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Ser Sportinguista é uma das condições mais bonitas que conheço. Claro: digo isto já inebriado por anos de devoção clubística, mas também pelas qualidades, quase inaptas, que ser Sportinguista nos pode trazer. Quando no argumentário adversário está o trunfo de não sermos Campeões há tantos anos, a proveniência desta oratória nem sequer repara que nós somos imunes a isto. É uma questão de carácter, difícil de explicar. Pode até tratar-se de um caso científico da organização das massas desportivas. Trata-se mesmo.

Vamos sempre para a nova época renovados no espírito. “Este ano é que é” – para eles é uma frase cómica, para nós é a tradução desta fé incessante, despojada da chantagem dos títulos. Mas há mil razões para acreditar. A equipa joga futebol a sério e já há muito tempo que não nos dávamos ao luxo de dizer que fizemos aquisições em vez de contratações. Depois há a questão do ponto de vista. Ganhar a acabar o jogo pode espelhar a incapacidade de produzir ao longo do tempo da partida, mas também pode espelhar o estado de uma equipa que já sabe lutar até ao apito final. Jorge Jesus tem razão. Esta equipa tem maturidade mental, e nem sempre este predicado está nas mãos do treinador. A verdade é que hoje temos mais dois ou três grandes cérebros em campo que se juntaram ao aparelho cerebral existente. Não soa bem, mas dá para entender, até porque assistir à constituição inicial da equipa dá gosto e confiança. Síndrome de equipa crescida.

É neste grupo que os Sportinguistas acreditam fortemente Fonte: Sporting CP
É neste grupo que os Sportinguistas acreditam fortemente
Fonte: Sporting CP

Mas como eu estava a dizer, há mil razões para acreditar. Este arranque de campeonato é singular e nós sabemos como isto funciona. Os ciclos de vitória às vezes pegam-se e uma vitória puxa a outra. Há de certeza uma definição primária na psicologia para explicar isto, e é assim que a galvanização sobrevive. Certo é que chegará o jogo em que não virão três pontos, mas vamos adiando. Adiando sempre. E uma equipa destas sabe adiar.

Mas falemos também do futebol a sério, que no final das contas sempre é o mais importante. E é aqui que os Sportinguistas mais podem sorrir. É que estamos perante um dos plantéis mais completos da década, e esta elevação justifica-se não somente com a qualidade dos jogadores, mas também com o comportamento nos vários momentos do jogo. Há arestas por mim, mas quem não as tem? Contudo a questão predominante é mesmo esta: são arestas, pormenores; a base já está montada com um núcleo de jogadores que parecem jogar juntos há vários anos com a mesma ideia de jogo. Depois digam que o homem não percebe nada disto.

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Para terminar, repito: há mil razões para acreditar. E uma delas somos nós, Sportinguistas. Eles não sabem, mas cada ano que passa estamos cada vez mais perto. Eles não sabem mas esta devoção é isenta de cobranças. Eles não sabem, Sportinguistas, mas existem Mil razões para acreditar. Todos juntos. Como sempre.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

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