Com o urgir do tempo, diversas são as fortalezas que alicerçaram o futsal leonino. Que respiraram Sporting Clube de Portugal, que o estimularam, que o viveram, que obstinadamente defenderam as suas cores e rugiram veementemente aquando da tentativa de subjugação adversária, renunciando ideais como a conformidade e a resignação.

Thiago Mendes Rocha é o alvo da minha redação. O último resguardo carece de exultação. As muralhas também surgem personificadas no seio de pavilhões nacionais e internacionais. Curiosamente, a conexão lusa com as Terras de Vera Cruz perdura há mais de 500 anos e Guitta, na parca opinião de um aficionado da modalidade, é produto fabricado por Pedro Álvares Cabral.

Desta vez, a perplexidade e a estupefação não acorrentaram o meu espírito aquando da vinda para o tricampeão pelo facto de ter já corporificado o meu juízo relativamente a ilustre personagem. E, com a sucessão dos acontecimentos, conferenciei com os meus botões “bem, com a chegada da coqueluche brasileira, transformamos a quimera em realidade, desvanecem-se as patologias de outrora e, quiçá, possamos conquistar a contenda que se esvaiu três vezes, duas delas consecutivamente.”

Apesar de um início descaracterizado patenteado com o término de um ciclo dirigente, a modalidade aufere o rumo que detinha das épocas anteriores e, a partir do embate com o SL Benfica, altera integralmente a mentalidade e adquire aquele querer, aquele crer e aquela ambição que só é conhecida pelos súbditos do Rei da Selva. 6-1, exibição portentosa e recheada de qualidade, edificada pelo pôde com direito a brinde, sexto e último tento. Posteriormente aos factos supracitadas, emerge a glória, irrompe o êxito, brota o esplendor desportivo, irrompe a magnificência.

O guarda redes leonino foi escolhido o melhor em campo na final da UEFA Futsal Champions League
Fonte: UEFA

Singularmente, o clímax é proporcionado, não sei se por inspiração divina e mitológica (Os Lusíadas) se pelo Fado e Ventura decorrentes da normalidade mundana. Domingo transato, o Sporting Clube de Portugal cumpriu as minhas preces e atendeu a todos os meus desejos e realizações pessoais. Sim, pessoais.

A UEFA Futsal Champions League caminhou para o João Rocha e Guitta pôde explanar toda a sua magia, toda a sua dedicação e toda a sua preponderância. E carecendo da perplexidade anterior, nunca vislumbrei tamanho contorcionismo, tamanha elasticidade, tamanha agilidade e tamanho sentido de responsabilidade naquela que constitui a estrutura rochosa com assaz rugosidade e peso. No Kairat Arena, a fortaleza proclamou o grito do Ipiranga, ensurdecendo e empalidecendo toda uma moldura humana após mostra da sua intransponibilidade e da sua aptidão para malograr festejos do adversário. Após apito final, no decorrer dos festejos, Guitta procurou e transportou para o palco um quadro com a foto do filho que perdera dois anos antes e, travando-o junto do peito, verteu lágrimas nostálgicas mescladas com beijos ternos e insanos. O arrepio duplicou-se, a sensação estranhamente comovente e autêntica preencheu todos os imos existentes.

Convictamente, afirmo que o melhor do mundo na posição tem paradeiro no campeão europeu de futsal e no tricampeão nacional!

Foto de Capa: Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

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