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Enquanto parte integrante da estrutura de futebol, a equipa B do Sporting imprime a sua importância no projecto desportivo, no capítulo da gestão e evolução dos jogadores. E embora haja quem não consiga interligar estes dois momentos, o reaparecimento destas equipas secundárias coincidiu com o acentuado melhoramento da afirmação de vários jogadores portugueses.

Depois de um começo forte e sustentado, a equipa B do Sporting vivencia o seu primeiro verdadeiro teste. Considerando preponderante a permanência da equipa numa divisão competitiva enquanto factor de equilíbrio qualitativo da mesma, podemos unificar todos os restantes jogos da época e interpretá-los como uma última oportunidade de garantir o sucesso do projecto. Anunciada a saída de João de Deus do comando técnico, foi escolhido para sua substituição um nome forte e conhecedor do universo de formação. Em primeiro lugar, recordemos que Luís Martins assinala o regresso ao Sporting, depois de, no passado, ter comandado durante vários anos a equipa de Juniores, com a qual fora Campeão Nacional, e ter integrado o núcleo técnico da equipa principal. Falamos, pois, de alguém que conhece a sua nova (velha) casa. Depois, o novo treinador agrega ao conhecimento leonino a sua experiência na alta competição do futebol com o trabalho realizado em campeonatos de vários países. Podemos, em síntese, perceber que a nova escolha da direcção do Sporting para a equipa B é a própria comprovação de que é essencial reforçar a aposta no projecto, que tem como principal objectivo a continuidade no segundo escalão do futebol nacional.

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Luís Martins entrou com o pé direito no comando técnico da equipa B leonina Fonte: Facebook de Luís Martins
Luís Martins entrou com o pé direito no comando técnico da equipa B leonina
Fonte: Facebook de Luís Martins

 

E, até agora, a aposta parece estar ganha: em três jogos disputados, a equipa de Luís Martins consumou um empate e duas vitórias – uma delas contra um dos adversários mais regulares da época. Mas o caminho ainda é longo e, para além da longitude, prevê-se difícil. Resta-nos analisar os trunfos que estarão ao dispor do novo técnico. É do conhecimento geral que as alterações de treinador podem traduzir-se em cargas motivacionais que modificam os comportamentos das equipas. A frequência com que o fenómeno vai sucedendo permite reter a ideia de que, muitas vezes, a lacuna relaciona-se com o lado emotivo dos jogadores e da equipa, tal é a mudança de postura em apenas uma semana, e sem que o treinador tenha tempo para grandes alterações. Acredito que Luís Martins, à priori, trouxe esta grande vantagem, renovando o espírito de uma equipa que em muitos jogos não jogava e só deixava jogar. Primeiro problema resolvido. Outro aspecto importante, embora mais volátil e relativo, é a experiência: a carreira de Luís Martins é, para todos os efeitos, mais densa do que a carreira de João de Deus. Repito: embora os percursos profissionais não garantam o sucesso, a verdade é que a experiência de treino sempre aumenta o conhecimento e o domínio. E sendo a equipa B do Sporting um pólo de investimento na acção formativa, o currículo de Luís Martins é bastante mais compatível com as pretensões propostas.

Existe, por fim, um terceiro ponto que poderá representar um forte contributo para o novo treinador: estando o campeonato na sua segunda volta, todos os jogos são, como se diz, autênticas finais. O plantel, portanto, terá que ser reforçado pontualmente para os grandes jogos. É, por isso, bastante provável a assiduidade de alguns jogadores, habitualmente vistos na equipa principal, nas partidas disputadas em Alcochete. Luís Martins terá assim ao seu dispor reforços de peso, que serão um forte contributo para alcançar o principal objectivo. Não obstante este terceiro ponto, ter jogadores muito bons não é condição isolada para ganhar. Daí a importância dos outros dois trunfos.

Foto de capa: Facebook de Leonardo Acevedo Ruiz

Artigo revisto por Mafalda Carraxis