Com todo o desporto português de quarentena ficam a faltar assuntos para explorar. No futebol, os jogadores não treinam, pelo menos em equipa, os treinadores não podem consolidar processos e no Sporting até o presidente teve de fazer uma pausa nas suas funções administrativas para cumprir com o seu dever cívico e profissional.

O clube, como o desporto em geral, está parado. E no que ao futebol diz respeito, foi interrompida uma época, a todos os níveis, desastrosa, apesar de muitos ainda conseguirem ver coisas boas no que tem acontecido ultimamente.

O facto de estarmos sem futebol nacional, para mim não tem feito grande diferença uma vez que apesar de apoiar incondicionalmente o meu clube, já tinha deixado de conseguir ver um jogo completo do Sporting, tal é a falta de qualidade apresentada. Aliás, já se tornava uma ofensa para o dito desporto chamar de futebol ao que o Sporting vinha a apresentar dentro das quatro linhas.

Aliando essa fraca performance ao facto de estarmos a vivenciar uma luta pela nossa própria sobrevivência, cria em mim um sentimento de que o futebol bem pode ficar para segundo, terceiro, quarto, ou sétimo plano que pouco me rala.

Ainda assim, depois de toda esta guerra, teremos de nos reerguer de alguma forma, ainda que mais ou menos fragilizados. Depois disto teremos de retomar e continuar as nossas vidas da forma mais normal e natural possível. E o Sporting voltará a jogar futebol.

Quando isso acontecer, espero que nada mais grave possa ter acontecido a nível pessoal e social, e o futebol possa novamente ter um espaço relativamente importante no meu dia-a-dia. (Seria um bom sinal, apesar de considerar que com o actual cenário já não é possível dizer que conseguimos ganhar o que quer que seja. É uma guerra perdida a ver pelas vidas humana já perdidas e irremediavelmente afectadas). Certamente o Sporting não voltará à competição a jogar um futebol melhor, até porque estará a cumprir uma espécie de pré-época, e neste período não foi possível consolidar processos. Esperemos, isso sim, que os outros venham a jogar menos, até porque passam pelas mesmas restrições que nós. Com isto, poderemos voltar um pouco mais próximos dos nossos adversários da frente, e será necessário capitalizar esse período de regresso à competição, esperando que o novo treinador consiga elevar o nível exibicional individual e colectivo da nossa equipa. Isto se ainda houver competição este ano.

Esta paragem forçada, pode ainda dar tempo à estrutura do futebol para preparar de uma forma mais calma e consistente a próxima época. Até porque, com certeza, muitos dos contactos com jogadores, empresários, e outros tipos de negócios poderão ser alinhavados através de teletrabalho. Porque eu espero que, apesar de os jogadores e treinadores não treinarem, o clube não tenha parado. Tenho a certeza que não.

Aguardemos então que o futebol volte. Seria um excelente sinal. Mas neste momento é o que menos me preocupa, e nem perco muito tempo a pensar nisso. Não consigo. Tenho tantas preocupações mais importantes. Quando tiver tempo para me preocupar com o nosso Sporting, será indício de que conseguimos sobreviver a esta luta pela nossa própria vida.

Cuidem-se. Previnam-se. Fiquem em casa.

Eu fico em casa, e sei porquê.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

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