O Sexto Violino

À oitava jornada joga-se finalmente o encontro mais esperado até agora. Sporting e Porto defrontam-se no próximo domingo no Estádio do Dragão, num jogo que promete ter de sobra a emoção que tanto faltou nas últimas épocas. Depois de vários anos em que o Sporting, tal como disse recentemente Bruno de Carvalho, “não contava para o Totobola”, os leões deslocam-se à Invicta com o melhor ataque da Europa e com a possibilidade de chegarem ao primeiro lugar. Mas, assim como podem alcançar a liderança caso ganhem, na eventualidade de um derrota verde-e-branca o Porto ganha uma vantagem de cinco pontos e o Benfica pode igualar o Sporting na segunda posição.

Este jogo terá, portanto, na perspectiva dos sportinguistas, um nível de interesse como há muito não se assistia. O Porto parte para este jogo no primeiro posto, mas não tem deslumbrado dentro de campo. A equipa está ainda a ter algumas dificuldades em adaptar-se à perda de Moutinho (não desprezando também a importância de James Rodríguez), algo que me parece ter motivado a inversão do triângulo do meio-campo em busca de uma maior consistência defensiva. Embora o seu novo treinador tenha vindo a adoptar uma postura de injustiçado, a verdade é que o Porto já conseguiu alguns pontos preciosos fruto dos erros de arbitragem que, estranhamente, lhes caem do céu com frequência sempre que a equipa não corresponde em campo (jogos com o Guimarães e o Estoril, por exemplo). E, se nos lembrarmos do castigo insuficiente à cuspidela do Josué, é caso para dizer que as queixas de Paulo Fonseca denotam uma enorme desonestidade e revelam que o treinador está a sentir alguma pressão neste seu início de ciclo no Porto. Ainda assim, é bom lembrar que os azuis-e-brancos têm uma defesa forte com dois laterais que dão profundidade à equipa, um meio-campo competente onde sobressai Lucho González (ainda que este sector esteja um pouco lento de processos neste início de época) e um ataque venenoso, alimentado com os golos de Jackson e onde Quintero só continua a ser uma surpresa para quem ainda não o viu jogar.

Os adeptos vão ser uma peça importante para o Sporting conseguir superar mais este desafio / Fonte: www.rr.pt
Os adeptos vão ser uma peça importante para o Sporting conseguir superar mais este desafio / Fonte: www.rr.pt

Já o Sporting terá mais um jogo para continuar a crescer e, sobretudo, para medir as potencialidades da sua equipa. Podia dizer-se que os leões não têm nada a perder, mas isso, como tentei demonstrar no início do texto, não corresponde à realidade. A missão para este jogo é algo ingrata, sobretudo se pensarmos que a derrota é o desfecho mais provável e que, a acontecer, permitirá a um Benfica à deriva sair desta jornada com os mesmos pontos e novo ânimo. Seja como for, será interessante ver como se comportarão certos sectores da equipa do Sporting – sobretudo a defesa, que terá o seu segundo teste mais a sério (ou terceiro, se contarmos com o exigente jogo em Braga), e o jovem William Carvalho, que desempenhará uma função muito complicada. Julgo mesmo, aliás, que o nível exibicional do Sporting dependerá em boa parte do seu posicionamento, capacidade física e serenidade. De resto, e independentemente que quem for titular, aposto num Sporting sem medos, a jogar de igual para igual (ainda que com as cautelas defensivas adequadas) e com a lição bem estudada de modo a conseguir minimizar os pontos fortes do adversário. São estes, a meu ver, os momentos de forma das duas equipas, e será neste contexto que ambas se irão exibir dentro de campo.

No que diz respeito a incidências fora das quarto linhas, o Sporting também saberá com o que pode contar. O próximo adversário é a melhor equipa das últimas três décadas em Portugal, mas é também aquela que, desde essa altura até agora, mais domina os bastidores do futebol português. Para uma equipa ganhar no Dragão, onde o Porto já não perde para o campeonato desde 2008, é preciso que cumpra pelo menos uma destas condições: ou ser estrangeira, como mostrou o Zenit ainda hoje, ou ser suficientemente brava, resistente e bem-sucedida para conseguir jogar contra 14 e ainda assim levar os 3 pontos. Desenganem-se aqueles que pensam que os sportinguistas estão a querer arranjar desculpas para uma eventual derrota no Dragão, e desenganem-se também todos os que acham que já lá vai o tempo em que os tentáculos do “polvo” portista chegavam a todos os cantos do futebol português. À primeira ideia, a minha resposta pessoal é que o Sporting sabe que irá disputar porventura o jogo mais difícil desta nova era, e que terá de lutar para contrariar as expectativas (que são, ainda assim, mais animadoras do que nos anos anteriores). Relativamente à segunda, digo apenas que quem pensa assim ou é adepto do Porto e quer “atirar areia para os olhos”, ou então não podia estar mais distante da realidade. O Josué que o diga.

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Saudações leoninas

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O João Sousa anseia pelo dia em que os sportinguistas materializem o orgulho que têm no ecletismo do clube numa afluência massiva às modalidades. Porque, segundo ele, elas são uma parte importantíssima da identidade do clube. Deseja ardentemente a construção de um pavilhão e defende a aposta nos futebolistas da casa, enquadrados por 2 ou 3 jogadores de nível internacional que permitam lutar por títulos. Bate-se por um Sporting sério, organizado e vencedor.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.