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Leonardo di Caprio no seu melhor papel até hoje, Scorcese genial como só ele sabe ser, e uma narrativa única: tudo reunido num filme que se tornou de culto e que, até ontem, fazia questão de ver uma vez por ano.

Pedro Guerra, muito provavelmente de forma inocente, acabou de estragar um dos melhores filmes dos últimos anos, no qual a personagem principal é mais corrupta do que qualquer apito dourado mas de que o espetador acaba sempre por gostar; um anti-herói de alto gabarito.

Jordan Belfort é esquivo, é inteligente, sabe como ganhar dinheiro, e gosta de droga, algo que num país como Portugal seriam capacidades ideais para governar um clube de grande dimensão. Contudo, como Wall Street não é, de todo, a Avenida Cosme Damião ou a Eusébio da Silva Ferreira, acabou por ser preso, julgado, e perdeu uma fortuna de milhões.

Mas que raio tem o cu que ver com as calças (perguntam os leitores)? E por que raio o Pedro Guerra te estragou o filme, ó seu lagarto?

Pois bem, é apenas por esta parte:

 

Pedro Guerra, ou Chester Ming num universo paralelo, fez-me lembrar os Strattonites. Todos sabiam o que fizeram, o deboche que era a empresa deles; as farras, a corrupção e a “vergonha” (c’mon, todos os homens gostavam de certas coisas, right?) que para ali havia, e ainda assim, quando confrontados com a questão, nenhum deles se lembrava.

É estranho que o “senhor” Guerra, apesar de todo o “volume” de informação que aparenta ter, sofra de Alzheimer seletivo, que o leve a lembrar-se de onde conheceu a pessoa X, a conversa que tiveram e em que momento, mas que se esqueça de um e-mail que poderia ser tão nocivo para a instituição sediada à beira da Avenida Cosme Damião.

Estranhamente, ou não, todo o isolamento promovido pela estrutura do clube encarnado a Pedro Guerra leva a querer que, por um lado, é uma situação bastante delicada e que, por outro, tudo isto pode ser o início de uma revolução, seja apenas internamente ou a uma escala maior, envolvendo todos os poderes.

Espero sinceramente que isto leve a que Pedro Guerra saia de cena, e que leve a uma reformulação da estratégia de comunicação do Benfica. Está na altura de os recetores da cartilha, seja por mensagem, mail ou talvez por conversa Skype por portas travessas, serem mandados embora.

Mais, talvez seja altura de os Jordan Belfort’s cá do sítio serem julgados e condenados, seja o Jorge, o Bruno ou o Luís. Talvez seja altura de todos perceberem que, enquanto nós ficamos felizes por um campeonato, há malta a enriquecer “estupidamente” à custa do meu, do teu e do nosso Amor.

Talvez seja altura.

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