Núcleo Semanal

Não passei muito tempo a jogar à bola. Talvez seja por isso que passo tanto tempo a falar sobre ela: mágoas de quem tem 2 pés esquerdos. 2 pés esquerdos como o pé direito do Capel, claro.

Mas nos poucos anos que joguei tive a oportunidade de viver algumas situações curiosas. Umas típicas de balneário e de espírito de equipa, outras nem tanto. Lembro-me com especial prazer de alguns jogos no Atlético da Malveira, em que entrávamos para dominar e asfixiar o adversário. Por diversas vezes marcámos cedo no jogo. Nessa altura, quando a bola estava a ser reposta no meio-campo, o capitão de equipa virava-se para trás, de forma a ver todos os jogadores, e dizia: está 0-0, malta!

Não estava. Afinal, tínhamos acabado de marcar. Podíamos respirar um pouco, parar, descansar os músculos e circular a bola tentando controlar o jogo. Mas a mensagem era a contrária. O que o capitão nos pedia era para esquecer a vantagem e jogarmos como se estivéssemos empatados. E não o pedia estupidamente, numa anarquia tática de miúdos que só querem jogar ao ataque. Não. Pedia-o porque nós éramos melhores e não se contentava com um golo de vantagem. Nem nós.

É isto que se pede no próximo Sábado ao Sporting. Ninguém exige goleadas como as obtidas contra o Arouca e a Académica. Mas o que aconteceu contra o Rio Ave não se pode repetir. Nas bancadas há o desejo que tenha sido um abre-olhos para uma equipa que considerou que os problemas se resolveriam sozinhos, sem dificuldade. Não se resolvem.

E por isso pedimos atitude. A nossa exigência é de que os jogadores saibam a camisola que vestem e que não se contentem com o suficiente. Que entrem em cima deles, que não os deixem respirar, não cedam tempo para descansar nem dizer ai! ou ui!. É entrar para ganhar, ponto final. Porque em nossa casa mandamos nós e perante os nossos adeptos uma vitória vale sempre mais que 3 pontos.

Sábado temos de entrar com o pensamento no 1º golo, bem cedo. E depois disso, está 0-0, malta.

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