Desculpem desde já o meu excesso de soberba, no entanto qualquer adepto/sócio do Sporting Clube de Portugal tem direito a considerar-se um dos melhores adeptos do mundo. É que não é para qualquer um, com tão poucos títulos ganhos pelo seu clube de futebol, que se mantenha tão fiel ao emblema. Mesmo sem títulos, temos bravos Sportinguistas nos cafés, nos locais de trabalho, em todo o lado, a defender o seu clube contra os argumentos de adeptos de dois clubes que ganham mais troféus, mostram mais qualidade e mais dinheiro para investir na equipa. Mesmo sabendo que a qualquer momento portistas e benfiquistas podem, a meio de uma discussão, tirar da cartola o número de títulos, os Sportinguistas continuam a defender o seu clube como o melhor do mundo e arredores.

O problema é que nós começamos a tornar-nos muito repetitivos, tanto nos argumentos que usamos contra os nossos rivais, como nos erros de casting que terminam sempre em claudicar nos momentos decisivos do campeonato e taças.

Estamos habituados a dizer que somos diferentes, no entanto, infelizmente, não somos apenas diferentes no facto de o nosso clube não estar impregnado de processos e investigações judiciais, mas também no facto de sermos o único dos “três grandes” que apenas ganha um campeonato nacional de 20 em 20 anos (um pode estar diretamente ligado ao outro, mas em Portugal é permitido).

Depois de mais uma época fracassada, a contestação continua
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Gostamos também de argumentar que somos os melhores na formação. A verdade é que já fomos os melhores. Neste momento somos, no máximo, tão bons a formar como os nossos rivais. No entanto, por estarmos novamente a ficar apertados de finanças, voltamos a ser o maior apostador em jovens jogadores. Veremos o que isso dá, até porque, apesar de os jornais nos mostrarem que estamos a tentar contratar jogadores com experiência para ajudar esses jovens a crescer, também terão de ter qualidade. Se formos buscar experiência baseando-nos apenas na data de nascimento, eu tenho mais experiência que qualquer um dos que joga pelo Sporting.

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Outro argumento sobejamente conhecido e usado todos os inícios de épocas desportivas baseiam-se em prometerem uma equipa que lutará pelo titulo de campeão nacional. Não, não lutamos. Para já, porque não temos as mesmas armas, seja em jogo jogado ou jogo de bastidores, mas também porque não conseguimos ter a mesma estabilidade que os rivais conseguiram com líderes ditatoriais que eliminaram qualquer ameaça que lhes pudesse fazer frente. Não pensem que foi só com boa gestão, porque talvez nem tenha sido essa a principal razão para o sucesso dos mesmos. Não somos nem seremos candidatos a coisa nenhuma nos próximos anos. Se estamos constantemente arredados da luta pelo campeonato não poderemos continuar a considerar-nos candidatos. Para isso teríamos que, pelo menos, estar pontualmente mais perto dos outros candidatos. Os verdadeiros candidatos.

Estes argumentos já me dizem muito pouco. Começam a ficar gastos, e a ficar sem sentido. Um clube de futebol vive de títulos e, nos dias de hoje, do dinheiro que esses mesmos títulos transferem para os cofres do clube. Os nossos estão a ficar vazios, porque o dinheiro do patrocinador não dura para sempre.

No entanto há outro tipo de argumentos que tentam usar, não para defender o clube, mas a si mesmos, que me deixam envergonhado, inconformado, irritado e, ao mesmo tempo, com o sentimento de impotência.

O atual presidente do Sporting CP disse um dia que o Sporting CP tinha deixado de ser um circo, no entanto não temos servido para mais nada que divertir os nossos rivais. E mesmo as entrevistas ou conferências de imprensa de Varandas são dignas de qualquer número de circo. Mas ele não tem culpa, porque cada um tem os seus méritos e limitações. Culpados são os adeptos que elegeram para presidente do seu clube uma pessoa com essas limitações.

O mesmo disse que ganhar no futebol é fácil. Atendendo ao que temos ganho, e às miseráveis prestações da nossa equipa no futebol, falta saber o que lhe falta para que este desporto se mostre menos difícil. Para os outros parece bem fácil, efectivamente, principalmente quando jogam contra nós. Esperamos que nos mostre isso até ao final do seu mandato, porque infelizmente ele vai-se manter por lá até às próximas eleições, pelo menos.

Mas a verdade é que nada disto nos devia preocupar porque, como dizia Menezes Rodrigues, o Sporting CP será o clube mais elegante da liga, custe os pontos que custar. E a perceber pelos pontos perdidos já devemos ser o clube mais elegante do universo e arredores.

Com tudo isto, vejo-me a tentar consolar com as boas épocas conseguidas por Matheus Pereira, Palhinha, Domingos Duarte, Bruno Fernandes e até a vitória no campeonato da Juve de CR7. Já que não tenho mais nada… Ah, temos também os dez milhões vindos de Manchester que entram nos cofres do Sporting CP (já devemos conseguir pagar o treinador. Ah, ainda têm de pagar à UC Sampdoria).

Mas espera … o Sporting CP não é só futebol. Esquece… nas modalidades também deixámos de ganhar e até estamos a desinvestir. Portanto, mais um argumento dos adeptos que cai por terra.

Quem tinha razão era Jaime Marta Soares quando disse a sábia frase “Deixem que a história nos julgue”. Já podemos julgar?

Cada vez me sinto menos um dos melhores adeptos do mundo.

Artigo revisto por Diogo Teixeira