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Islam Slimani

O que significa para o grupo o “caso” Slimani?

Todos já ouvimos expressões como “perde-se uma batalha, e ganha-se a guerra” ou “sacrificar o individual para ganhar o colectivo”. E é essencialmente sobre esta última que nos devemos centrar quando nos debruçamos sobre este “caso”.

Como declaração de interesses devo dizer que sempre fui um grande fã de Slimani, essencialmente pela sua alma guerreira, que nunca desiste, luta o jogo todo. No fundo, é um jogador de equipa. No entanto, quando se falou que ele iria voltar, já com mais uns bons anos em cima, não fui dos mais entusiastas. Não por não gostar do atleta, mas por achar que já não conseguiria dar o que dava antes a uma equipa.

A verdade é que, para gaudio da grande maioria dos Sportinguistas, Slimani voltou e rapidamente começou a mostrar serviço. Percebeu-se também que o treinador iria, ao máximo, gerir a sua utilização. Ou seja, não seria o ponta de lança de eleição, mas um ótimo recurso para determinados jogos, e seria mais um ponta-de-lança para fazer concorrência ao único que existia no plantel.

Nunca achei que o argelino fosse um jogador de amuos e conflitos, no entanto, há uns dias surgiu a noticia de que o treinador o teria mandado sair mais cedo do treino por considerar que o atleta não estaria aplicar-se por ter sabido que não seria titular no jogo a seguir. Não sei se foi essa a verdadeira versão, mas vou admitir que sim e tudo o que direi será baseado nesse pressuposto. Tendo em conta a resposta de Rúben Amorim ao caso, não estará muito longe da verdade.

“O Slimani é mais uma opção, teve uma semana de acordo com a exigência do grupo e principalmente de acordo com a exigência do jogador que ele é”

🗣️ Rúben Amorim pic.twitter.com/Q76JqgUD1P

— Sporting CP Adeptos 🏆 (@sportingcpadep2) April 16, 2022

Começando pela resposta do treinador, mais uma vez demonstrou a sua inteligência a comunicar para dentro e para fora. A mensagem para fora desvalorizou a situação dando enfase a algo que lhe é pedido para fazer, ou seja, tomar decisões. E como ele disse, observou os jogadores e a forma como eles se aplicaram no treino é que o ajudou a escolher quem merecia ir a jogo.

A mesma resposta serviu para que todos os outros jogadores entendessem que todos têm chance de jogar, independentemente do estatuto. Ou melhor, passou a mensagem de que o estatuto dentro do plantel ou junto dos adeptos e sócios não ganha lugar cativo para a titularidade.

A meu ver, esta é a forma certa de um líder liderar uma equipa cheia de egos do tamanho do mundo, porque apesar de poder criar um mau estar ou desconforto momentâneo num dos atletas, dá a entender a todos os outros que terão de trabalhar para manter a titularidade, e se trabalharem podem ganhá-la. Dá para os habituais titulares e os que aspiram a sê-lo, mantendo todos motivados.

Isto acontece e funciona se todos estiverem a trabalhar para o bem comum, ou melhor para a equipa e o clube. Ou seja, o Rúben Amorim fez a sua parte, cabendo aos jogadores “castigados” no momento perceberem que ali foram eles a perder, mas é aquele “modus operandi” que lhe poderá dar hipótese de jogar mais vezes se se aplicar tanto ou mais que os outros.

Com este tipo de liderança, Rúben Amorim deu a entender a Slimani, ao plantel, e aos sócios de que, como deveria acontecer em todos os quadrantes da sociedade civil portuguesa, no Sporting se valorizam os activos pela “meritocracia”. E só assim ele poderá manter constantemente estes miúdos focados e motivados. Porque se algum dia eles perceberem que esta mensagem está enviesada e é corrompida, o treinador nunca mais os conseguirá liderar.

Sporting Slimani
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

A ver pela reação de Slimani, este entendeu a mensagem, aceitou, continuou a trabalhar e está a jogar como sempre nos habituámos a vê-lo.

É por isto que eu digo que, mais que um excelente treinador, Rúben Amorim é um líder como há muitos anos o Sporting não tinha no futebol, e que, por isso, eu defenda que deve ser para manter enquanto ele se sentir motivado e se mostre útil ao clube. E não será por ter perdido um jogo contra uma equipa que aceitou a superioridade leonina e se fechou atrás (não, não estou a falar do CD Santa Clara, com todo o respeito) que vamos colocar em causa o excelente trabalho feito até agora.

O campeonato já estava perdido antes deste jogo, e o segundo lugar já estava garantido antes do mesmo, pelo que não foi agora que se decidiu o que quer que seja. Doeu por ser com quem foi e como foi, mas nada mais que isso.

Quanto ao Slimani, ele perdeu uma batalha, aceitou, aprendeu, voltou melhor e vai ajudar o Sporting a ganhar muitas outras. Ele juntamente com toda a equipa, liderada de forma inteligente pelo Rúben Amorim continuarão a trazer muitos títulos para Alvalade. Este ano ficamos por dois, podendo ainda transformar-se em três, mas como o treinador disse, “é pouco, queremos mais?”. Há tanto tempo que não se via este discurso de ambição, portanto não queiram voltar ao “para o ano há mais”.

Slimani foi um exemplo para todos, mas muito mais do que ele, devem ser todos os Sportinguistas a entender a mensagem para que termine esta bipolaridade camuflada de exigência.

 

Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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