A pré-temporada arrancou e o Sporting CP desempenhou quatro partidas visíveis ao público. Em cada uma delas, foi possível sentir o entusiasmo por voltar a ver os leões de Alvalade em ação, assim como dar uma vista de olhos nos reforços do plantel e analisar novas dinâmicas da equipa.

Primeiro, a lista de convocados para o estágio do Algarve: mais uma vez, podemos ver que Ruben Amorim está atento à formação do Sporting CP e se preocupa não só com o sucesso a curto-prazo, mas também com as soluções para o futuro. Diego Callai, Flávio Nazinho, Gonçalo Esteves, Rodrigo Fernandes, Bruno Paz, Dário Essugo, Tiago Ferreira, Geny Catamo e Joelson Fernandes fizeram parte dos convocados para o estágio do Algarve, e a maior parte deles somou minutos.

Tanto na primeira partida frente ao Portimonense SC, como na terceira diante dos franceses do Angers, foi testada uma nova dinâmica entre o ala e o extremo interior. Enquanto que habitualmente o primeiro habita em zonas largas do terreno e o segundo em espaços interiores, nestes dois jogos registou-se precisamente o contrário. Ricardo Esgaio, que no momento defensivo era lateral, na transição ofensiva viajava para o meio-campo ou mesmo para a zona atacante.

Já Tabata e Joelson, os dois jogadores que partilharam o corredor com o reforço de verão, iniciavam as suas ações a partir da ala. Esta dinâmica pode ser uma maneira de Rúben Amorim, durante a temporada, encaixar os extremos que se sentem melhor a desequilibrar a partir da linha de fundo, mantendo a mesma estrutura do 3-4-3. Os casos de Gonzalo Plata e de Joelson Fernandes são os mais sonantes, pois ambos são exatamente esse tipo de jogador.

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Com a saída de João Mário para o rival, o Sporting CP ficou carenciado de uma opção para o meio-campo. Apesar de Ugarte estar cada vez mais próximo de Alvalade, a verdade é que Rúben Amorim testou outro atleta na posição oito: Bruno Tabata. O internacional sub-23 pela seleção brasileira mostrou boas indicações a fazer o papel que João Mário fazia na temporada passada, aproveitando a liberdade dada por João Palhinha para ser participativo no momento ofensivo, demonstrando a sua capacidade de desequilíbrio e visão de jogo.

Outro meio-campista que demonstrou ser um sério candidato à titularidade foi Daniel Bragança. O talento da academia de Alcochete foi capitão de equipa no primeiro jogo da pré-temporada e atuou como médio mais recuado. Mostrou que com bola é o melhor médio leonino, pela sua capacidade de criação e organização de jogo. Porém, no momento sem bola teve mais dificuldade.

Apesar de gostar da ideia de Daniel Bragança como um seis organizador de jogo, reconheço que a sua coabitação com João Palhinha fará mais sentido, pois são a antítese um do outro: um destrói, o outro constrói. A dupla João Palhinha – Daniel Bragança poderá ser de sucesso numa construção de jogo com cinco elementos (três centrais + dois médios), algo que permitirá Bragança ver o jogo de frente.

Na defesa, vários jogadores deram boas indicações. Gonçalo Inácio foi um senhor com bola, revelando maturidade e qualidade de passe: mais uma vez, mostrou que a jogar como central do meio pode ser o patrão da defesa. Porém, como há Coates, acho que a solução melhor para montar uma defesa leonina mais forte, sobretudo no momento da construção, era contratar um central destro para o lado direito da defesa, para acompanhar Coates no meio e Gonçalo Inácio na esquerda, na temporada que se avizinha.

Matheus Reis, a jogar como central do lado esquerdo, fez várias “arrancadas” que desequilibraram o adversário, aparecendo muitas vezes em zonas atacantes. Já o reforço Rúben Vinagre, apesar do pouco tempo de jogo, demonstrou que pode ser uma boa opção caso a ausência de Nuno Mendes se verifique.

Temporada
Rúben Vinagre agarrará a titularidade da ala esquerda, caso Nuno Mendes saia
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

No ataque, tenho dois pontos a apontar. Acredito que Jovane Cabral terá mais minutos na temporada que se avizinha, pois parece um jogador mais inteligente, que trabalha melhor de costas para a baliza e está mais incisivo e criterioso no passe. Se o avançado cabo-verdiano conseguir ser regular ao longo da época, poderá ser uma arma muito perigosa. Paulinho continua a ser a referência no setor ofensivo, e a demonstrar cada vez mais intrusão e evolução na sua forma. Porém, o Sporting CP não pode depender de um ponta de lança só para atacar uma temporada tão exigente como a que aí vem.

O balanço da pré-temporada é positivo, mas não pode descansar ninguém. É preciso continuar a evoluir e a trabalhar, de modo a colher frutos num futuro que esperamos que seja bastante próximo.

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