Durante toda a temporada, a equipa do Sporting CP apresenta um sistema extremamente idêntico de jogo para jogo, contudo, o trio de ataque é o setor com mais mudanças de dinâmicas. Tipicamente, Rúben Amorim começa o jogo com um 2-1 no ataque; no entanto, com o decorrer do jogo, pode eventualmente mudar para um 1-2. É importante analisar o que cada uma destas dinâmicas oferece e o que é possível retirar de cada uma delas.

Utilizarei o último jogo frente ao Vitória SC como forma de exemplificar o 1-2 no ataque, ou seja, com um médio ofensivo centro e dois avançados. Este sistema foi bastante útil frente à formação de Guimarães e serviu para “congratular” as boas exibições de Daniel Bragança, vindo do banco. Bragança atuou como médio centro ofensivo e Tiago Tomás e Pedro Gonçalves jogaram à sua frente.

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Com um médio ofensivo a jogar no centro, a ligação entre o meio-campo e o ataque ficou mais facilitada, o que aumentou a procura pelo jogo interior, alterando desta forma a norma que tinha vindo a ser registada nos jogos anteriores, que era de uma grande procura pelo jogo exterior, com várias sobreposições dos alas.

Esta nova dinâmica confundiu os vimaranenses, pois os leões continuaram a ser muito fortes no jogo exterior (devido à grande forma de Pedro Porro e de Nuno Mendes) e, para além disso, aumentaram a qualidade de jogo pelo centro de terreno. Sem bola, muitas das vezes, os leões continuavam com os dois avançados, só que Bragança baixava no terreno e juntava-se a João Mário e Palhinha, que antes era o par de João Mário, ocupa a posição entre o meio-campo e a defesa.

João Mário é um dos pêndulos do meio campo leonino e oferece tranquilidade ao jogo
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Desta feita, analisando agora a dinâmica que tinha vindo a ser hábito para os leões, o 2-1 na frente permite, como já foi dito antes, uma exploração maior dos corredores. As duplas nas alas (Nuno Mendes/Nuno Santos e Pedro Porro/Pote) estão muito bem oleadas e funcionam muito bem, sendo que ambas têm tendência e facilidade a cruzar.

Desta forma, torna-se mais fácil ganhar superioridade nos corredores e, para além disso, o extremo do lado contrário ao que tem a bola, tem facilidade a juntar-se ao avançado centro e, consequentemente, ser mais uma opção para receber o cruzamento (golo de Nuno Santos ao FC Porto). Esta superioridade nos corredores não implica que o setor central seja mais fraco, pois, mesmo com a dupla central de meio campo a dar muita segurança e qualidade ao jogo do Sporting CP, Pote e Nuno Santos também, várias vezes, recuam no terreno, quer seja para procurar bola ou para ajudar a recuperá-la.

Com as duas variantes minimamente explicadas, podemos perceber quais circunstâncias que podem ser propícias à utilização de um ou outro sistema. Frente a equipas que se resguardem mais e que os extremos/médios exteriores baixem tanto até ao ponto em que atuam quase como um segundo defesa lateral, o mais provável é que jogar em 2-1 não seja assim tão vantajoso, visto que muito dificilmente o Sporting CP irá ter a tal superioridade no corredor, pois o adversário já tem no corredor os mesmos jogadores que os leões metem nessas zonas, que são dois.

Ou seja, a superioridade numérica no corredor torna-se mais difícil de alcançar. Posto isto, se jogarmos com um 1-2 na frente, contra esse tipo de equipas com bloco muito baixo, os nossos alas (que também podem tirar proveito de uma falha/desconcentração do adversário ou ganhar vantagem numa jogada individual)  continuam a obrigar que o adversário tenha muita largura a defender e ter mais um leão no centro do terreno, neste caso o médio centro ofensivo, pode facilitar a exploração desses mesmos espaços interiores.

Daniel Bragança pode assumir a função de criativo, diante de equipas com blocos mais baixos
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Por outro lado, defrontando uma equipa que jogue de igual para igual com o Sporting CP, ou seja, frente a uma equipa que se saiba – à partida – que não irá ter tanta bola e que não dominará totalmente o jogo, a meu ver, o 2-1 parece-me mais indicado. Desta forma, o Sporting continua extremamente forte a defender e pode procurar a subida dos laterais adversários para causar perigo nessas mesmas zonas. Relembro-me da jogada de golo em Alvalade frente ao SL Benfica: as águias estavam subidas, os leões recuperaram a bola e Jovane explorou logo o espaço deixado por Gilberto; recebeu, cruzou e a bola sobrou para Porro, que cruzou de novo e acabamos por marcar. Lá está, a jogar em 2-1, houve espaço nos corredores e deu em golo.

Para finalizar, quero apenas relembrar que, lá pela equipa alinhar em 2-1 ou 1-2 no ataque, não quer dizer que possa (ou não) acontecer alguma das características que elenquei: por exemplo, lá por estar em 1-2, não quer dizer que o Sporting CP não possa ter ocasiões de superioridade nas alas, nem quer dizer que por estar em 2-1, os leões não consigam jogar no espaço interior de forma exímia; isto está sujeito a acontecer, visto que os jogadores não são peças fixas nem exploram sempre os mesmo movimentos.

No entanto, com este artigo, apenas demonstro, pelo que se avistou deste Sporting CP, que estas são as características que os leões apresentam quando o triângulo ofensivo está de uma ou outra forma e indico aquelas que, na minha opinião, são as melhores formas de tirar partido de uma ou outra dinâmica.

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