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O Dérbi dos Dérbis, e o Sporting como se sente bem

Nuno Almeida · 4 min

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Ainda agora começou a nova época de futebol e já estamos às portas de poder apreciar “O” dérbi do futebol português.

É um daqueles jogos do qual se começa a falar uma semana antes, e ainda se falará uma semana depois de ter terminado. No primeiro caso, para tentar “adivinhar” as tácticas que serão usadas pelas equipas, os jogadores a ser utilizados (há sempre supostos lesionados para tentar gerar dúvida na estratégia adversária), e no segundo caso quase sempre para se falar dos lances polémicos do jogo, que os vai haver, e de quem foi mais ou menos prejudicado ou beneficiado.

Por tudo isto e muito mais, este jogo é dos que gera mais interesse mediático, e onde todos os intervenientes pretendem mostrar quem está mais forte nas várias vertentes do jogo, e não apenas do jogo jogado.

No entanto, e porque o dérbi ainda não foi jogado, podemos esquecer as vertentes extra-jogo, e tentar centrarmo-nos apenas nas tácticas, estratégias e jogadores.

Como facilmente se percebeu, em termo de fluidez de jogo, o nosso adversário está com processos bem mais assimilados e de rápida execução, até pelo final de época, pré-epoca e início de época atípicos que o Sporting tem vivido. Porque, para quem esteve Marte, desde maio até julho o clube leonino teve três treinadores, golpes de estado, comissões de gestão, marcação de eleições, tentativa de retomar o poder, e ainda não vemos fim a isto. Mas não nos vamos desviar do jogo, apesar de no Sporting ser praticamente impossível devido ao exorbitante número de egos que lutam pelo protagonismo no nosso clube. Protagonismo para ser simpático.

Jovane Cabral poderia ser um dos utilizados para dar velocidade no ataque, e prender a defesa adversária mais atrás
Fonte: Sporting CP

Com tudo isto, tínhamos de estar necessariamente menos fortes, em termos de processo de jogo, que o nosso adversário do próximo jogo.

É que esta dificuldade não deveria dever-se ao facto de terem saído jogadores importantes da equipa, até porque, dos que saíram, alguns foram recomprados (somos mesmo diferentes), outros não eram titulares indiscutíveis, ficando apenas a faltar o guarda-redes, o médio-defensivo, e o extremo. Ou seja, setenta por cento da equipa é a mesma da época passada. Mas o estilo de jogo mudou, com uma construção de jogo a incidir essencialmente (espero que mude) no passe longo para o ponta-de-lança e os extremos.

O problema deste estilo de jogo é que perdemos o jogador que melhor o executava (posso dizer o nome de William Carvalho sem me baterem?), e estamos agora a jogar com extremos que estão sem velocidade para passar o jogo a correr para bolas lançadas nas costas dos defesas adversários (mas podemos ter, se o treinador quiser). Com os médios que temos neste momento, a táctica tem que incidir na posse de bola, e na circulação rápida, principalmente no dérbi, onde vamos encontrar uma equipa a pressiona alto (como vimos no jogo da liga dos campeões), que tenta ganhar rapidamente a bola, e é rápida no ataque.

Por não termos um médio tão posicional, vamos sentir dificuldades também para segurar o meio campo adversário que não se dá à marcação, sempre em trocas constantes, com Pizzi ou Gedson a virem atras pegar no jogo, e a aparecerem com facilidade em zonas de finalização. Assim, teremos um Fejsa a controlar Bruno Fernandes, e os que acima referi a darem muito trabalho a Battaglia e Misic (para já acho que não temos melhor, e não é neste jogo, com os processos da equipa ainda por assimilar que poderemos colocar Wendel – não corremos esse risco, já que nem contra equipas menores foi chamado).

Outro problema de não termos um médio mais posicional vai ser na questão das dobras uma vez que teremos os “extremos” (Benfica não joga com extremos puros) encarnados a flectir para dentro, dando espaço para os laterais entrarem na linha e cruzarem, o que obrigará a muito trabalho defensivo de Nani e Acuña, porque senão iremos ver os nossos centrais constantemente a desposicionar-se por terem que flectir para as laterais a compensar Jeferson e Ristovski (confio muito menos no Jeferson).

Portanto, estou à espera de um Sporting a jogar com Coates a lançar bolas nas costas da defesa adversária, tendo a agravante de não termos Dost para ganhar duelos aéreos com os centrais contrários.

É este compromisso que queremos ver em todos os jogadores do Sporting
Fonte: Sporting CP

Com tudo isto quero apenas concluir que teremos um jogo muito complicado de controlar, quando a melhor forma de o fazer seria com posse de bola, processos rápidos, qualidade de passe. Futebol esse que a equipa leonina ainda não consegue executar.

Mas o Sporting e os Sportinguistas estão agora como não estavam há muito. Sem pressão, conformados, e à espera de conseguir um mal menor, como já foi referido pelo presidente interino. É assim que gostamos de estar, e é assim que nos sentimos confortáveis. Quem sabe, não teremos uma surpresa? Era bom.

E não, não é a equipa que está pior que, por norma, ganha o jogo. Era bom que fosse, para nós.

Este vai ser, sem dúvida, o dérbi mais difícil que vamos ter desde há 3 anos. E se isto correr mal, só temos que não deixar a equipa desmotivar-se, porque acredito que nada estará perdido, e os novos reforços trarão o equilíbrio que ainda não poderemos ter neste jogo.

Mas nós somos verdes, temos connosco a esperança que nunca morre, e vamos acreditar sempre que os nossos jogadores vão querer honrar a camisola e o ordenado, vão lutar até às últimas forças e trazer a vitória para Alvalade.

Foto de Capa: Sporting CP

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos