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Há certos momentos que nos ficam retidos na memória e, o que se irá passar no dia 21 de Novembro, para mim, não é exceção.

O mito é que, nas sextas-feiras 13, aconteçam coisas menos boas. Há até pessoas que insistem em fazer o seu ritual supersticioso e evitar certos males, como um espelho partido, passar por debaixo de umas escadas ou evitar gatos pretos. No entanto, este dia foi um dos melhores da semana que passou, já que finalmente tive a confirmação que vou ver o meu primeiro Sporting-Benfica ao estádio: uma estreia.

A primeira memória que tenho dos embates entre os rivais lisboetas remete à minha infância; deveria ter cinco ou seis anos quando o meu irmão pediu aos meus pais para jantarmos mais cedo: era dia de Benfica-Sporting. Infelizmente, não me recordo de quanto ficou, em que estádio foi ou quem eram os protagonistas. Lembro-me sim que haviam dois territórios: o sofá do Sporting e o sofá do Benfica. Estava cada um enfeitado com os cachecóis que tanto eu como o meu irmão tínhamos, estávamos de pijama, ele com a sua camisola do Benfica vestida e eu com o meu chapéu de guizos (curiosamente, oferecido por ele) do Sporting. Lembro-me também que só havia contacto quando a respetiva equipa marcava golo, quando me atirava à cara que o seu jogador preferido havia marcado ou quando eu fazia tanto barulho a celebrar com o chapéu que ele me mandava calar. Tenho outras de quando íamos já os dois para o café com o meu pai, beber sumo e ouvir os típicos comentários de senhores mais velhos, aos quais o meu pai advertia “Marta, não oiças isto nem o digas que é feio!”. O futebol sempre foi um ambiente alegre que sempre teve grande impacto na minha vida, quer por ver o meu irmão a jogar e a dizer que era o melhor, quer por ser uma hora em que nos juntávamos por um gosto em comum.

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Teo Gutiérrez: dois jogos frente ao rival, dois golos marcados
Fonte: Sporting CP

Agora, sendo mais velha, percebo o quão incrível é o poder que um jogo pode ter. Vou poder assistir ao primeiro dérbi de Jorge Jesus em Alvalade, tendo este um saldo incrível nas duas partidas que já se realizaram entre ambas equipas esta época: Quatro golos marcados e sem tentos sofridos. Rui Vitória tem sobre os seus ombros uma pressão enorme e ainda vai poder sentir, na verdade, o rugido do leão: não irão ser só cerca de 3000 adeptos a gritar nos noventa minutos de jogo mas sim mais de 45 000. Creio que não é fácil, sabendo que é difícil de combater com este ambiente em Alvalade.

Sinceramente, tenho saudades de entrar no nosso estádio, de sentir a euforia antes do jogo e de festejar os golos (que espero que continuem com saldo positivo para a equipa verde e branca) e de saber que sou parte integrante de uma família que cada vez mais gosto de conhecer.

Espero poder celebrar tanto no estádio como quando era na minha infância, não com guizos, mas sim com amor à camisola. Quanto a comentários para o jogo, esses remeto-os para uma próxima. Agora, preciso de começar a preparar a festa do futebol.

Foto de Capa: Sporting CP

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