Núcleo Semanal
Exaustos. Não há outra palavra para descrever o estado em que estávamos. Dores nas pernas tentavam impedir-nos de continuar a saltar; a rouquidão, criada por um misto de esforço vocal e gargantas desprotegidas por cachecóis que se queriam soltos, tentava calar-nos a voz; os braços pesavam toneladas e davam-nos sinais de que tínhamos de parar de os levantar; o frio apertava e lembrava-nos que, mesmo suados, não devíamos estar a usar apenas uma t-shirt.

Ignorámos todos os sinais do nosso corpo. De braços no ar, punhos cerrados e músculos contraídos, continuámos a forçar a voz. Gritámos o mais alto que pudemos, a puxar por colegas de Curva. “Vamos! Se nós não cantarmos, eles não ganham!” Cada posse de bola era um novo incentivo que nos fazia exceder a nós próprios, mostrando forças que julgámos já não ter.

Crescemos a ouvir elogios na televisão à “mentalidade diferente” dos ingleses de Liverpool, do fair-play dos Leões de Glasgow, da força vocal dos homens de Dortmund, da festa coletiva das bancadas do Flamengo. Só tínhamos de fazer o mesmo. E fizemos. Um último esforço transmitia uma vontade e um sentimento de milhões: NÓS ACREDITAMOS EM VOCÊS!

Acreditámos. Acreditámos em Alvalade, Coimbra, Loulé, Braga, Porto, Luz e Guimarães. Eles fazem-nos acreditar. O seu esforço, a sua dedicação e devoção leva-nos a sonhar com a glória. E seja ela atingida ou não, nós cantamos. O sentimento é sempre o mesmo. Porque continuamos acreditar, no fim de cada vitória e no fim de cada derrota.

Fomos para casa ainda mais exaustos. Com mais dores nas pernas, mais roucos, os braços mais pesados e com ainda mais frio. Mas acreditámos. Acreditámos no golo tardio em Braga, na reviravolta com o Marítimo, no empate com o Benfica, na vitória em Guimarães. Lutámos por isso. Ajudámos a colocar o Sporting a liderar o campeonato. E todos os vossos pontos também são nossos, porque nós acreditamos em vocês.

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