A CRÓNICA: DOIS GOLOS ANULADOS E UM ERRO FATAL PERMITIRAM O EMPATE DO MOREIRENSE FC

Jogo entre Moreirense FC e Sporting CP. O último jogo da 25ª jornada opunha o oitavo classificado ao primeiro. Os leões estavam “obrigados” a vencer após ter visto os seus concorrentes diretos a vencerem os seus respetivos encontros, nesta jornada.

O relvado foi regado antes do aquecimento, encontrando-se em ótimas condições e tornando o jogo mais rápido.

A primeira falta do jogo surge por Filipe Soares (Moreirense), sobre Palhinha (Sporting).

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O Sporting começou o início do jogo a tentar meter pressão, mais pelo seu lado direito, com iniciativas de Nuno Mendes. Ainda assim, os minutos iniciais foram divididos.

O primeiro remate surge apenas aos nove minutos. Rafael Martins, melhor marcador da equipa da casa, adiantou-se, em velocidade, ao capitão dos leões, Coates e fez um remate que podia ter levado perigo à baliza de Adán, mas o remate não sai com a direção desejada.

A resposta da equipa de Alvalade surge dois minutos depois, com uma jogada que tem início nos pés de João Mário que, tentando combinar com Daniel Bragança, já na grande área adversária, tenta passar para o centro, mas a bola foi desviada.

Numa altura, onde o Sporting CP já dominava o jogo, João Mário, após jogada de Nuno Mendes, ao minuto 16, cruza para Paulinho que não chega. No mesmo lance, Porro, na recarga remata mal.

Um Sporting que tenta fazer um encaixe diferente a aprender a jogar com Paulinho na frente e com Daniel Bragança e o primeiro golo do jogo acaba mesmo por sair destes dois jogadores. Da direita, um cruzamento teleguiado, efetuado por Daniel Bragança para Paulinho que cabeceia, Pasinato ainda defende, mas a bola acaba por sobrar para Paulinho, que na recarga, faz o primeiro golo ao serviço dos leões.

Na tentativa de reagir, Walterson partia para o ataque, mas foi travado em falta por João Palhinha que resultou num livre por Abdu Conté, que não levou perigo à baliza dos leões. O Moreirense foi tentando criar algumas jogadas de ataque sucessivas, mas o Sporting a resolver, sem dificuldade. Contudo, um lance de da equipa da casa, resulta num cruzamento para Walterson, na grande área, cortado por Feddal. O banco do Moreirense reclamou por pênalti.

Numa falta de Franco, sobre Nuno Mendes, ao minuto 34, os leões pediram um cartão amarelo para o jogador da casa, mas o arbitro não mostrou. Contudo, Nuno Mendes ficou lesionado nesse lance e acabou por ser substituído por Matheus Reis.

Numa arrancada do jogador brasileiro que tinha acabado de entrar, Abdoulaye faz falta e o árbitro acabou por mostrar o primeiro cartão amarelo do jogo. Por protestos, João Pinheiro mostrou amarelo a Rúben Amorim, por reclamações sobre o lance de Nuno Mendes. No lance que se seguiu, um livre foi marcado, mas cortado pela formação de Moreira de Cónegos.

Já perto do intervalo, ao minuto 44, pressão alta dos jogadores do Sporting CP que permitiu que a bola chegasse a Paulinho que acabou a correr para a baliza e frente a frente com o guarda-redes, colocou a bola no fundo das redes. O árbitro ainda validou, mas o VAR acabou por assinalar fora-de-jogo ao avançado dos leões.

Na segunda parte, o Sporting CP entrou decidido em fazer o segundo golo. Primeiro, por um livre marcado por Porro que Coates não conseguiu desviar e segundo, um lance perigoso, com um remate de Pedro Gonçalves que não conseguiu concretizar e na recarga, Palhinha remata, mas a bola sai à figura de Pasinato.

Abdoulaye foi substituído após essa jogada, para a entrada de Steven Vitória.

A insistência do Sporting era constante e ao minuto 57, um cruzamento para a área do Moreirense, resulta em golo de Pedro Gonçalves. O lance foi invalidado pela equipa de arbitragem e o VAR confirmou. “Pote”, estava dois cm adiantado em relação ao pé de Steven Vitória.  Enquanto houve esta espera, Daniel Bragança deu o seu lugar a Tiago Tomás.

Ao minuto 63, uma jogada ofensiva do Moreirense FC, na sua insistência acabou com uma falta de Matheus Silva, sobre João Palhinha.

A resposta surge ao minuto 66, por parte dos leões. Uma jogada de ataque resulta num passe a desmarcar Matheus Reis, mas Walterson conseguiu fazer a recuperação, na grande área.

Seguiu-se dupla alteração na equipa da casa, Rafael Martins foi substituído por André Luís e Yan Matheus entrou para o lugar de Pires.

Yan Matheus que foi apanhado em fora de jogo. Antes do apito, Adán teve de sair da grande área para fazer a cobertura. O Moreirense FC deixava assim o aviso que tinha uma palavra a dizer.

Ao minuto 74, Abdu Conté marca um livre, mas a bola sai com demasiada força para Rosic

De seguida, Franco e Matheus Silva deram o lugar a David Simão e Anthony D’Alberto.

Ao minuto 78, Tiago Tomás leva cartão amarelo, enquanto ao minuto 79, João Mário, de canto, cruza para a cabeça de Feddal que tenta desviar a bola, mas acaba por sair ao lado.

No minuto 83, Paulinho ainda consegue fazer o passe para Matheus Reis que desvia, mas a bola é cortada pela formação do Moreirense para canto. Na conclusão, João Mário cruza para o segundo poste, mas a bola sai sem perigo.

No lance seguinte, a equipa da casa tentou um contra-ataque rápido que resultou em livre, após falta de Palhinha. Antes da cobrança desse livre, Pedro Gonçalves foi substituído por Matheus Nunes. O livre não levou perigo à baliza leonina.

À medida que o jogo chegava perto do fim, o Moreirense FC pressionava os leões e à entrada do minuto 90, Walterson acabou por bater Adán, com um remate fora da área voltando a estabelecer a igualdade.

O Sporting tinha apenas a compensação para tentar chegar à vitória, mas não foi suficiente. Os leões terminam assim um ciclo de três vitórias consecutivas e permitem que o FC Porto se aproxime, ficando agora a oito pontos do líder Sporting.

 

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso/ Bola na Rede

Paulinho – estreia a marcar pelos leões e um bom jogo efetuado. Nota-se, com o urgir do tempo, o entrosamento que tem para com o jogo em si e para com as dinâmicas criadas junto dos colegas de equipa. Foi fiel e igual a si próprio: vinha recolher e construir a partir do meio-campo, apoiava as zonas mais centrais do terreno e criava espaços entrelinhas, de modo a que Pote ou João Mário pegassem no jogo. Começa a fazer sentir a sua presença…

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Cardoso/ Bola na Rede

A incapacidade do Sporting CP – ao longo do jogo, a superioridade leonina verificou-se. Mais posse de bola, o dobro dos remates e dos cantos, mas a mesma não se verificou no resultado. Excetuando os dois golos anulados e o primeiro golo de Paulinho ao serviço dos leões, o Sporting CP teve apenas mais dois remates à baliza. O Sporting foi competente em muitos jogos, marcando no tempo de compensação. A tal estrelinha.

Contudo, numa jornada, em que o FC Porto (segundo classificado) ganha a 30 segundos do fim, o SL Benfica (terceiro classificado) ganha com o primeiro pênalti a favor esta época e o SC Braga (quarto classificado) marca nos descontos, parece que a mesma não se iluminou, esta jornada, para a turma de Alvalade.

 

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

Vasco Seabra apostou num 4-3-3, sendo que muitas vezes, apenas Walterson e Rafael Martins é que chegavam à frente. Foi visível que a equipa deu primazia à organização defensiva. Ponto interessante é o facto da equipa não ter apostado muito em contra-ataques rápidos. Muitas vezes, a bola chegava ao meio campo e era construída a partir dos médios, quer de Filipe Soares, quer de Gonçalo Franco.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pasinato (6)

Matheus Silva (5)

Rosic (5)

Abdoulaye (4)

Abdu Conté (5)

Fábio Pacheco (5)

Franco (4)

Walterson (7)

Filipe Soares (5)

Pires (5)

Rafael Martins (6)

 

SUBS UTILIZADAS

S. Vitória (6)

A. Luís (5)

Y. Matheus (5)

D. Simão (5)

D’Alberto (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Rúben Amorim apresentava duas novidades no seu 11. Em primeiro, o regresso de Paulinho a titular após ter recuperado de lesão e de seguida, Daniel Bragança, que permitiu o Sporting não ter começado em 3-4-3, mas sim em 3-5-2, onde o objetivo era garantir a supremacia do meio-campo e construir jogadas de combinação e de ataque continuado.

A tática virou para 3-4-3, após a substituição de Daniel Bragança com Tiago Tomás, mas acabou por não surtir efeito.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Adán (5)

Pedro Porro (5)

Gonçalo Inácio (5)

Coates (5)

Feddal (5)

Nuno Mendes (6)

João Palhinha (6)

João Mário (6)

Daniel Bragança (7)

Pedro Gonçalves (5)

Paulinho (7)

 

SUBS UTILIZADAS

M. Reis (6)

T. Tomás (4)

M. Nunes (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Moreirense FC

BnR: A armadilha do fora de jogo, arma utilizada pelo adversário na maioria dos jogos desta temporada, foi aqui urdida de forma exímia. Não quero estar enganado, mas penso que foi o jogo no qual observei maior preocupação em adotar esta estratégia estratégia. Pergunto-lhe se isso foi um fator determinante para travar este Sporting CP.

Vasco Seabra: Sim, tivemos uma preocupação grande no controlo e melhoria do nosso desempenho defensivo. Penso que a nossa preocupação em adotar essa estratégia não  Conseguimos manter a linha coesa, reduzir o espaço nas costas e reduzir o espaço entrelinhas. Os jogadores comprometeram-se a isso e foram premiados.

 

Sporting CP

BnR: Durante a partida, não vimos o Daniel Bragança declaradamente atrás dos dois avançados. Vimo-lo, sim, muitas vezes como interior na linha do João Mário, como que uma espécie de triângulo invertido. Pareceu-me ver o João Mário a ter mais bola em zonas adiantadas. E parece que, por já não haver um trio na frente, e existir um Bragança mais recuado e menos central, se esse facto empurra o João Mário e progredir com bola. Dada a sua qualidade, pode germinar outro critério na equipa: mais posse e mais gestão em zonas adiantadas…Pergunto se isso pode trazer o João Mário mais vezes a invadir o último terço?

Rúben Amorim: Vai depender de jogo para jogo, dos jogadores com diferentes características que vamos encontrar. O Dani também joga bem de frente para o jogo e também pode assumir essas funções. Estamos a melhorar como equipa. Se quando ganhávamos ainda precisávamos de melhorar, agora que empatamos também necessitamos disso. Nada mudou. Temos é de centrar e manter o foco no próximo jogo, mais nada.

Artigo de opinião realizado por João Estanislau e Romão Rodrigues