonado pelo futebol na sua essência e sempre interessado em pensar o jogo e em refletir sobre o fenómeno em si. Num jogo que tantas emoções desperta, nada melhor que palavras para as exprimir, assim o gosto pela escrita e a paixão pelo futebol fundem-se num só.                                                                                                                                                 O Xavier escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.