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Notas sobre o Clássico | FC Porto

Bernardo Lobo Xavier · 5 min

Clássico
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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Depois de há mais de um mês ter vencido em Alvalade por 2-1, o FC Porto confirmou o apuramento para a final da Taça de Portugal, no Clássico em casa, com nova vitória sobre o conjunto leonino, desta feita, por 1-0. Os azuis e brancos regressam assim ao Jamor, palco que pisaram pela última vez em 2019.

Na ressaca do jogo da segunda mão, deixo aqui algumas breves notas sobre o Clássico que os comandados de Sérgio Conceição venceram com todo o mérito.

Uma parte para cada lado

O Sporting CP esteve por cima do jogo na primeira parte e, sem ter criado grandes oportunidades de perigo, é certo, foi sempre a equipa mais dominadora nos primeiros 45 minutos. O FC Porto, estrategicamente, entrou na partida a dar a iniciativa de jogo ao adversário que, por via do resultado da primeira mão, se via obrigado e marcar dois golos no reduto portista.

Nos 10 minutos finais do primeiro tempo, os dragões equilibraram a partida e deram o mote para uma segunda parte de domínio total. Um FC Porto muito pressionante e taticamente perfeito foi capaz de manter o Sporting CP sempre longe da sua baliza e acabou por carimbar o passaporte para a final sem passar por grandes sobressaltos.

A superioridade portista no segundo tempo do Clássico foi mais evidente do que o domínio leonino no primeiro. Portanto, vitória justa.

Clássico
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O canto do cisne

Minuto 50. Marca a última e mais perigosa aparição do Sporting CP no jogo. Matheus Nunes, isolado, permite a defesa a Marchesín. A partir daí, não mais se viu os pupilos de Rúben Amorim a rondar a baliza do FC Porto. Foi a melhor e, talvez, única oportunidade do Sporting CP no jogo. Isto se descontarmos o golo bem anulado a Sarabia na primeira parte.

Sala de máquinas

Foi no meio campo portista que esteve, uma vez mais, o segredo para o sucesso neste Clássico. No papel, o FC Porto jogou apenas com dois médios, mas pode quase dizer-se que joga com 4, tantas são as vezes que Otávio e Fábio Vieira procuram jogo interior.

Vitinha é maestro, gere o ritmo, joga e faz jogar. Grujic, muitas vezes no meio dos centrais, foi responsável por retirar Paulinho do jogo. Otávio e Fábio foram, como habitual, fantasistas operários e fizeram, uma vez mais, a diferença com e sem bola. É a sala de máquinas portista mais bem oleada da era Conceição.

ADN Porto

De facto, o FC Porto é mesmo um clube diferente. A atitude competitiva dos azuis e brancos não tem paralelo em Portugal. Ano após ano, independentemente dos títulos conquistados ou do requinte do seu jogo, é a equipa com maior agressividade (no bom sentido) competitiva do nosso futebol. E os rivais parecem não aprender.

É nos momentos de picardia que o FC Porto encontra o combustível para se agigantar. Frases como “40 anos disto” ou “há coisas que me dão vontade de rir” vão ficar marcadas na memória dos adeptos portistas e foram erros de palmatória das hostes leoninas que apenas serviram como motivação extra para os lados da invicta. Notou-se bem, na hora dos festejos.

Dobradinha?

Com a passagem à final da taça, o FC Porto encontra-se em posição privilegiada para conquistar a chamada dobradinha. O campeonato está encaminhado e praticamente fechado e os pontos que faltam para a confirmação serão uma mera formalidade. O FC Porto vai mesmo ser campeão nacional pela 30.ª vez na sua história.

A final da Taça frente ao Tondela (sem desprimor pelos beirões) abre fortes perspetivas de conquista de mais um título e Sérgio Conceição está muito próximo de aliar a conquista do campeonato à conquista da taça pela segunda vez na carreira.

Coração de Dragão

Na semana passada já aqui ressalvei o papel que Sérgio Conceição tem desempenhado no FC Porto nos últimos anos. É, nesta fase, o ativo mais importante que o clube tem nos seus quadros e o grande responsável pelos resultados que o clube tem obtido.

Está a caminho da conquista do terceiro título de campeão em cinco possíveis numa época de vacas magras no clube e de avultados investimentos do principal rival. Exponencia o ADN Porto e está cada vez mais refinado a nível técnico e tático.

Grujic

O médio sérvio que atuou no lugar habitualmente ocupado por Uribe fez um jogo muito competente e foi a peça chave na estratégia portista. A forma como recuou para junto dos centrais permitiu controlar os movimentos em apoio de Paulinho e libertar os laterais para a escolta ao alas do Sporting CP. Com isso, o FC Porto retirou aos leões os seus pontos mais fortes, a largura e a profundidade.

Marchesín

A qualidade de Diogo Costa é inegável e a aposta num jovem de enorme qualidade e potencial da formação é mais do que justificável. Ainda assim, qualquer portista dorme descansado sabendo que está no banco um guarda-redes com a mesma qualidade (em alguns momentos do jogo acho, até, que o argentino supera Diogo Costa) do titular.

Na quinta-feira, uma vez mais, Marchesín voltou a apresentar-se em excelente nível e foi decisivo (a defesa que faz a remate de Matheus Nunes no início da segunda parte é de capital importância) para o triunfo portista. Pela exibição e pelo profissionalismo merece esta menção honrosa.

Homónimos

Pepe e Pepê. Por razões distintas merecem este destaque individual. Pepe porque esteve fora do Clássico até bem perto do início da partida e porque voltou a mostrar a importância que tem para a equipa. Pela qualidade que exibe, pela liderança e pela enorme experiência que tem.

Já o extremo brasileiro, merece que lhe sejam reconhecidos os méritos por um desempenho francamente positivo numa posição que não é a sua. Sérgio Conceição voltou a apostar em Pepê para a lateral direita defensiva (desta feita num jogo de máxima exigência) e este voltou a apresentar-se a um nível alto.

Clássico
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Toni

Última nota, como não podia deixar de ser, para Toni Martinez. O avançado espanhol decidiu o Clássico poucos segundos depois de entrar. Não tem a qualidade individual dos seus concorrentes, mas vai mostrando a sua utilidade sempre que é chamado à ação.

Apesar da menor utilização, mostra-se sempre disponível para ajudar a equipa e a forma como festejou o golo mostra bem o compromisso do jogador para com o treinador e os seus colegas de equipa e o carinho que tem pelo clube e pela cidade. E isso, por si só, merece este reconhecimento final.

Em suma, foi um jogo (e uma eliminatória) recheado de motivos de interesse (mais factos, momentos e protagonistas haveria a destacar) e do qual o FC Porto foi um justo vencedor. A época avança de forma galopante para o seu final e estão cada vez mais escancaradas as portas de um Maio totalmente azul e branco. Que assim seja.

Bernardo Lobo Xavier

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