Parece o nome de um conto infantil, contudo vamos aqui falar de uma história bem real com protagonistas de carne e osso.

Quis o destino (ou o segundo sorteio da Liga) traçar que Sporting e Benfica se encontrassem na terceira jornada do campeonato. Como dizem os nossos colegas ingleses, so far so good, não fosse a triste novela mexicana do presidente/não presidente que dura desde junho.

Novelas à parte, porque escrever roteiros televisivos não é para um clube de futebol que se diz grande no seu país e por esse mundo fora, construiu-se uma equipa com caras novas, regressos de empréstimos e com os jogadores que supostamente iriam rescindir contratos, ação também conhecida como “o regresso dos que nunca foram”. Mérito para aqueles que, seja por interesses monetários ou não, viram que a equipa do Sporting precisava de liderança e de quem, a bem ou a mal, resolvesse os problemas prioritários no seu plantel.

Poderia dizer que, até este momento, estamos todos de acordo, o que não iria ser verdade, mas também não nos podíamos dar ao luxo de ter uma equipa com juniores e juvenis a jogar contra plantéis de milhões.

Passando para o ponto fundamental deste artigo, já todos percebemos que o Sporting tem um problema que se reflete em todos os jogos: a defesa. Contando todas as partidas da pré-época, apenas na primeira a equipa leonina não sofreu qualquer golo. Não deveria ser ao contrário?

Ristovski teve uma atitude mais dura no dérbi
Fonte: Liga Portugal
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Sendo saudosista, o nosso quarteto defensivo do ano passado deixava-me a suspirar. Desconfiava de Piccini, como tantos outros, mas acabei por me deixar conquistar; a dupla Coates-Mathieu sempre me transmitiu segurança e, por fim, o doente crónico que em part-time era jogador, Fábio Coentrão, fez mais jogos do que aqueles em que esteve parado, entregando sempre a mesma raça a um clube que dizem não ser o seu.

Agora… bom, agora o Sporting manteve o núcleo central, mas mudou as alas, o que me faz lembrar aquelas propriedades que têm um portão a limitar a sua entrada, contudo não têm qualquer tipo de proteção a delimitar o perímetro do terreno. Ora vejamos: no jogo do dérbi, no qual, apesar de tudo, o Sporting se comportou como se fosse um leão saudável e forte, as alas eram auto-estradas para os extremos adversários, por onde só não passariam se, por milagre (como até muitas vezes ocorreu), aparecesse André Pinto – que deixou uma imagem ótima – ou Coates para fazer a dobra e assim proteger o último jogador no terreno: Salin. Ristovski, que fiquei na dúvida se foi apenas para distribuir um jogo mais duro ou se foi para jogar também à bola, deixava-se ultrapassar jogada sim, jogada não. Valeram novamente os centrais que muito bem aguentaram a defesa na Luz. De Jefferson, não consigo bem ter palavras positivas a dizer, a não ser que, pelo menos, sabemos que consegue fazer uma coisa: subir no terreno. Já descer para ocupar a sua posição, não o faz.

Podemos então fazer uma reflexão a uma semana do fecho de mercado e perceber que Jefferson só deverá entrar quando não houver mais nenhuma opção para o lado esquerdo? E porque não testar Bruno Gaspar do lado direito? Pode ter o mesmo nome que o presidente destituído e ser um reforço ainda contratado por ele, mas não é por isso que não lhe deve ser dada uma oportunidade.

É um facto que não teremos um calendário com equipas extremamente competitivas como no ano passado, mas não é por isso que devemos descurar a qualidade do nosso plantel. De avançados está o Sporting cheio, mas os jogos não se ganham só a marcar. Não sofrer também é fundamental.

Podemos estar sem presidente, sem ordem na casa-mãe e sem uma linha orientadora, mas, por favor, arranjem laterais que honrem a qualidade do Sporting Clube de Portugal.

Foto de Capa: Liga Portugal

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