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O futebol português está de boa saúde e é isso que me agrada. Se é verdade que o FC Porto está a passar uma fase mais conturbada da sua vida, não deixa de ter o reconhecimento que lhe é devido no mundo do futebol. Tirando isso a verdade é que as equipas portuguesas estão cada vez melhores e se é verdade que fomos muito bem representados nas competições europeias, nomeadamente através do SC Braga e do SL Benfica, não deixa de ser um facto que o próprio campeonato português foi bastante renhido e demonstrou a qualidade não só das várias equipas mas dos próprios jogadores e treinadores.
Claro que um campeonato assim desperta a atenção dos grandes tubarões desejosos de gastarem os seus maços de notas em mão de obra boa e alegadamente barata. Mas, se há uns tempos o leão estava velho e demente, revitalizou com o sangue novo e, tal qual o mundo animal, começa a conquistar território nesta savana que deixa claques e adeptos em êxtase. E aqui Bruno de Carvalho é peremptório; a época da caça em saldos no reino do leão acabou.
Porque o Sporting não é uma empresa de formação ou de workshops para dar competência técnica, um certificado, e depois lançar os miúdos no mundo profissional, mas sim uma empresa (clube) de prestígio, com selo de qualidade e competências na formação de talentos. Esses talentos têm de ser desenvolvidos, potencializados, aproveitados, valorizados e rentabilizados. Nesse sentido, quando os tubarões vêm ao reino do leão com a garantia de que aqui vão encontrar os jogadores especializados que procuram, então têm de saber que isso é algo que custa um bom dinheiro e que o clube terá de ser bem recompensado por abdicar dos seus jogadores. Caso contrário, se abdicarmos dos nossos jogadores a preço de saldo, relembrando aqui a venda de Daniel Carriço, voltaremos ao estado do leão demente: vamos estar a trabalhar para os outros, admitindo que na verdade somos apenas um clube satélite, a formar jogadores de topo para os outros os rentabilizarem, pretensiosamente grande, mas não passamos de “Big In Japan”.


Fonte: Sporting CP
É óbvio que após tantos anos em declínio, a perder o seu fulgor, alcançar essas aspirações mais elevadas constrói-se com o tempo, mas de época para época o clube tem mostrado estar no bom caminho. A capacidade e a ousadia para exigir estes valores pelos seus jogadores é sinal não de ímpeto mas de força. Não é algo precipitado e impulsivo; é uma posição tomada para mostrar ao mundo que o Sporting está forte, cada vez mais forte, e que tem jogadores de topo, só ao alcance dos mais ricos.
Podem argumentar os moralistas sobre como o futebol está inflacionado; certamente têm razão. Contudo, foi o mundo moderno que criou este futebol de milionários. Todos nós que assistimos aos jogos, que vibramos e nos emocionamos com o desporto, compactuamos com todos estes milhões movimentados, e quando o mundo do futebol moderno chega a este patamar as opções continuam a ser as mesmas. Pode-se querer ser e manter um clube grande, médio, ou pequeno. Se o objectivo é ser-se um clube grande, então tem de se negociar como os grandes.
Já referi algumas vezes que não acredito que o dinheiro faça equipas, mas não deixa de ser por isso que estes muitos milhões são de extrema importância. Permitem ter a capacidade salarial para pelo menos minimizar estragos quando os grandes tubarões europeus vêm aliciar os nossos melhores jogadores, e manter as pedras basilares duma equipa é essencial para a tornar competitiva e equilibrada.
Fazendo um balanço desta época, é verdade que só ganhámos a supertaça, mas creio que foi dado mais um passo importante na ascensão do Sporting na sua caminhada para se tornar um dos grandes clubes europeus. Esse é e tem de ser o foco, Jorge Jesus tem de ser o homem do leme. Ele é sem dúvida o homem correcto, mas há uma coisa que espero ver nesta próxima época. A mesma garra que a equipa demonstrou no campeonato tem de ser levada para as competições europeias. Estas, assim como o campeonato, têm de ser uma prioridade, porque é lá que os grandes clubes europeus se digladiam, pelo que é também lá que o Sporting tem de mostrar a sua força.
Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho












