Verde e Branco à Risca
O Porto apareceu no baile sem ser convidado e passou 90 minutos a ver os outros dançar. Ainda tentou entrar na pista, mas um dançarino com pés-de-chumbo dificilmente arranja coragem para desafiar um verdadeiro entendido na matéria do bailado. Envergonhado por se sentir à parte numa festa tão animada, ainda tentou chamar os amigos mais populares, mas só piorou a situação: vergonha a dobrar. O rei da pista, Adrien, distribuiu novos passos para quem quisesse entrar na roda, numa festa que até teve direito a piñata, que, apesar de massacrada, não rebentou.

Reduzidos a nada: É a única forma que encontro para descrever o “Portinho” de ontem. Poder-se-á dizer que os “azuis-e-brancos” não alinharam com todos os seus trunfos no onze inicial – o que é verdade – mas igualmente direi que o Porto conseguiu ser menos fraco antes da entrada de Lucho e Jackson. Mas o que se terá passado com o tri-campeão nacional, vencedor recente de uma Liga Europa, o clube com mais títulos de futebol em Portugal? Como é que um clube dono desta descrição se vê dependente da exibição de um mero guarda-redes suplente? A razão é simples: o Sporting é, de longe, a equipa em Portugal que melhor futebol pratica. O Sporting massacra os adversários e cada vez defende melhor (algo que me preocupava há uns tempos).

A questão é simples:

Ponto 1 – O Sporting não venceu devido a um fora-de-jogo mal assinalado a Wilson Eduardo que, a não ser marcado, daria grande penalidade de Fabiano sobre o extremo leonino.

Ponto 2- O Sporting não venceu devido à exibição sobre-humana de Fabiano.

Ponto 3, e o mais importante. – O Sporting não venceu a partida devido a dois clamorosos falhanços de um Vítor sem qualquer pontaria, efeito da falta de minutos nas pernas dos ex-Paços de Ferreira.

A contrastar com a falta de ritmo de jogo de Vítor esteve a magistralidade de dois jogadores leoninos, filhos da casa, dois injustiçados por Paulo Bento: Adrien Silva e Cédric Soares. Adrien está-se a tornar uma espécie de playmaker mortífero. Passes de luxo para qualquer canto do terreno de jogo, aberturas de sonho, toque de bola brilhante. Adrien está a fazer a época da sua vida e é uma vergonha se Paulo Bento não o incluir nas convocatórias da Selecção Nacional, quando vemos jogadores medíocres como Rúben Micael e Rúben Amorim com lugar cativo na “equipa das quinas”. Já Cédric está a mostrar que é o titular absoluto da lateral direita leonina: seguríssimo a defender, perigoso e consciente a atacar, cruzamentos milimétricos, ritmo de jogo alucinante. Mas Paulo Bento prefere André Almeida, um jogador completamente sem brilho, de equipa B, que não é bom a defender nem a atacar, não ata nem desata. Isto eu não consigo admitir, e espero impacientemente pelas próximas escolhas de Paulo Bento.

Não ganhámos – isso é certo –; porém, não estou preocupado. Ainda faltam dois jogos, temos todas as condições para seguir em frente nesta competição e, sem dúvida, para vencê-la. Estou sim bastante contente por ver confirmado, mais uma vez, que temos um leão muito forte, forte o suficiente para domesticar um dragão que, felizmente para si, só voltará a pisar “a pista” em meados de Março.

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Deslumbrado pela "Geração de Ouro" da Seleção Nacional, pelo Sporting de Schmeichel e Acosta, pelo United de Yorke e Cole, e, pelo Barça de Figo e Rivaldo, Hugo tornou-se num autêntico viciado em futebol.                                                                                                                                                 O Hugo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.