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Não, não vou falar de que somos um clube que nunca foi apanhado em escutas, a escolher árbitros, a dar fruta ou um cabaz inteiro, a negociar favores, ou uma rede de segredos das mais altas personalidades do futebol. Não vou falar disso, porque já tudo se falou. E porque aí efectivamente somos diferentes e espero que continuemos a ser. Até porque, no nosso clube, quando algum dirigente ou sócio é comprovadamente apanhado a tentar fazer algo ilícito que prejudique o clube, é afastado e não disponibilizamos elementos e recursos para o livrarem de uma condenação justa.

No entanto há coisas em que gostaria de ver o Sporting mais parecido com os seus rivais mais directos. Gostaria de ver os jogadores do Sporting a correr sempre mais que os outros, a disputar todos os lances como se fosse o último, ver raiva nos seus olhos, vendo no seu opositor alguém que tem que ser derrotado o mais rápido possível. Entrar em cada lance com a convicção de ganhar a bola e correr para a baliza assim que a tenha nos pés. Queria ver jogadores de dentes cerrados até construir um resultado que pudesse ser gerido com segurança.

Fabio Coentrão tem encarnado a ambição de vencer do Sporting Fonte: Facebook oficial de Sporting CP
Fabio Coentrão tem encarnado a ambição de vencer do Sporting
Fonte: Facebook oficial de Sporting CP

Essa atitude, que vimos também no clássico desta quinta feira, em que o nosso adversário ganhava quase todas as bolas divididas, pelo seu ímpeto e poder físico, deve-se essencialmente à mensagem que se passa para os jogadores e é construída com mensagens exteriores, nem que para isso tenham que ser descontextualizadas. Há dois anos atrás, apesar de muitas outras manobras, ficámos em segundo pela congregação que o nosso adversário mais directo conseguiu alcançar, aproveitando uma pequena frase do nosso treinador, provocada por terceiros e depois descontextualizada. Conseguiu, com isso, juntar os jogadores com o único objectivo de mostrar que eles conseguiam ganhar mesmo sem o “cérebro”. Este ano temos como principal adversário o clube criador dessa mesma táctica, ou seja, de congregar as suas tropas através de um inimigo externo que terá que ser combatido a qualquer custo, e dá para perceber, ao vê-los jogar, como isso resulta.

O Sporting tem que aprender a gastar menos energias com lutas internas e mais com lutas contra um inimigo externo (sei que é difícil, num clube que tem várias facções em lutas constantes pelo poder), ainda que tenha que ser imaginado ou criado. Temos que aproveitar qualquer provocação ou mensagem dos nossos adversários para nos juntarmos e querermos mostrar que somos os melhores. Temos de querer fazer tudo em campo para ganhar, com a raiva e ganância de querermos tudo para nós. Sejam bons rapazes, mas quando entrarem no palco verde, como qualquer actor, encarnem a personagem de homens egoístas e ambiciosos e lutem pela vossa glória. Lutem essencialmente pelo Sporting, mas se isso não vos disser nada, lutem por vós, pela vossa ambição, e o clube por associação ganhará também.

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