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Como em todas as orquestras, o papel do maestro é crucial. É ele que dirige, que define os tempos e os compassos e que “dá o corpo às balas” quando alguém é atraiçoado pelos nervos.

No Sporting Clube de Portugal acontece o mesmo. Não estou a falar de Jorge Jesus, falo antes de Adrien Silva e da falta mais que notada no relvado de Alvalade no último encontro diante do SC Marítimo.

Já nos tínhamos dado conta desta realidade, da qualidade que empresta ao jogo coletivo leonino, da capacidade de luta e do espírito de sacrifício.

Jamais se poderá apontar o dedo a Adrien no que toca a cada uma destas valências. É dos jogadores da Liga NOS com mais quilómetros nas pernas, mas nem isso o faz perder a vontade de ajudar o Sporting CP a conquistar o título.

Quanto ao jogo, para além dos três pontos e da melhoria significativa de Teo Gutiérrez, fez mais falta quem não esteve.

O meio campo leonino não carbura sem Adrien. A intensidade perde-se, a definição do passe, a saída de pressão, o processo ofensivo e defensivo. Perde-se sobretudo a alma leonina.

E mais que isso, todos os outros intervenientes dão a ideia de que não estão a jogar o suficiente, até mesmo João Mário que não me canso de elogiar. Porquê? Porque o nosso maestro potencia todas as qualidades dos seus companheiros, confere-lhes segurança no processo defensivo e depois há o jogador que melhor define quando tem que se partir rumo ao meio campo adversário.

William e Aquilani cumpriram os mínimos, mas ficaram uns degraus abaixo do soneto que normalmente este maestro dirige em todos os relvados nacionais.

Adrien Silva, o “motor” do meio campo verde e branco Fonte: Sporting CP
Adrien Silva, o “motor” do meio campo verde e branco
Fonte: Sporting CP

Por outro lado – e se restassem dúvidas – a equipa verde e branco mostrou-se determinada a lutar até ao fim, agilizando os movimentos e tentando de uma forma ou outra visar a baliza madeirense defendida por um guardião que sempre admirei que teve um par de defesas de elevada qualidade.

Foi bom rever a alegria de Matheus Pereira que após um período mais longo de ausência, voltou a agitar as bancadas leoninas, essas também alegres e felizes por mais uma vitória, não tanto pela exibição.

É sempre agridoce apontar fatores negativos depois de uma vitória, parece atingir sempre um sentimento de ingratidão para os onze que começaram o jogo e os três que deram o seu contributo no decorrer do mesmo. Mas talvez seja depois das vitórias que temos mais discernimento emocional para o fazer, e apontaria para a utilização de Bruno César como defesa esquerdo.

Não é de longe a sua posição, não tem capacidade suficiente para cumprir o papel que se pede a um homem que tem de defender bem e depois, por culpa deste sistema de jogo, fazer o corredor todo durante grande parte do encontro. Com Jefferson ainda a recuperar de lesão, Marvin Zeegelaar é, na minha modesta opinião o substituto natural, ele que até jogava muitas vezes a extremo no Rio Ave.

Diria até que será o defesa esquerdo titular do Sporting CP na próxima temporada.

Foto de Capa: Sporting CP

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